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BIOCRÓNICAS

CRIAR BIOGRAFIAS OU CRÓNICAS ROMANCEADAS DE PESSOAS OU EMPRESAS

BIOCRÓNICAS

CRIAR BIOGRAFIAS OU CRÓNICAS ROMANCEADAS DE PESSOAS OU EMPRESAS

11
Out12

DIZER POESIA - JOÃO RAIMUNDO GONÇALVES...por ISABEL BRANCO

romanesco


*
E SE DE REPENTE

 

ME FECHASSE PARA BALANÇO?

 ***


de repente

 

enquanto à volta os meus passos
movimentam
tudo o que em mim é movimento
acho-me a pensar
que não tenho mais nada a dizer
depois do que disse
de tanto dito que li em meu redor
já só me falta não ser
na imensidão do mar eu abismo
sem sol nem luar
*
de repente
um desejo impetuoso de parar
ficar quieto
como uma maioria absoluta
a definhar
olhando sem ver o louco a louca
vicejando ao alvorecer
em cada esquina da vida a decantar
aforismos poemas
e causas tremendas horríveis
a doer-me de amar
*
de repente
tudo o que disse me soa a nada
vácuo vão inútil
de tanto pensar ensandeci de amor
pedra pesada
que não chega ao cimo da montanha
a meio descamba
e arrasta o que me resta de ter sido
coragem esperança
com a memória ainda em sangue
tão desventrada
*
de repente
não tenho deus nem pátria
nem família ou amigos
pés ou mãos que me aconcheguem
todos me calam
na profundidade de absurdos segredos
e se escudam
na promiscuidade da minha evidência
árida estéril imbecil
a propagar que já não tenho medos
para onde fugir
*
de repente
se um doce veneno uma picada indolor
um terramoto uma avalanche
de ideias consecutivas me acudissem
sem ter que perder
nem explicar-me a decisão de sair
de não mais dizer
que abomino o clamor deste silêncio
de onde teimo gritar
aos meus próprios passos que me sitiam
a alma surpreendida
*
de repente
uma vontade indomável de apagar
o que me identifica
lunático a acreditar na falsa esperança
que amar é dor que amor alcança
e a não querer ver a materialização fatal
que me e nos condena
à servil condição de sonhadores
de criar sonhos especular
sabendo de antemão que não vale mais a pena
viver nesta agonia a adiar
*
de repente
desligo o botão que me liga à máquina
e permito que o meu silêncio
seja também ele um grito fantástico
a ecoar nas almas em espertina
ninguém dará por nada tão de súbito
como a luz que se apaga
fica ainda a claridade do apagão a confundir-nos
sinto a leveza da queda
neste abismo que é o não ser em absoluto
depois volto à normalidade de viver
**
como se nada tivesse acontecido!!!

 


 

autor: jrg

***


REGURGITAR AMOR...


**
Imagino a gruta
para onde te levo
sob a falésia os arbustos
o aroma das urzes
onde te rimo com mar
e o mar de tanto amar
tão teu e meu a dor
*
lembro o sonho
de amantes sem segredos
enrolados nos corpos
possessos de beijos
para diversão das almas
que sabiam
da efemeridade dos medos
*
evoco da memória
que havia escondido no sonho
um pesadelo activado
porque amavas demais
um outro que em mim achavas
tão parecido ou crente a jeito
no sonho feito segredo
*
recordo o meu o teu
desinquietado desassossego
por onde desvairados
nos amamos sem pudor os corpos
por entre manchas de ternura
lágrimas compulsivas
de sal e mel te escorriam
*
regurgito onde te memorizo
o grito o gesto subil o cheiro
as palavras que disseste
de amor sentido meu degredo
e da vontade que é partir
ao teu e meu encontro
dizer-te que não tenhas medo
*
autor: JRG

07
Out12

PORQUE CHORAS MEU AMOR ?

romanesco
imagem pública tirada da net
*
PORQUE CHORAS MEU AMOR ?
*
diz-me porque tanto chora a tua alma 
porque gritas no silêncio a tua dor
que fome o teu espírito não acalma
que angústia não te basta o meu amor
*
Porque procuras no silêncio a resposta
porque te recusas ouvir minha voz
que sou o escravo da tua vida exposta
que sou a outra parte de ti em nós
*
Porque choras na tua alma meu amor
se o mar e o céu te e nos amparam
é tempo de soltares os nós das amarras
É tempo de te abrires bela rara flor
orgulhosa dos seres que em ti amaram
tão formiga no canto das cigarras
*
diz-me porque lágrimas tão amargas
me tornam impotente por afasia
mordes os lábios soluças e me afagas
com suspiros e cheiros a maresia
*
porque choram teus olhos madrugada
doces meigos febris de que agonia
teu coração te faz sentir mais culpada
porque choras meu amor de poesia
*
porque choram os teus olhos meu amor
quanta emoção e quantas mágoas
se por amor plantei para ti este jardim
onde criei teu reino te fiz bela flor
regada a carinho ternura e puras águas
para te sentir e me sentires a mim
autor:jrg
26
Set12

JÁ NÃO HÁ MOSCAS EM SETEMBRO !

romanesco

**
imagem pública tirada da net
**
em Setembro
eram comuns as moscas
miudinhas irritantes
atravessando até Outubro
portas abertas e toscas
zumbindo pela casa aviltantes
adejando em círculos como roscas
*
mas isso era no tempo
em que o Verão se decompunha em lixo
e a chuva tardava na limpeza
hoje o monturo é financeiro tocado a vento
em vez de moscas há um olhar fixo
sobre o que resta dum povo por riqueza
pousa no osso descarnado o seu sustento
*
quando as moscas invadiam
o reduto das vidas ainda sustentadas
fortificavam-se as janelas
ou polvilhadas com dum-dum no chão jaziam
as novas moscas são mais ladras
corpos sem alma nem luz nem estrelas
que resistem na merda que irradiam
autor: jrg
18
Set12

A ALMA DO AMOR!

romanesco

imagem pública tirada da net
**
A ALMA DO AMOR !
**
o amor é tão maior que a violência
mesmo quando cai ainda dói
na alma por mais feroz do agressor
onde não mora a consciência
que amar humanamente sempre foi
um acto coragem sobre a dor
*
o amor é tão maior que hipocrisia
por aquando batido ainda ri
sobre triste figura de seu opressor
assenta na memória fantasia
de quem não ama a começar em si
não pode amar alma d'amor
*
o amor é tão maior que a tortura
sendo ferido se transforma
em dor que ama a própria morte
que cicatriza na amargura
de não vencer da vida a norma
da perdição e do desnorte
que é amar a tudo de alma pura
jrg
06
Set12

MINHA MÃE...MEU PAI!

romanesco


imagem pública tirada da net
*
MINHA MÃE...MEU PAI!
*
às vezes lembro
a figura destemida de meu pai
filho dum carroceiro
quando ternamente me carregava ao ombro
possante a trabalhar sem um ai
nem tempo para pensar o dia inteiro
desde que nasci era dezembro
*
outras com nostalgia
a imagem matriarca de minha mãe
o ar severo ou a doçura
com que denunciava a minha fantasia
de querer ser outro alguém
livre pensador contra a escravatura
usando como arma a poesia
*
meu pai pouco falava
armazenando no sono a energia
trabalhador portuário
no verão nem ao domingo descansava
saía cedo madrugada quase dia
a ver se o não comiam na contagem por otário
onde houvesse trabalho ele lá estava
*
minha mãe matriarcal
administrava a casa ela era a lei presente
ora acusadora ou defensora
conforme o dia amanhecesse no juncal
repartia a sopa o sermão a quente
marcava a disciplina e promovia a honra
que a cada um cabia no casal
*
às vezes caminhávamos calados
e eu queria dizer-lhe tantas coisas que aprendera
pai que a vida de trabalho não é fardo
que se dê a quem trabalha por uns trocados
que amar era bem mais do que rendera
o Domingo a palmilhar areia ardente bem suado
sem um tempo de pensar outros cuidados
*
outras discutiamos eu e ela
sobre a minha leviandade de comprar livros
se ao menos servissem para comer
não serás nada assim sem guia nem estrela
a escrever em vão sobre papiros
trabalha estuda arranja outra arte para fazer
e eu saía pela porta longe dela
*
meu pai o meu orgulho de ser
minha mãe o meu engulho de ir além do mar
comi dos livros sim vendidos a pataco
meu pai homem esforçado minha mãe mulher
quando a vida desviou meu caminhar
e me levou da alma tanto amor do elo fraco
mas eu venci meus pais por tanto ler
autor: jrg
26
Ago12

POEMA COM MULHER DENTRO ...a XU de MIRANDELA !

romanesco

Imagem de Maria Manuela Xu: artista plástica,poetisa e fotógrafa

***

POEMA COM MULHER DENTRO...

a XU de MIRANDELA!!!

*

abro a janela do poema

espreito a veia onde o sangue corre

carrego a emoção do meu olhar

uma espiral de cor demarca o tema

rosa violeta brilho que não morre

sob um vulto de mulher para amar

aroma inebriante d’alfazema

*

todo o conjunto é um sorriso

amplo a abarcar no mundo inteiro

a tragédia de viver a vã tristeza

os olhos rutilam esplendor preciso

na alegria d’alma sinto o cheiro

da arte que nela labora a tal beleza

que acolhe sensibilidade e riso

*

 é a luz diáfana que vislumbro

à entrada do túnel onde o poema abre

imagem simples de mulher feliz

o coração estremece no meu assombro

poetisa pintora que me cobre

com o seu manto de luz eu d'aprendiz

a ver se o verde não se faz de rubro

*

ando à volta da fotografia

saber se tem um lado d’ilusão inverso

oculto do meu deslumbramento

perscruto a cor na alma louca da grafia

à procura da palavra no meu verso

que defina da imagem tão menina o pensamento

que me seduz sonhar a fantasia

*

a imagem é maravilhosamente bela

não precisa das palavras que a rodeiam alvorotadas

linda de cores luz e efusiva alegria

quisera eu fixá-la preciosa em outra tela

que não a das rimas apertadas

que ficam aquém da luz desta mulher de poesia

mas essa é exímia a arte dela

 

Autor:jrg

 

19
Ago12

ATIRO PEDRAS AOS MEDOS!!!

romanesco


*
ATIRO PEDRAS AOS MEDOS
*
atiro pedras ao pensamento
como quem atira pedrinhas ao lago
nem círculos ou movimento
d'ideias enviadas com o porte pago
*
a expectação erótica dos nenúfares
onde uma borboleta sensual
poisa e toca ao de leve seus amores
fecundando na orgia o ritual
*
atiro palavras como sendo pedras
silvos agudos na madrugada
palavras doces com garras de feras
vão pelos sonhos noite calada
abelhas listadas de negro e amarelo
adejam sobre róseas flores
movimento circular onde me espero
à saída duma ideia rumores
*
atiro amor pela minha alma aflita
vejo-o surgir com a resposta
ali todos dormem acolá alguém grita
o amor naufragou deu à costa
*
mantenho ilesa a minha inquietude
de outro modo adormecia
às portas da esperança e da virtude
que o lago espelha fantasia
*
atiro pedras seixos rudes burilados
que fazem flop ao mergulhar
brincadeiras de meninos jubilados
na arte de crescer a perguntar
*
respiro fundo o pensamento vazio
de olhos na doce libelinha
não vale a pena esperar pelo gentio
preso a quem o espezinha
*
atiro pedras com ideias aos medos
e nem assim me amansa
o desejo de saber os seus segredos
que tiram alma à confiança
***
jrg
04
Ago12

A PRAIA MEU FASCÍNIO DE MENINO!

romanesco
Costa de Caparica-Praia-imagem pública tirada da net
**

A PRAIA MEU FASCÍNIO DE MENINO

***
a praia é um fascínio
com brilhos de sol salpicando a água
tão grande
e os dedos tão pequeninos
que coam a areia macia
vêem-me ao longe e correm
os pés a tropeçarem
fugindo do fogo que escalda
os olhos rutilando
os gritos as palavras arfantes
atropelando-se
*
_avô...chegaste!
*
a ver quem é primeiro no abraço
ela tão airosa e bela
e ele encantador de seus sorrisos
a par do sol brilhante
mostram-me os bolos e castelos
as covas os montes
as conchas que gandaiaram
que formam enfeites 
de construções imaginárias
sereias de fantasia
fornos palácios estradas erradias
*
_avô vamos ao banho!
*
de mãos dadas lá vamos
chapinhar nas ondas mansas
mergulham saltam 
riem e caem pelas partidas do mar
correm as ondas
aprendem segredos da vista escondidos
tão contentes
meus meninos genes memórias
da minha infância
que já julgava perdida na demência
do tempo esquecida
*
_meninos vamos!
*
é sempre só mais um bocadinho
tempo de olhar o movimento
que a água em remoinho desequilibra
mais além lá fora
há correntes que se cruzam
e  ventos partidos
saliências de areias revolvidas
forças iónicas
no vai e vem do cheiro a maresia
que por magia nos arrastam
se não olharmos o mar com sabedoria
*
_avô...aqui há tubarões...neste mar teu?
*
não!..digo e acrescento
só coisas mortas conchas espectros
de antigas vidas que havia
não há nada nem aqui nem além
porque o mar também se recicla e descansa
da rapina humana
aqui temos a água ainda cristalina
franzem os olhos
e as areias enxertadas das arribas
onde as conchas
quase fósseis ainda mexem na memória
*
autor: jrg
01
Ago12

VIOLAÇÃO I...

romanesco

o estupro de Edgar Dega-Paris
**
VIOLAÇÃO I
**//**
vem
o teu irmão está mal
e ela foi
porque amava aquele bem
sem saber que era a sal
o doce sabor do que lhe dói
*
eram tantos
no chão alucinado o mano querido
deram-lhe um sumo
que a boca lhe secava pelos cantos
e logo sentiu o chão fugindo
perdido o norte e já sem rumo
*
sentiu as mãos suadas
o cheiro afrodisíaco
rasgando a roupa que a cobria
as mamas apertadas
os olhos desfocados dum maníaco
vozes longe sufocada agonia
*
na bruma o movimento
dos dedos rasgando
o sexo o ânus a intimidade protegida
sem nada que activasse o pensamento
de mão em mão levitando
perfurada pela besta humana desvalida
*
quando acordou
havia na poeira do silêncio um vácuo
olhou-se despida e sentiu asco
o sexo dorido e sangue e esperma vomitou
a memória enxovalhada num recuo
vestiu os trapos arrastou o mano até ao tasco
*
pediu transporte
já em casa tomou banho entre lágrimas
e horrores a cada toque
desvirginada assim antes a morte
calou perante os outros fechou algemas
levando tanta raiva a reboque
*
a água corria
tépida sobre o cheiro pestilento
uma duas vezes talvez mais
e o cheiro da memória não saía
causando tanto sofrimento
na alma adolescente onde os sinais
*
deixavam marcas
indeléveis que nenhum tempo apagaria
abriu um hiato no tempo
às vezes queimam as memórias como farpas
quanta doçura daria
se fosse lavada pelo vento
autor: jrg
30
Jun12

O POETA PODE SER...

romanesco
imagem pública tirada da net
*
O POETA PODE SER
*
o poeta pode ser
um fingidor
como diz Pessoa
amar escarnecer
odiar até o próprio amor
ou rugir sobre Lisboa
*
o poeta pode até
ser vingador
da tristeza  de não ser
ou vingativo da ralé
a trepar p'la própria dor
esperança de viver
*
o poeta pode sonhar
tão vã a glória
sentado no meio dos deuses
beber dos óleos e achar
que os mitos cantam vitória
tecendo teias soezes
*
o poeta pode parar
suster a pena
dizer não à violência
abjecto desesperar
construir ode obscena
defecar na consciência
*
o que o poeta não pode
é emigrar a razão
sustento de humanidade
quando a alma nele explode
jorrando do coração
o sangue da liberdade
*
o que o poeta não pode
é fingir que é verdade
o seu sentimento de amor
quem sente a alma sacode
mentira ou leviandade
por queixa de tão falsa dor
*
o que o poeta não pode
é omitir a loucura
de pensar além da morte
sendo o louco que acode
até na mentira mais pura
à verdade que o suporte
*
jrg

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