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BIOCRÓNICAS

CRIAR BIOGRAFIAS OU CRÓNICAS ROMANCEADAS DE PESSOAS OU EMPRESAS

BIOCRÓNICAS

CRIAR BIOGRAFIAS OU CRÓNICAS ROMANCEADAS DE PESSOAS OU EMPRESAS

22
Set13

DEUSA DA CRIAÇÃO (artº21)

romanesco

 

 


**

DEUSA DA CRIAÇÃO (artº21)
*
tem nos olhos um esplendor
que se propaga ao sorriso
tornando o rosto em redor
luz do amor que eu preciso
*
não tem riscos no sobrolho
nem os lábios escarlate
não é na idade um escolho
está na frente do combate
*
não veste roupas da moda
nem sapato salto alto
sendo bela magra ou gorda
alma sombra no asfalto
*
calca com os pés de miúda
a submissa condição
e ergue as mãos tão graúda
bramando indignação
*
sendo mulher tem firmeza
sendo ser a autoridade
para abolir toda a tristeza
que há na humanidade
*
digam bom dia à mulher
sempre que ela passar
um sorriso um bem-me-quer
numa doçura de olhar
*
se for mãe é bem maior
o símbolo da criação
nenhum homem sabe a dor
de ser causa sem razão
*
que parem de a violentar
amantes dela a fingir
que gozam por a ver chorar
se a dor a não deixa sorrir
*
não é do amor pertença
é livre de o soletrar
mulher pura por avença
não é feliz se casar
*
se é deusa mulher criadora
origem da humanidade
todo o ser que a ela adora
cante a sua liberdade
*
eu canto em quadras loucas
a toda mulher resistente
sejam muitas sejam poucas
fazem o mundo diferente
*
correm alegres belas sadias
inebriadas de odores
entoam vibrantes sinfonias
tocam pétalas de flores
*
são ventos da nova história
varrem poeiras antigas
libertam penas memória
organizadas formigas
*
quem lá vem é M de Mulher
de Mãe e de aMante
é Deusa símbolo do querer
amar amor e garante
*
vem formosa e vem segura
que é livre consciência
espalha abundante ternura
cultiva arte e ciência
*
do cosmos trás a semente
da nova civilização
nova ordem p'ra toda a gente
sem cobiça nem ladrão
*
não havendo o que roubar
se cada um tiver pão
não há ganância a medrar
da pedra do coração
*
cessa enfim a mordomia
de dividir p'ra reinar
nem lucra de economia
a usura milenar
*
quem lá vem F de Feminino
trás no bojo a virtude
de conhecer seu destino
que transforma em atitude
*
não traz sexo nos olhares
nem no sorriso volúpia
tantos beijos são milhares
sem medo da tirania
*
que viva mulher para sempre
o ser mais belo do mundo
só a teme quem não cumpre
a regra do amor profundo

jrg

16
Fev13

QUADRAS PENDENTES

romanesco




**
QUADRAS
PENDENTES
**
água ardente
luar de lua
alma nascente
figura nua
*
vento nordeste
curtidor
seco gélido agreste
verga flor
*
terra argilosa
barrenta
mulher amorosa
vida sangrenta
*
fogo fertilizante
cinza solar
amor humanizante
corrente de ar
*
poder tempo cósmico
razão que se solta
liberdade grito afónico
d'alma em revolta
*
aura d'esperança
alegremente
só risos de criança
dão semente
*
que o mar espalha
se náufraga
o humanismo encalha
na deriva sôfrega
*
tempestade ciclónica
amarra partida
vacuidade histórica
sem volta nem ida
*
arde sobre o medo
vulcanizado
não há mais segredo
de fogo cruzado
*
sopra brisa amena
doce e fresca
aviva o fogo acena
à vida burlesca
*
antro dos ladrões
covil de hienas
abutres vampiros leões
vestidos de penas
*
força de mulher mãe
mátria de amor
feliz ser que se mantém
acima da dor
autor:jrg
17
Out12

MATRIZ !

romanesco

Natália Correia por Bual
*
MATRIZ
*
mulher 
de pés descalços
tão menina
pegadas do amanhecer
desfazendo laços
que espreitam em cada esquina
do meu viver
*
MÁTRIA
mãe de toda a criatura
saindo da bruma
onde a história se fez PÁTRIA
renasce pura
e no olhar duma criança apruma
a nova era PÁRIA
*
fêmea sedutora
atractiva dos prazeres sensuais
deixando marcas de cio
na paisagem tão enganadora
onde vingam os chacais
afasta os abutres que bebem do teu rio
sê pura e ganhadora
*
jrg
07
Out12

PORQUE CHORAS MEU AMOR ?

romanesco
imagem pública tirada da net
*
PORQUE CHORAS MEU AMOR ?
*
diz-me porque tanto chora a tua alma 
porque gritas no silêncio a tua dor
que fome o teu espírito não acalma
que angústia não te basta o meu amor
*
Porque procuras no silêncio a resposta
porque te recusas ouvir minha voz
que sou o escravo da tua vida exposta
que sou a outra parte de ti em nós
*
Porque choras na tua alma meu amor
se o mar e o céu te e nos amparam
é tempo de soltares os nós das amarras
É tempo de te abrires bela rara flor
orgulhosa dos seres que em ti amaram
tão formiga no canto das cigarras
*
diz-me porque lágrimas tão amargas
me tornam impotente por afasia
mordes os lábios soluças e me afagas
com suspiros e cheiros a maresia
*
porque choram teus olhos madrugada
doces meigos febris de que agonia
teu coração te faz sentir mais culpada
porque choras meu amor de poesia
*
porque choram os teus olhos meu amor
quanta emoção e quantas mágoas
se por amor plantei para ti este jardim
onde criei teu reino te fiz bela flor
regada a carinho ternura e puras águas
para te sentir e me sentires a mim
autor:jrg
26
Ago12

POEMA COM MULHER DENTRO ...a XU de MIRANDELA !

romanesco

Imagem de Maria Manuela Xu: artista plástica,poetisa e fotógrafa

***

POEMA COM MULHER DENTRO...

a XU de MIRANDELA!!!

*

abro a janela do poema

espreito a veia onde o sangue corre

carrego a emoção do meu olhar

uma espiral de cor demarca o tema

rosa violeta brilho que não morre

sob um vulto de mulher para amar

aroma inebriante d’alfazema

*

todo o conjunto é um sorriso

amplo a abarcar no mundo inteiro

a tragédia de viver a vã tristeza

os olhos rutilam esplendor preciso

na alegria d’alma sinto o cheiro

da arte que nela labora a tal beleza

que acolhe sensibilidade e riso

*

 é a luz diáfana que vislumbro

à entrada do túnel onde o poema abre

imagem simples de mulher feliz

o coração estremece no meu assombro

poetisa pintora que me cobre

com o seu manto de luz eu d'aprendiz

a ver se o verde não se faz de rubro

*

ando à volta da fotografia

saber se tem um lado d’ilusão inverso

oculto do meu deslumbramento

perscruto a cor na alma louca da grafia

à procura da palavra no meu verso

que defina da imagem tão menina o pensamento

que me seduz sonhar a fantasia

*

a imagem é maravilhosamente bela

não precisa das palavras que a rodeiam alvorotadas

linda de cores luz e efusiva alegria

quisera eu fixá-la preciosa em outra tela

que não a das rimas apertadas

que ficam aquém da luz desta mulher de poesia

mas essa é exímia a arte dela

 

Autor:jrg

 

25
Jun12

MAIS POVO E MENOS LIXO...

romanesco
imagem pública tirada da net
**
MAIS POVO E MENOS LIXO
***
nada mais é de verdade
depois de tanta mentira
vivemos da caridade
daquele que mais nos tira
*
alguém pode acreditar
que um povo faça riqueza
sabendo que lha vão roubar
com insensível dureza?
*
somos um povo bastardo
perdido da nossa origem
varremos os bons a petardo
a ver se os maus nos corrigem
*
corre pelo mundo uma história
de portugas amansados
por astutos sem memória
que escondem verdade aos roubados
*
passados novecentos anos
de revoltas sobram mitos
Maria da Fonte fez danos
e Bordalo criou manguitos
*
saem ufanos atrás da tropa
ou quando nada mais resta
iniciativa própria puf! que droga...
se a tomam é para a festa
*
não penso que seja o fado
a melancólica canção
que traz um povo cansado
sem alma nem dimensão
*
fomos celtas árabes marranos
galegos de religião e touradas
futebol e outros enredos humanos
com nervuras adulteradas
*
à força quase empurrados
passam a sábios doutores
corrompidos pelo ter aprisionados
voltaram a ser pastores
*
pelo meio ficam protestos
gritos de indignação
roubos de estado grotescos
a soldo da constituição
*
um povo assim tão rude obsoleto
já não se usa em sociedade
ainda que encapado em douto lhe falta o repto
que todo o ser livre faz à liberdade
*
se ao menos o tempo parasse
a tempo de tudo inverter
dando tempo a que surgisse
uma ideia a defender
*
fica a fama ultra-liberal
de ser povo gastador
quem construiu Portugal
foi coelho o caçador
*
somos um povo castrado
por anos de servidão
a procurar sempre do lado
contrário ao coração
*
querem-nos normalizados
aptos para exportação
achamos graça coitados
haja quem nos dê a mão
*
que fazer perante tal tragédia
sem alma não há movimento
triste drama o da comédia
que nos corta o pensamento
*
não há tempo para a glória
de sermos um povo amestrado
que evita o confronto da história
por impotência sagrado
*
há gente que pensa diferente
até pelo mundo inteiro
ser Português é ser gente
ouçam quem sente primeiro
*
de palavra na lapela
razão ao peito por entendimento
nem pátria nem capela
livre luz ao puro pensamento
*
se para tal for preciso
façamos sem rodeios a revolução
paramos Portugal com um sorriso
de corpo e alma livres da prisão
*
libertemos as crianças do marasmo
de serem o oásis no deserto
um povo que não ri morre de pasmo
um novo humanismo está por perto
*
deste povo nem posso não ser
por isso me inquieto
planto flores na esperança de nascer
a alma feminina que poeto
*
autor: jrg
13
Jun12

PACEMAKER...

romanesco
imagem pública de Adriana Franciosi,BD 2 jpg
***
PACEMAKER...
*
dormimos em camas separadas
em dois quartos pequeninos
levo-te mimos na ponta dos lábios
o pequeno almoço na bandeja
e sorrisos palavras animadas olhares de fogo
reparo no teu ar cansada
esforço-me por manter a casa limpa
trato da gata lavo a cozinha
retiro a loiça já lavada
enfio a roupa suja lavo o corredor 
arejo os quartos entre beijos
retiro a carne ou peixe para descongelar
numa pausa crio um poema
e logo volto à roupa para a estender
toca o telefone amigos... filhos...
faço a cama de lavado e mimo-te de novo
limpo o fogão o lava loiça
registo um pensamento desabrido
lavo os sanitários
acorro ao teu chamar em desalento
animo-te em breve estás melhor
e conto uma história nossa de antigamente
salgo o peixe ao de leve
descasco batatas cenouras e penso
quanto trabalho mulher
já o peixe grelha e a batata ferve
coloco os grelos ponho a mesa
preparo tudo na salva de plástico com esmero
e levo-te onde descansas
falas-me das notícias torpes e mentiras
enquanto descasco a fruta
faço um café para mim e olho o ninho na parede
já terá tido os filhotes?
ouço trinados e vultos d'áves em voos rasantes
depois arrumo a louça
um toque mais as migalhas apanho a roupa 
e vou-me à escrita
entre versos comentários e respostas
desço e levo-te um beijo
até que a noite venha e o jantar te apronte
meu amor mulher
autor: jrg
26
Mai12

FLORBELA...NATÁLIA...SOFIA...

romanesco
*
FLORBELA...NATÁLIA...SOFIA...
***
Florbela Natália Sofia
tão maiores que não chega o pensamento
estranho mundo as esqueceu
nas efemérides apressadas de um só dia
mulheres à frente do acontecimento
poetisas do amor nas noites frias de breu
tanto de mim nelas havia
*
Florbela Espanca a grandeza
de poemas e sonetos o pensar a ousadia
de sendo mulher se libertar
do jugo másculo a milenar vil tibieza
soltando asas libertando poesia
amante insubmissa tão de tanto se sonhar
na ampla planície a natureza
*
Natália na ilha dos amores
ninfa plena infinita de atitude feminina
a poetar se consagrou à vida
cantou a MÁTRIA ou mãe entre flores
amante sensual e libertina
confrontando o tempo adverso sem medida
mulher sem medo e sem favores
*
Sofia a arte meu encanto
do ser mulher e mãe de tanta boa gente
a melodia ou lisura do mar
onde o poema se branqueia em riso e pranto
e a alma manifesta o que mais sente
uma mulher que de tão grande eu ouso olhar
escondido na sombra do seu manto
*
Sofia Natália Florbela
depois delas o mundo masculino estremeceu
não se é dono de nada nem de ninguém
o meu corpo é a minha emoção e eu sou nela
o ser que se liberta porque amanheceu
onde todos os dias se celebra a "deusa" e mãe
bem-vindas ao lugar da janela
autor: jrg
12
Mai12

T O C O - T E...

romanesco
imagem fotográfica de Paula Pereira
*
TOCO-TE
*
toco na flor da laranjeira
toco docemente no teu ombro de mulher
toco na brisa quente de suão
a terra gira e com ela a cerejeira
o sol deslumbra em pétalas de malmequer
estremeço se toco a tua mão
ou enlouqueço no beijo com sabor a nespereira
*
toco-te tão levemente
toco-te a alma flor de lótus misteriosa
toco-te o coração em brasa
e o mar amansa de ver assim a gente
tu de jasmim um tanto airosa
eu sorvendo o ar que na tua boca passa
a sentir o que vai na tua mente
*
toco teus lábios macios
toco teus olhos grandes tão brilhantes
toco o último alvor romântico
abraço no teu corpo os seios erradios
louco dos odores aglutinantes
ouço ao longe a melodia do teu cântico
que me provoca doces arrepios
*
autor: jrg
05
Mai12

DECLARO O FIM DA ESCRAVATURA!!! E DAS ALMAS MORTAS!!!

romanesco

imagem pública tirada da net 

*

DECLARO O FIM DA ESCRAVATURA!!!

E DAS ALMAS MORTAS!!!


*
se já não podem ser tidos escravos
como era antigamente
nem há luz legal numa tal razão
face à lei sejamos parvos
se de deus já não somos nem semente
que viva a manipulação
*
quem o diz são os novos profetas
de leis ferradas na mão
em mensagem subliminar sobre o medo
assim cantassem os poetas
soltando da alma amor numa canção
à liberdade solta em segredo
*
pasmam as crianças de ver seus pais
que prendem a liberdade 
alinhados num sistema esclavagista
inibidos de pensar soltam ais
percorrendo os caminhos ínvios da cidade
como mendigos que a caridade assista
*
um trabalho por favor suficiente
para a família sobreviver
de sol a sol ou sempre disponível
e créditos que dêem à gente
a ilusão que somos livres de escolher
o rumo e o lugar para o covil
*
porque não faz hoje mais sentido
entregar a vida a meliantes
criar riqueza repartida em contra mão
chegar a casa cansado e num gemido
descarragar a fúria devida aos traficantes
sobre a vida que ama o coração
*
é preciso que haja uma paragem parem
digam bom dia à natureza
ocupem o sistema soltem a consciência
mais a força bruta da coragem
quem não entende não vê em si toda a beleza
quando sorri ao dizer basta à violência
*
cabe aos marginais do pensamento
criar a IDEIA da mudança
assente no saber e um pouco de aventura
soltar a liberdade em movimento
viver só vale a pena se houver esperança
porque nada justifica a escravatura
*
hoje declaro a abolição da escravatura
que todos exibam a lei da alforria
em MÁTRIA vos proponho a nova orgânica
que visa o bem estar da criatura
todo o trabalho doravante é fonte d'alegria
ser rico é ser de alma autêntica

jrg

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