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BIOCRÓNICAS

CRIAR BIOGRAFIAS OU CRÓNICAS ROMANCEADAS DE PESSOAS OU EMPRESAS

BIOCRÓNICAS

CRIAR BIOGRAFIAS OU CRÓNICAS ROMANCEADAS DE PESSOAS OU EMPRESAS

22
Dez13

N A T A L...

romanesco
*
NATAL
*
é natal
o meu coração fica gelado
quando ouço uma criança
_mãe quero pão
e a mãe esconde a lágrima
encolhida no silêncio
*
é natal
já foi a ceia dos sem abrigo
um dia em cada ano frugal
depois volta 
o céu aberto o frio a disputa
por um lugar sem ruído
*
é natal
já não caem pássaros em dezembro
porque já não há pássaros
e o frio teima em bater à porta
dos desempregados
por uma nesga de ruína
*
é natal
cai a neve na montanha
gente feliz aquecida
poderosos sem porquê da abundância
riem tecem planos de ganância
rasgam silêncios entre os despojos
*
é natal
em honra de um deus menino
que devia justiçar
chovem presentes escasseia pão
arde o fogo na lareira
tiritam de frio os sem teto
jrg
06
Jul13

SE FOSSE...MAS NÃO ERA...ERA TÃO SÓ

romanesco

*

SE FOSSE...MAS NÃO ERA...ERA TÃO SÓ
***
se fosse
apenas uma brecha
a abrir fenda
na velha constituição
se fosse
apenas um bando criminoso
a destruir um país
condenando um povo à servidão
se fosse
apenas uma pausa para pensar
refrescar pensamento
a retomar a rota da evolução
se fosse 
apenas um pesadelo
saído dum sonho
para despertar a consciência
se fosse
apenas uma involução
para apagar erros
para que a memória se remisse
se fosse
apenas uma farsa representada ao vivo
para nos amedrontar
quando já nada fazia sentido
se fosse
uma história com final feliz
para enganar a avidez
e trazer de volta a alma penhorada
***
mas não era
o sol cansava-se da cegueira
que projectava o caos
a guerra dos submundos era agora
era tão só
uma Fénix mulher que renascia
das cinzas da história
soberana e faminta de amor
era tão só
um novo humanismo que repunha
a verdade histórica
livre da peçonha e do histrionismo
era tão só
uma avalancha de ideias vigorosas
recheadas de justiça
numa nova lei orgânica para a vida
era tão só
ponto por ponto a alforria do homem
livre da corrupção
contida nas entrelinhas
era tão só
a Primavera eleita a infinita
sobrepondo a beleza
que as trevas escondiam com astúcia
era tão só
uma gota de azeite e um pavio
que findos os prazos
iluminavam de amor a tanta gente
jrg

20
Abr13

A SALVAÇÃO DUM PAÍS

romanesco

***
A SALVAÇÃO DUM PAÍS
**
o meu país definha
em cada dia do tempo que passa
e ninguém parece ver
um país cercado d'erva daninha
voraz erva tão devassa
que não deixa meu país crescer
*
o meu país não acorda
do sobressalto nem do pesadelo
levado pelo vento à deriva
miga pão e bebe vinho faz açorda
abarca a mentira com desvelo
marca passo à espera da maré viva
*
o meu país está num beco
cuja saída se encontra obstruída
é uma ilha que o mar afunda
sem alma nem esperança um poço seco
à espera da ajuda desvalida
dos poderes insanos onde o ódio abunda
*
o meu país precisa
do ar purificador dum tempo de paz
perene de valores humanos
duma ideia que se torne na mente concisa
ou no coração tanto me faz
desde que livre do arbítrio dos tiranos
*
no meu país de gente boa
é preciso que a palavra esperança
reconstitua orgulho e alegria
de Caminha a Faro passando por Lisboa
encher a alma de confiança
varrendo o lixo do poder em confraria
*
no meu país há quem cante
que almas mortas ou somente moribundas
resvalam da coragem com desânimo
não ganhamos esta guerra senão avante
de peito aberto às barafundas
que ultrajam um povo nobre e magnânimo
*
no meu país há uma rota
ouço tambores que rufam rumo à vitória
assim acreditem os do povo maduro
armados do saber que é hoje a nova frota
a tirania é estúpida sem memória
cerremos fileiras em torno do pensamento puro

autor: jrg
29
Jan13

EIXO MALDITO

romanesco


**

EIXO MALDITO
***
quero ser
eixo do mal
em contraciclo
com o bem
em movimento
brincar
com as palavras
e rir gosar
com os tiranos
a tirania
e os incrédulos
*
quero estar
ao palato colado
sentir o bafo
das palavras malditas
eixo maligno
atiradas ao pantano
onde os bandidos
a soldo de todos os soldos
são lidos
postos a nu descartados
mas resistem
*
quero jogar
ao eixo rebaldeixo
a chiar
com o dedo apontado
à ladroagem
entre flores a roubar
impunes
às regras da sorte
que anulam
com o devido silêncio
a rondar
*
quero sonhar
com Primaveras
sorrir
da história triste
dos putos
à volta das reformas
miudezas de velhos
escabroso confisco
que envergonha
o sol espantado
de tamanha rasia
*
quero parecer
que sou o meu medo
impotente
pegado na baba
cobiçosa
dos criminosos
dum tal poder
que me matam de fome
me torturam
a alma com sede
de viver
jrg

30
Dez12

SOU REFORMADO RICO GANHEI DEMAIS !!!

romanesco

foto pública tirada da net
***
SOU REFORMADO RICO
GANHEI DEMAIS !!!
***
quando eu nasci de mim
os deuses olharam-me de soslaio
mediram o tempo na ampulheta
e decidiram por unânime frenesim
que não me tornariam lacaio
nem a ferros me prendiam à grilheta
*
segui humildemente
encosta acima como Sísifo condenado
não de lacaio mas de jumento
a carregar um fardo enxuto de semente
perdendo os créditos se cansado
se me esforçasse garantiam um aumento
*
subi por minha conta e risco
a confiar que o pacto divino era sagrado
que ao chegar ao cimo da estopada
nenhum ladrão ou deus sequer o fisco
me cortariam o casco sendo roubado
por não poder ir mais além velho e cansado
*
dei coices espinoteei
fiz queixa mas fui alvo do riso da chacota
trabalhei muito ganhei demais
o erro foi de quem me pagou fora da lei
se pobre não ganhava pr'á palhota
como fora eu capaz de ganhos tantos de tais
*
fui ver e era tão pouco 
mal chegava tiradas as taxas e penhoras
mais os aumentos abrangentes
para ser por um só mês o tipo louco
de pagar rendas a horas
e comer todos os dias refeições quentes
*
decidi não saudar o ano novo
tanto se me dá que seja bom ou seja mau
tão pior que ser um pobre rico
é a pilhagem que o poder faz ao povo
que em cada mão renasça o pau
que há-de correr sem medo o mafarrico
autor: jrg
26
Set12

JÁ NÃO HÁ MOSCAS EM SETEMBRO !

romanesco

**
imagem pública tirada da net
**
em Setembro
eram comuns as moscas
miudinhas irritantes
atravessando até Outubro
portas abertas e toscas
zumbindo pela casa aviltantes
adejando em círculos como roscas
*
mas isso era no tempo
em que o Verão se decompunha em lixo
e a chuva tardava na limpeza
hoje o monturo é financeiro tocado a vento
em vez de moscas há um olhar fixo
sobre o que resta dum povo por riqueza
pousa no osso descarnado o seu sustento
*
quando as moscas invadiam
o reduto das vidas ainda sustentadas
fortificavam-se as janelas
ou polvilhadas com dum-dum no chão jaziam
as novas moscas são mais ladras
corpos sem alma nem luz nem estrelas
que resistem na merda que irradiam
autor: jrg
12
Set12

ANTES PASTORES DA LUSITÂNIA QUE VITIMAS DESTA TIRANIA!!!

romanesco

esta imagem é da Líbia libertada
mas podia ser de Portugal
para mim os tiranos são iguais
em qualquer parte do mundo
inundemos Lisboa com a nossa indignação
***
ANTES PASTORES DA LUSITÂNIA
QUE VITIMAS DESTA TIRANIA!!!
*
havia uma muralha de silêncio
e um bafo quente no ar
quando a força de polícia veio
nenhuma palavra em vão
ou movimento fuga de criança
apenas todas as mãos
numa maré viva de esperança
criaram elos de corrente
os olhos fecharam-se abismos
de estrelas a cintilarem
apertados corpos nos sorrisos
a encherem o espaço
a vida que queremos para nós
*
como água de cheia convulsiva
ocupando cada centímetro
não havia lugar a movimento
becos ruas avenidas
pisados por vitimas do terror
inundados de maresia
fogo mar ventos de montanha
que uma força conduzia
era a alma Portuguesa à solta
a dizer não à ditadura
a libertar amor face à tortura
da dignidade humilhada
dia a dia por criminosa valia
*
e logo ali se deu a comunhão
unida a força armada
à Nação que a ideia libertava
era a Lusitânia a renascer
sitiando no covil a fera edace
só então o som da alma
rompeu medos sob esperança
a ecoar pelos ouvidos
gritando vivas à terra inteira
na livre consciência
de ser força maior que o tirano
*
autor: jrg
25
Jun12

MAIS POVO E MENOS LIXO...

romanesco
imagem pública tirada da net
**
MAIS POVO E MENOS LIXO
***
nada mais é de verdade
depois de tanta mentira
vivemos da caridade
daquele que mais nos tira
*
alguém pode acreditar
que um povo faça riqueza
sabendo que lha vão roubar
com insensível dureza?
*
somos um povo bastardo
perdido da nossa origem
varremos os bons a petardo
a ver se os maus nos corrigem
*
corre pelo mundo uma história
de portugas amansados
por astutos sem memória
que escondem verdade aos roubados
*
passados novecentos anos
de revoltas sobram mitos
Maria da Fonte fez danos
e Bordalo criou manguitos
*
saem ufanos atrás da tropa
ou quando nada mais resta
iniciativa própria puf! que droga...
se a tomam é para a festa
*
não penso que seja o fado
a melancólica canção
que traz um povo cansado
sem alma nem dimensão
*
fomos celtas árabes marranos
galegos de religião e touradas
futebol e outros enredos humanos
com nervuras adulteradas
*
à força quase empurrados
passam a sábios doutores
corrompidos pelo ter aprisionados
voltaram a ser pastores
*
pelo meio ficam protestos
gritos de indignação
roubos de estado grotescos
a soldo da constituição
*
um povo assim tão rude obsoleto
já não se usa em sociedade
ainda que encapado em douto lhe falta o repto
que todo o ser livre faz à liberdade
*
se ao menos o tempo parasse
a tempo de tudo inverter
dando tempo a que surgisse
uma ideia a defender
*
fica a fama ultra-liberal
de ser povo gastador
quem construiu Portugal
foi coelho o caçador
*
somos um povo castrado
por anos de servidão
a procurar sempre do lado
contrário ao coração
*
querem-nos normalizados
aptos para exportação
achamos graça coitados
haja quem nos dê a mão
*
que fazer perante tal tragédia
sem alma não há movimento
triste drama o da comédia
que nos corta o pensamento
*
não há tempo para a glória
de sermos um povo amestrado
que evita o confronto da história
por impotência sagrado
*
há gente que pensa diferente
até pelo mundo inteiro
ser Português é ser gente
ouçam quem sente primeiro
*
de palavra na lapela
razão ao peito por entendimento
nem pátria nem capela
livre luz ao puro pensamento
*
se para tal for preciso
façamos sem rodeios a revolução
paramos Portugal com um sorriso
de corpo e alma livres da prisão
*
libertemos as crianças do marasmo
de serem o oásis no deserto
um povo que não ri morre de pasmo
um novo humanismo está por perto
*
deste povo nem posso não ser
por isso me inquieto
planto flores na esperança de nascer
a alma feminina que poeto
*
autor: jrg
12
Abr12

PORTUGAL DETIDO E SOB VIGILÂNCIA ELECTRÓNICA !...

romanesco

 


PORTUGAL DETIDO
SOB VIGILÂNCIA ELECTRÓNICA
*
esta gente
que hoje se governa à vista
em Portugal
não existem são um pesadelo
cinco deles
são sinistros como os abutres
Gaspar Coelho
Relvas Portas Paulo Macedo
os outros
são parte tenebrosa do enredo
*
um presidente caduco 
no sistema  falido semi feudal
floresce no engodo
que corrompe a parte publica
sindicatos
foros comuns e constitucionais
partidos engajados
sem alma submersos na história
à procura
de serem um dia maré d'ocasião
*
depois há um certo povo
a viver outro país em paralelo
a desenrascar-se 
deste jogo sórdido da ganância
livre d'impostos
mais esperto que os chacais
biscates drogas favores
coisas da terra ou do mar a sobreviver
às vezes caem do céu ideias novas
que calam astutamente
*
então vieram uns lunáticos
que amarraram Portugal ao seu destino
servidos por lacaios cheios de vento
detiveram o país declarando-o insolvente
e assim está parado
há meses sob vigilância electrónica
declararam ricos
sendo tão de tanto pobres a uns tantos
a quem cortaram rendimentos
lançando uma cruzada contra quem trabalha
*
se o que está dar é a paralela
o povo não estrebucha deste tratamento
uns por ignorância outros por medo
não saem a terreiro acreditam na valência
de viver esta aventura
como cristãos novos perseguidos a seu tempo
já então eram culpados
perante a inquisição e quem gere os seus condados
pobre "povo nação valente..."
por tão torpes governos desgovernados
autor: jrg

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