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BIOCRÓNICAS

CRIAR BIOGRAFIAS OU CRÓNICAS ROMANCEADAS DE PESSOAS OU EMPRESAS

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16
Abr11

ESCRITOS À MARGEM DA GUERRA!...II EM FILA INDIANA CONTRA A FOME!...

romanesco

 

 

 

foto tirada da net no blog VERDE GAIO fotos

 

 

 

ESCRITOS À MARGEM DA GUERRA...II
EM FILA INDIANA...CONTRA A FOME!...

(para Kalibo...com amor!...)
{#emotions_dlg.bouquete}

para quem não sabe ou ainda não sabia
esta fila de meninos tão ordeira
no silêncio que queimava a ansiedade
não era para ir à escola ganhar sabedoria
nem para ser figura duma brincadeira
onde os corpos nus ganhassem notoriedade

as latas na mão marmitas improvisadas
os olhares fixos no ente pró-seguinte
olhem bem são gente como nós confiantes
barrigas salientes tão de carências inchadas
olhos no chão como soa o ser pedinte
aguardam a partilha dos restos expectantes

para quem não sabe ou ainda não sabia
a guerra toda a guerra é um insulto à humanidade
a comida sendo farta era mal confeccionada
na divisão da rês ao soldado o que cabia
eram vísceras a gordura e sopa sem qualidade
os restos eram doados a troco de louça lavada

nesta fila tão tanto expressiva de crianças
que aguardam serenamente por restos de comida
há um esgar de esperança nos gestos da soldadesca
e promessas doutras trocas que se cruzam nas andanças
já de alma comprada pela barriga corrompida
prometem trazer galinha à noite por ser mais fresca

para quem não sabe ou ainda não sabia
há quem lute e desespere no meio de tanta indiferença
hoje como há mil anos sem pausa para descansar
ante a santa hipocrisia dos cristãos que lá havia
esta fila de crianças é de FOME reza a sentença
de COMIDA de PRAZER mas também do verbo AMAR

autor: jrg

16
Abr11

ESCRITOS À MARGEM DA GUERRA!...

romanesco

 

imagem tirada do blog VERDE GAIO FOTOS...crianças d'África

 

 

ao poeta amigo irmão Nuno Dempster


{#emotions_dlg.meeting}


vieste assim tão de súbito
do absurdo longínquo da guerra
ainda intacto
subversão atroz intuito
do pensamento que me aferra
dentro da alma compacto

por entre o ruído do gerador
o pensamento a descongelar
em palavras soltas sem critério
dizer...falar...era viver a nossa dor
ocultos no tempo quente a resgatar
da alma juvenil tanto mistério

sobre um tronco velho de mangueira
erigido em monte Parnaso
ouvidos no silêncio dos mosquitos
tu e eu subversivos de alma inteira
enquanto outros dormiam nos sonhos do regaço
discutíamos desta guerra seus propósitos

muito leve ténue quase nula a aragem
por onde as palavras se esvaiam e voltavam
famintas de se tocarem de tão longe
sem deus nem pátria ingénuas da coragem
com que as almas de nós dois se confortavam
motejando o feminismo do sargento Muge

eu falava apaixonado pelo comunismo
tu dos Gregos a lição filosófica do equilíbrio
a noite por testemunha da nossa dimensão
um povo só é livre se sair do comodismo
se regar com sangue o renascer do brio
que faz a grandeza e fortalece uma Nação

dizias e eu ripostava acalorado
que era tempo de mudar um tal conceito
o bom senso a paz e a justiça
que a tese do Marxismo era o primado
que trazia nova luz a cada peito
e liberdade a cada povo que a cobiça

ah como te rias da minha ingenuidade
os macacos saltavam das árvores assustados
o tempo tão parado à nossa espera
uma pausa falávamos de mulheres a ansiedade
os odores das memórias resgatados
e era longa a noite em cada noite que se esgueira

acredita eu não tinha qualquer certeza
esmiuçava de ti a sabedoria do conhecimento
como um sofista na escola Platónica
e foi assim que construi do medo esta frieza
que permite à alma sorrir cada momento
por um fenómeno de ligação à matéria iónica

ah meu amigo meu irmão
que bom teres voltado ao diálogo interrompido
agora que aprendi pelo teu entendimento
que o homem é a causa não sendo a solução
deste ruído que me soa a estampido
numa guerra milenar pelo ter sem cabimento

dancemos em volta da terrina com mistura
o tempo é ainda...tu sonhas? eu sonho! de sonhar
hoje não é de vinho gelo açúcar e cerveja
nem vamos beber até cair a alma de madura
hoje é de alegria a emoção de te achar
encho a terrina d'aço com groselha e dois brincos  de cereja...

autor : jrg

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