Sexta-feira, 08 de Agosto De 2008

NATÁLIA - ATÉ SEMPRE!...

  • É uma menina!

     Disseram as vozes, quase em uníssono, dos que esperavam há horas o resultado do parto. A enfermeira trouxe-me para que o meu pai me visse e , contaram-me depois, ele fez um gesto ,largo e tão perto, de repúdio de mim, ou dele porque eu era uma parte de dentro dele. Talvez tivesse sido concebida sem amor, forçada, violentada a gerar-me a nascer. Chamaram-me Natália.

    Cresci nos ambientes próprios de criança, fiz amigos, a Clarinha, a Odete, a Laura, o Pedro, o Fernandinho. Tantos que se esconderam no recôndito da memória.

    Terminado o liceu, sem recursos, voltáramos para junto da avó, um pouco longe da Cidade, porque o meu pai saiu de casa por amor de outra mulher.

    Lembro-me das férias na praia, dos amores de adolescente, inofensivos e de como sentia uma ânsia enorme de mudança, de procura. Eram todos lindos, os rapazes que me procuravam, e eu em busca de um, porque me diziam que deveria ser só um, que me enchesse os vazios que sentia, que me ardiam o peito, as vísceras, a alma...

     

    Rio Homem

    autor:Nuno Milheiro

     

    Arranjei trabalho numa livraria da cidade. Era um trabalho giro e contactava com muita gente que enchia a livraria no inicio do ano escolar. Mas eu queria estudar mais. Ter um curso superior era um objectivo que se fixava para dentro e de dentro de mim.

    Inscrevi-me em Engenharia. Eu amava a matemática e tudo o que fosse de calcular, medir resistências, empoleirar-me em saliências, nas ruas, no parque da cidade, me entusiasmava, me excedia.Tive a minha primeira relação de sexo com o Pedro. Lembro-me dele, corado, arfante de também ele satisfazer pela primeira vez a curiosidade, o membro dele hirto a encher em balão a braguilha da calça justa. Eu gulosa dele, não o nego, a sorrir de o ver desajeitado a tentar introduzir-se em mim, que ainda não tirara as cuecas. Foi agradável, sentir o jacto dele inundar-me, quente, palpitante. Mas tive prazeres maiores, mais tarde, já adulta, meio adulta.Trabalhava e estudava e os anos iam passando, eufórica, eu, de mim, triste e alegre quase em simultâneo. Triste nos momentos de mim, que cresci sem a referência do meu pai. Agora guardava as imagens de violência sobre a mãe e eu própria. O choro da mãe. A minha mami.Que me protegia com o seu corpo frágil e dócil. Odeio o meu pai. É um ódio que foi crescendo de mim, que me provoca instabilidade emocional. E penso como eu precisava de um pai. Um amante, um marido, que fosse ao mesmo tempo como um pai, que se cruzasse como um rio. Que me amasse, sentir-me amada. Que me protegesse de mim, da minha instabilidade congénita.Formei-me em Engenharia Civil. Guardo as festa académicas. Os EFERREÁ. As bojecas, as amizades que perduram.Casei e tive uma menina como eu. Linda como eu.  Ser mãe, um sonho adiado há tanto que quase deseperava. O meu marido desiludiu-me. Tive amantes. Bastei-me de sexo mas não de amor. Alguém que me amasse a alma. Que me olhasse para o interior de mim. Que olhasse os meus olhos tristes e  me descodificasse.
Podia ser o inicio de uma história de vida romanceada, a envolver negócios, empresas de estilo familiar que ainda são o sustentáculo do país. E a tragédia que os apanha desprevenidos e vai condicionar toda a estrutura familiar futura. Ou o êxito de empreendimentos pessoais, conquistados e construídos  a pulso.

É o que me proponho. Escrever sobre vidas anónimas que valem as luzes da ribalta ou a fixação histórica e que traduzem a essência de um povo. Primeiro de uma família. Primeiro ainda, ou antes de tudo, a essência de um homem, de uma mulher.

Escreverei por encomenda, preços de acordo com extensão e pesquisa de documentação. Mas com a paixão que o percurso proposto me suscitar.

Aguardo a vossa proposta.

 

J.R.G. 

sinto-me: Comunicante
música: Bolero de Ravel
publicado por romanesco às 21:56
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Quarta-feira, 23 de Julho De 2008

A LUÍS SIMÕES, TRANSPORTES E LOGISTICA

Leonel Simões era cabo quarteleiro e tinha à sua responsabilidade todo o armamento e munições que estava consignado à Companhia.

Era oriundo de uma família batalhadora que se dedicava ao transporte de mercadorias e entregas diversas. Um negócio que ia pagando as despesas e permitia uma vida despreocupada mas sem grandes desafogos. A Luis Simões transportes.

A guerra retirara a sua preciosa colaboração à pequena empresa onde o pai era a alma e o corpo que a fazia ímpar no ramo.

Leonel era um jovem empreendedor. Tinha ideias que germinavam como cogumelos em mata húmida. Na guerra, onde o calor e a humidade levavam a maioria à cantina, Luís magicava oportunidades.

Verificou que os militares gostavam de tirar fotografias, mas que, tendo máquinas, tendo motivos, não tinham como as revelar, tornar reais, passiveis de testemunhar as suas realidades e ou fantasias.

Leonel montou um pequeno e rudimentar laboratório para revelação de fotografias e fez dinheiro enquanto  a maioria se espraiava pelas sombras do ócio.

Quando regressou, a casa, encontrou a velha empresa em dificuldades com a concorrência emergente, dadas as condições que entretanto se abriram à criação de negócios, pela abertura politica que o antigo regime, renovado, permitia, ainda que dentro dos parâmetros das velhas famílias dominantes da economia.

Leonel obteve o acordo do pai e dos irmãos e lançou mãos à modernização da empresa, da frota, dos objectivos estratégicos. Colocar em prática tudo o que pensara nos dias e nas noites longe, onde o calor e a humidade uniam forças, ele manteve as ideias em zona temperada para que fluíssem. E fluíram.

Mas podia ter sido o Luís Simões, ou o Jorge Simões, os ideólogos estratégicos que

transformaram a Luís Simões numa das maiores empresas de distribuição e logística da Península Ibérica.

....

Podia ser o inicio de uma história de vida romanceada, a envolver negócios, empresas de estilo familiar que ainda são o sustentáculo do país.

É o que me proponho. Escrever sobre vidas anónimas que valem as luzes da ribalta ou a fixação histórica e que traduzem a essência de um povo. Primeiro de uma família. Primeiro ainda, ou antes de tudo, a essência de um homem, de uma mulher.

Escreverei por encomenda, preços de acordo com extensão e pesquisa de documentação.. Mas com a paixão que o percurso proposto me suscitar.

Aguardo propostas.

 

sinto-me: Inspirado
música: batuque africano
publicado por romanesco às 11:10
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Terça-feira, 22 de Julho De 2008

A MINHA HISTÓRIA PODIA SER ASSIM !...

Fim do dia, já as sombras da noite se fazem sentir na folhagem das árvores agitadas pelo chilreio dos pássaros que se acomodam.

Júlia, 25 anos, aspecto ainda jovem, bonita, não fora aquela mancha no rosto, na face direita, que a marcara para sempre e lhe traçara o destino.

Começara a sua actividade sexual ainda cedo. Não tinha a certeza, onze doze anos, na escola e com um primo que era uma pouco mais velho e com quem mantinha amizade feita de cumplicidades e saídas nocturnas desaprovadas pelos pais.

Quando aos quinze apareceu em casa dizendo que estava grávida de dois meses, a mãe, na cozinha, pegou na panela com água a ferver e atirou-lha.  Não cegou por acaso, o movimento brusco que fizera evitara a água mesmo no limite do olho, mas perdeu a criança e perdeu o sonho dos sonhos que sonhara.

Há dez anos que se prostituía na estrada, sujeita a ser mal tratada, embora tivesse um tipo que passava de hora a hora para lhe guardar o corpo, dizia ele e recolher  a percentagem.

Quando não havia percentagem, maltratava-a física e psicológicamente. Mas era este último que a feria mais.

-Como queres ter clientes com essa cara de monstro? Puta, puta, puta.

As palavras a martelar, a martelar. Não era a animalidade dos clientes, as porcarias que inventavam e eles porcos, cheirando a mijo e esperma ressequido. A violência das entradas no seu cu, rasgando, ferindo sem dó. Ou agarrando-a pelos cabelos e batendo com as coxas no seu rosto enquanto os chupava, mecanicamente...

Eram as palavras. Sim, as palavras doíam, entranhavam-se-lhe no corpo dorido. ultrapassavam a dor das feridas e afirmavam-se perenes e plenas de violência.

Mudar de vida!... Como?

Naquele dia acordou e sentiu-se de uma forma estranha, leve, como se adejasse sobre si própria em êxtases de um outro ser, seu , desconhecido até então, ou simplesmente adormecido. Sonhou, ou sonhava. Havia um plano à sua frente como nunca ousara ver.

Inscrever-se na escola e completar o secundário de uma forma acelerada. Inscrever-se num curso de formação profissional e alugar um quarto noutro lugar, longe dos sítios que frequentara. Não vender mais o seu corpo. Enquanto tivesse a alma, era possivel Renascer de novo. Conquistar-se de novo. Erguer um império de si

...

 

Podia ser o inicio de uma história de vida romanceada, a envolver negócios, empresas de estilo familiar que ainda são o sustentáculo do país. E a tragédia que os apanha desprevenidos e vai condicionar toda a estrutura familiar futura.

É o que me proponho. Escrever sobre vidas anónimas que valem as luzes da ribalta ou a fixação histórica e que traduzem a essência de um povo. Primeiro de uma família. Primeiro ainda, ou antes de tudo, a essência de um homem, de uma mulher.

Escreverei por encomenda, preços de acordo com extensão e pesquisa de documentação. Mas com a paixão que o percurso proposto me suscitar.

Aguardo propostas.

sinto-me: construtivo
música: No Largo do Breu
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Segunda-feira, 21 de Julho De 2008

A SUA HISTÓRIA PODIA SER ASSIM!...

Texto de apresentação:

 

Carolina, 35 anos, bela, dinâmica, empresária, dirigia uma média empresa subsidiária de uma outra de tradições familiares que era dirigida por Carlos Andrade, o marido com quem casara de amor profundo, fazia agora 15 anos, com altos e baixos nos humores que o próprio negócio por vezes provocava, mas amantes fieis dos seus corpos e das sua almas.

Da ligação tiveram uma menina que era a esperança e a luz de toda a sua interioridade.

Desdobravam-se nas atenções, nos melhores cuidados, em disputa com as actividades das empresas que permitiam o estilo de vida confortável.

Um dia a menina, tão linda, tão inteligente, tão desinibida, apareceu em casa com aspecto de quem consumira drogas.

Carolina tentou que ela, Mafalda, a luz da sua vida, se retratasse, lhe desvendasse os problemas, o que a levara ao consumo.

Mafalda remeteu-se ao silêncio. Que não era nada. Que a mãe estaria a fazer um filme.

Carolina envolvida na empresa. Crise e  estratégia. Carlos Andrade, defensor acérrimo do negócio dos avós. Um sucesso que pedia a sua atenção total. À noite mal via a menina, Mafalda, um fruto de amor e verdade de si, homem...
 
Podia ser o inicio de uma história de vida romanceada, a envolver negócios, empresas de estilo familiar que ainda são o sustentáculo do país. E a tragédia que os apanha desprevenidos e vai condicionar toda a estrutura familiar futura.

É o que me proponho. Escrever sobre vidas anónimas que valem as luzes da ribalta ou a fixação histórica e que traduzem a essência de um povo. Primeiro de uma família. Primeiro ainda, ou antes de tudo, a essência de um homem, de uma mulher.

Escreverei por encomenda, preços de acordo com extensão e pesquisa de documentação.. Mas com a paixão que o percurso proposto me suscitar.

Aguardo propostas.

sinto-me: Inspirado
música: Era um redondo vocábulo
publicado por romanesco às 11:43
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