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BIOCRÓNICAS

CRIAR BIOGRAFIAS OU CRÓNICAS ROMANCEADAS DE PESSOAS OU EMPRESAS

BIOCRÓNICAS

CRIAR BIOGRAFIAS OU CRÓNICAS ROMANCEADAS DE PESSOAS OU EMPRESAS

14
Mai11

ESCRITOS À MARGEM DA GUERRA,,,M É D O R !!!

romanesco

 

foto tirada da net

 

 

{#emotions_dlg.food}

era amarelo como a terra
só osso sobre o pelo escorrido
e olhos que espelhavam doce tristeza
o rabo entre pernas medo à guerra
a colar-se todo a mim enternecido
à espera dum gesto meu por subtileza

o rancho tinha gordura bastante
nem eu nem outros o tragavam
Médor mal o cheirou comeu gulosamente
elogo a pele se distendeu num só instante
o rabo ganhou forças aos micróbios que o matavam
e até latiu saltou e me lambeu contente

se o prendesse ficava o dia inteiro
latindo uivando à espera que eu chegasse
seria abatido por alguém mais insolente
assim ia comigo nas patrulhas caminheiro
no rasto dos meus pés minha catarse
sem perturbar da guerra o silêncio envolvente

ficámos íntimos nesta aventura de sobreviver
ele engordando me devolvia com ternura
a responsabilidade em que nele me ensaiava
mas à noite gania sem pudor doce gemer
talvez pulga ou carraça sorvendo na nervura
ou um germe de doença que o tomava

no silêncio a ganideira era um tormento
impedia o medo de descansar dentro da coragem
e logo se levantavam vozes contra o canídeo
ou contra mim por ousar ter um amigo tão portento
que ampliava para além da estulta imagem
dum deus de lata benzido por um desígnio

dei-lhe banho catei os parasitas e já no fim
untei-o com um produto insecticida
o Médor a tremer de estranho frio
logo se rebolou no pó e no capim
comeu dormiu tarde e pela noite tão aquecida
de tal sorte que a latir de novo não resistiu

estranhei que pela manhã ele não viesse
estava fraco vomitara até entranhas
o olhar que me deitou era já de despedidas
no regresso do patrulhamento temi que o perdesse
estava deitado inerte sobre formigas moscas e aranhas
a terra onde o deixei virou lama das lágrimas em mim vertidas


jrg

12
Mai11

ARRITMIAS !!!

romanesco

 

 

imagem tirada da net

 

 

{#emotions_dlg.bouquete}

 

quando te levo ao hospital
fico ali no adro imerso em estranha solidão
à espera que me chegue o teu sinal
que venceste o mal que enfraquece o coração
*
não penso em nada consistente
é um caos vazio um longo atroz espectro
um sobe e desce de emoção crescente
em cada palmo que percorro em cada metro
*
olho os rostos dentro dos corpos encolhidos
estremeço quando as vozes chamam
nos altifalantes cujos sons me soam já sumidos
os nomes de pessoas que não rimam
*
fazes-nos falta porque és a nossa matriarca
a última ou a primeira tanto faz
a que alimenta a minha natureza anarca
e amplia a dimensão da nossa paz
*
de súbito do alarido das vozes em surdina
o teu nome  como se de dentro de mim te extraíssem
seguido de familiar ou acompanhante
estremeço como se um impacto bélico d'arma divina
me abanasse e os orgãos auditores falissem
corro ao teu encontro destemido de amor amante
*
havia muita gente que sorria à tua volta
exímios nas técnicas de reanimação
quando o coração parte à rédea solta
e de repente pára à condição
*
deram-me um saco azul com teus pertences
e vi-te assim deitada desconfortável
teus olhos doces e o sorriso por onde vences
o desassossego do teu norte imutável
*
vai lá e trata bem do menino que delicia
já tão homem mas era infante quando o perdemos
naquela tempestade que então acontecia
há quanto tempo mãe inteira nele nos vivemos
*
adormeci a sonhar-te silêncio na enfermaria
tão serena no teu sono de menina
olhei a cama dos nossos corpos ainda vazia
a pensar que tudo começa onde termina
*
o sol irrompe na vertigem da atmosfera
a casa emerge dos silêncios abafada
a minha angústia é não saber que mais acontecera
a sentir a casa cheia da tua alma madrugada
*
toca o telefone no meu peito a emoção
estou velho atendo-o trôpego de mim apavorado
do outro lado a noticia da tua libertação
minha deusa tão tanto de ti eu sou apaixonado
*
jrg

07
Mai11

MARAVILHA!... SER AVÔ!!!

romanesco

 

foto net


{#emotions_dlg.xmastree}

que maravilha
ter sido avô de uma menina
sentir os braços em volta como anilha
que ajusta o carinho à voz tão cristalina

brincar entre sorrisos
de esconde apanha agarra ou foge
preso nos seus olhos tão precisos
na alegria que expande e neles refulge

vê-la crescer em harmonia
aplaudindo o arrojo na conquista
e pensar que pode ser um dia
alguém que ao amor não resista

soletrar o alfabeto
inventar nela poemas e cantigas
cantar os números à sombra dum Abeto
ganhar sabedoria nas formigas

passava os meus dias prazenteiro
desde manhã até à noite
a sentir que era nela o ser primeiro
sem outro abrigo onde m'acoite

quando o tempo parecia ter chegado
de me dedicar a escrever flor
e ao exercício de pensar amadurado
por ter vivido da vida a dor

eis que surge um menino inesperado
que apertou meu dedo ao nascer
e assim permanece a mim colado
ocupando o tempo escasso do meu ser

de novo o estranho recomeço
que é viver infâncias dentro da memória
em cada um deles os netos me aconteço
personagem absurda desta história

agora sou mais avô a tempo inteiro
de manhã as traquinices do menino
à tarde dose dupla caminheiro
quando da escola chega o feminino

o puto é um amor de rapazinho
alegremente festivo mas de escorpião
vemos os melros e no parque o baloicinho
é tudo dele em crescente afirmação

a bela é uma princesa fantasista
pelos caminhos virgens do pensamento
que surpreende cansada a minha vista
quando a sinto tão de mim momento

os dois quando juntos me disputam
avô a mim que sou primeiro
e eu sorrio debaixo deles enquanto lutam
a pensar que me falta a tinta no tinteiro

resta-me a noite e o fim de semana
mas tenho amigos com alma de ocupação
que força é esta que de mim emana
que me amplia o sonho e não desfaz a ilusão

e há ainda tanto que fazer
a casa o amor a gata o conhecimento
não fora tão caótico o meu saber
quisera eu ser no tempo cabimento

amigos amigas que amo de alma e pensamento
que me acarinham e me nos acontecem
entram por mim quando estou só por um momento
nesta maravilha de ser avô que os netos tecem

autor: jrg

 

06
Mai11

ESCRITOS À MARGEM DA GUERRA!...IV - FORNILHOS!!!

romanesco

 

foto tirada da net

PARA QUE A MEMÓRIA NÃO ESQUEÇA!

 


{#emotions_dlg.bouquete}


dei-lhe o nome de Samuel Dabó sem saber
negro um homem como nós
de baixa estatura mas enérgico
deram-lhe divisas de sargento como prémio a condizer
que não valiam nada assim tão sós
e deram-lhe um grupo de milícias multi étnico
que ele comandava com orgulho de valer

tinha mulheres e filhos ainda novo
pai mãe amigos talvez que o amassem
e tinha o brio de ser o chefe
do lado oposto da guerra do seu povo
dos que a ele comandavam se ousassem
ser a linha mais à frente da carniça o magarefe
que a herói aqui promovo

naquele dia de silêncios tão funesto
havia uma coluna de robustas viaturas
também conhecida por de reabastecimento
não era só de comida mas diverso o seu apresto
na frente dos carros uma linha que picava as estruturas
eram pretos da milícia com seu chefe de sargento
atentos à terra balofa nós outros fazíamos o resto

do outro extremo da via ainda madrugada
uma coluna pedestre pé ante pé a pica em riste
coração angustiado sobre a terra vermelha e seca
à espera dum estrondo de mina ou duma emboscada
iam deixando uns quantos na floresta que resiste
pormenores da segurança que acarreta
nervos de aço sangue frio arma aperrada

por fim deu-se o encontro na hora programada
antes que os mosquitos chupassem toda a água
que os corpos acalorados iam vertendo
trocaram-se saudações a picagem deu em nada
esquecido já o esforço e da distância a mágoa
no silêncio da floresta aves e macacos inquietos tecendo
sobre algo de estranho que os apavorava

os soldados montaram os carros sobre a carga
que dada a ordem de marcha se puseram em movimento
acenderam cigarros trocaram mimos e dichotes
de súbito tremenda explosão homens pelo ar na estrada larga
rastejando se tocando a disparar o medo atento
ainda estonteados disparavam às sortes

entre tiros de espingarda bazuca e morteiro
do outro lado da mata os sons pareciam cozedura
de máquina sobre humana a tecer
sob os gritos lancinantes do motorista rasteiro
as pernas desligadas dos joelhos em rotura
por frágeis tendões sustidas a gemer
"salvem-me quero conhecer o meu filho primeiro!.."

"não me deixem morrer...não me deixem morrer...
quero conhecer o meu filho...sabem...ele já nasceu
foi pedida a evacuação por helicóptero
como dizer-lhe?...não havia disponibilidade tanto sofrer
ou por medo da escuridão do dia que anoiteceu
morreu nos braços de alguém que tentou com esmero
fazê-lo acreditar que iria sobreviver

morreu também o Valente
não sei se por defesa descuidada ou pela prepotência
como tratava os seus homens com desprezo
"fecha o corte da palha..." proferia ao requerente
quando dele reclamavam a consciência
e as palavras que ouviam eram pedras de arremesso
um tiro na nuca puro "acidente..."

o cenário em todas as guerras tudo justifica
são danos chamados de colaterais
podia ser stress ou erro da fragilidade humana
a carne assim desfeita que nos personifica
abandonada aos abutres e chacais
para que medre a glória da gente insana
que são nesta aventura o mais que fica

reunida a tropa em nova "procissão"
era preciso picar de novo a via láctea ressequida
mas não havia quem tomasse a dianteira
nesta desgraça de ser povo e ser nação
os milícias apavorados recusavam a devida
e a tropa agonizava a derradeira
ainda nos tímpanos a retinir a explosão

se nós é que eramos os soldados!!!...
o chefe da milícia saltava como um macaco
de picas em punho...gritava..."milícia vai na frente!"
e empurrava-os para que fossem obrigados
com a força da alma ingénua que não guarda recato
"milícia vai na frente!" corta a alma de quem sente
dá o exemplo faz-se à estrada fica desfeito em bocados

uma nova explosão atroa o ar rarefeito
por certo a milícia já sabia estava vendida
Samuel Dabó o puritano que acalentava a esperança
de sair desta guerra talvez perfeito
ninguém recolheu um pedaço do seu corpo em terra ardida
não conta para a estatística desta andança
para uns traidor para os outros um sujeito

ninguém mais se atrevia a voluntário
os fornilhos são minas comandadas à distância
que as técnicas de picagem não detectavam
os comandantes procuravam um otário
que devolvesse a alma ao medo nesta discrepância
nos rostos acobreados a dúvida espelhavam
sitiados no mistério de que África é santuário

até que um soldado raso de Famalicão
munido da imagem de Fátima em fio de lata pendurado
rompeu da estagnação com ousadia
pegou no ferro da pica e arrastou com ele a "procissão"
confiante no amuleto o rosto desfigurado
e lentamente caminhando à revelia
de todo o pensamento que consubstancia a razão

à chegada da tropa endémica destroçada
o comandante perguntou espavorido
não pelos mortos ou pela depressão sentida
mas pela viatura que ficara abandonada
que serviria o efeito da vitória alheia mais temido
que humilhação de perder a própria vida
e logo outra expedição para o resgate foi convocada

esta cena aqui contada a sangue frio
pretende ser demonstrativa do terror em evidência
que promove qualquer guerra individual ou colectiva
sem que os mandantes acantonados no seu brio
sejam sujeitos à humana consciência
que condena a agressão pela defesa ofensiva
está feito Samuel Dabó que um dia me sorrio

autor: jrg

05
Mai11

ESCRITOS À MARGEM DA GUERRA!...III - A AVIONETA!!!...

romanesco

 

foto tirada da net

{#emotions_dlg.blueflower}

que fogo arrepiante de apenas sol é este
tórrido a veia latejando incandescente
na fronte onde renasce a dor
que me atrofia os neurónios tão agreste
sob o suor da testa saliente
a ouvir-me num zumbido de motor

acelera arrítmico o coração
atropela de  ansiedade o pensamento
os olhos fixos no horizonte
num ponto que cresce com  a  emoção
à vista do seu próprio crescimento
não há quem na parada não aponte

é a avioneta do correio vem de Bissau
a Dornier cabriolando mágica
como o zumbir dum voo atarantado de besouro
que nos me inunda (talvez traga a encomenda do cacau)
da alegria tantas vezes trágica
e nos acende a esperança do tesouro

lá vem cumprindo o ritual
que faço eu aqui absolutamente pasmado
dói-me o cérebro de onde me vejo
de tão longe que me apalpo a ver se sou real
tinha tomado um banho grado
na fonte das mocinhas em cortejo

todas as semanas como quem morre
na dor absurda de viver
chegam noticias do outro lado do mundo
passaram ao crivo da censura nobre
algumas perdem-se... que fazer
as que chegam tantas vezes já a nau foi ao fundo

ah se eu tivesse acreditado
sete anos entre Abril sessenta e sete
e Abril de setenta e quatro
que um homem nasce para ser reeditado
não conta a aventura em que se mete
ou se andou fugido de antro em antro

talvez tivesse desertado
pensei até na gruta fantástica da falésia
levar-me-ias um pouco de comer
faríamos amor escondidos no reverso do prazo dilatado
não fosse a cobardia ante a controvérsia
de tão imenso amor nos enlouquecer...

chamaram por mim...há quanto tempo
o sorriso malandro do escriba
um confortável maço de folhas por vários envelopes
e em cada um o teu cheiro portento
como quando brincávamos subindo a arriba
e eu atrás de ti no cio com que me cobres

levo as cartas e desando quero recato
como um cão agarrado com ternura ao osso
leio e releio com fervorosa ansiedade
cada palavra é um sussurro um fio de voz cordato
por onde fugir não posso
nem a coberto do vento que corre em liberdade

ah se eu quando anoitecer ousasse
montar esse vento que me toca e chama
quando todos os outros embrulhados no sono dormissem
e num tempo breve sobre o teu corpo acordasse
ouvir o teu riso ver o teu olhar que me reclama
para que a tua e minha alma se unissem

autor: jrg

02
Mai11

ABRIGO-ME !...

romanesco


abrigo-me na tua alma poesia
onde de amor me sustentas
não no teu corpo que me repudia
quando a ti própria afuguentas

abrigo-me na tua alma poderosa
frágil na dor que me tortura
ao suportar esta vida monstruosa
que tira do amor sua ternura

abrigo-me na tua alma secreta
faminto sequioso de esperança
não que me assuste a noite preta
mas sim este viver sem confiança

abrigo-me na tua alma nua
vestido de versos sob as estrelas
nos dias em que o poder da lua
me comprime as fontanelas

abrigo-me na tua alma adúltera
que se mistura doce no dueto
nada em mim de ti em ti se altera
quando um verso noutro meto

abrigo-me na tua alma sedutora
que me traz a paz e o amor
quando da minha emana criadora
a alma de poeta e sedutor


jrg

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