Segunda-feira, 25 de Junho De 2012

MAIS POVO E MENOS LIXO...








imagem pública tirada da net

**

MAIS POVO E MENOS LIXO

***

nada mais é de verdade

depois de tanta mentira

vivemos da caridade

daquele que mais nos tira

*

alguém pode acreditar

que um povo faça riqueza

sabendo que lha vão roubar

com insensível dureza?

*

somos um povo bastardo

perdido da nossa origem

varremos os bons a petardo

a ver se os maus nos corrigem

*

corre pelo mundo uma história

de portugas amansados

por astutos sem memória

que escondem verdade aos roubados

*

passados novecentos anos

de revoltas sobram mitos

Maria da Fonte fez danos

e Bordalo criou manguitos

*

saem ufanos atrás da tropa

ou quando nada mais resta

iniciativa própria puf! que droga...

se a tomam é para a festa

*

não penso que seja o fado

a melancólica canção

que traz um povo cansado

sem alma nem dimensão

*

fomos celtas árabes marranos

galegos de religião e touradas

futebol e outros enredos humanos

com nervuras adulteradas

*

à força quase empurrados

passam a sábios doutores

corrompidos pelo ter aprisionados

voltaram a ser pastores

*

pelo meio ficam protestos

gritos de indignação

roubos de estado grotescos

a soldo da constituição

*

um povo assim tão rude obsoleto

já não se usa em sociedade

ainda que encapado em douto lhe falta o repto

que todo o ser livre faz à liberdade

*

se ao menos o tempo parasse

a tempo de tudo inverter

dando tempo a que surgisse

uma ideia a defender

*

fica a fama ultra-liberal

de ser povo gastador

quem construiu Portugal

foi coelho o caçador

*

somos um povo castrado

por anos de servidão

a procurar sempre do lado

contrário ao coração

*

querem-nos normalizados

aptos para exportação

achamos graça coitados

haja quem nos dê a mão

*

que fazer perante tal tragédia

sem alma não há movimento

triste drama o da comédia

que nos corta o pensamento

*

não há tempo para a glória

de sermos um povo amestrado

que evita o confronto da história

por impotência sagrado

*

há gente que pensa diferente

até pelo mundo inteiro

ser Português é ser gente

ouçam quem sente primeiro

*

de palavra na lapela

razão ao peito por entendimento

nem pátria nem capela

livre luz ao puro pensamento

*

se para tal for preciso

façamos sem rodeios a revolução

paramos Portugal com um sorriso

de corpo e alma livres da prisão

*

libertemos as crianças do marasmo

de serem o oásis no deserto

um povo que não ri morre de pasmo

um novo humanismo está por perto

*

deste povo nem posso não ser

por isso me inquieto

planto flores na esperança de nascer

a alma feminina que poeto

*

autor: jrg




sinto-me:
música: por esse rio acima--Fausto
publicado por romanesco às 23:34
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Domingo, 19 de Junho De 2011

O PAÍS ONDE EU NASCI !...

O PAÍS ONDE EU NASCI
«««//»»»
*
o país onde eu nasci e habito
tem um clima saudável
ainda que um povo bem triste
sempre queixoso do árbitro
gente humilde tão prestável
que à pobreza resiste
fazendo do pobre erudito
*
o país onde eu nasci e sou vivente
tem o mar por horizonte
serras e vales deslumbrantes
um povo inteligente
mesquinho se lhe vão à fonte
iroso com os farsantes
amigo de quem na alma o sente
*
o país onde eu nasci em crescendo
tem elites medíocres
educadores sem brio nem ambição
sabem de tudo não conhecendo
são da eficácia predadores
promulgam o caos como evasão
são seres absolutos não sendo
*
o país onde eu nasci e sou pensante
tem uma história um destino
se humildemente reconhecer seus valores
se almejar de si próprio ser amante
desbravar na consciência o feminino
que é o criador dos seus amores
talvez se continue e vá avante
*
o país onde eu nasci e me feneço
tem a liberdade limitada ao capital
gente que vive entre o desespero e a esperança
se penso assim é porque não esmoreço
ainda que o abismo pareça ser fatal
renasço em cada sorriso duma criança
faço por ser aquele que não pareço
*
o país onde eu nasci e sou amante
é velho anquilosado e sem vergonha
paga a quem copia a vida quase de graça
promulga a criação como aviltante
quando alguém propõe erradicar toda peçonha
agarra que é ladrão se a nossa sorte traça
no baixio da maré sendo vazante
*
o país onde nasci e vou em breve morrer
de mal dizer é protestante e laico
embrulhado numa história de invertidos valores
amotinado quando se trata de fazer
ergue-se das ruínas do mesmo modo prosaico
com que se humilha perante seus tutores
só me resta já olhar d'além o que vai acontecer
*
autor jrg
sinto-me: do lado de fora do tempo
música: Mafalda Veiga
publicado por romanesco às 21:39
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