Domingo, 15 de Maio De 2011

ESCRITOS À MARGEM DA GUERRA!...O BÁSICO!!!

 

foto tirada de Verde gaio fotos-lancha de transporte-Guiné Bessau

 


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que fazíamos nós eu ali
descendo o rio indolente acobreado
por entre margens verdes luxuriantes
na lancha com homens embrulhados em peles de javali
rodeados de viaturas e material bélico acomodado
pensamentos sem pátria  navegantes

o Manel na base da hierarquia
eu básico?! ...pá...eu sou padeiro
dizia com a boca aberta desdentada
o brio que o aproximava perto da fasquia
de não ser de todo inútil prazenteiro
medonho não fora o sorriso na boca amedrontada

do interior da mata se quisessem
poderiam colocar na lancha uma granada
de nada valendo o olhar atento dos fuzileiros
quantos de nós se salvariam se pudessem
navegar o sangue vertido na lancha escaqueirada
ao som da gritaria e dos morteiros

melhor ser positivo se tal nunca acontecera
o ar rarefeito pelo sol abrasador
comprimia as veias que produzem pensamento
quando chegamos ao local entardecera
crianças velhos de bengala à espera do dador
um peso era a moeda pedinchada vil tormento

a terra era amarela encarniçada
tão longe do verde esperançoso dos jardins
cães famintos esqueléticos de olhar triste
nem brisa leve na aragem quente que gelava
nem o cheiro galvanizante dos jasmins
terra inóspita conquistada que nos resiste

a noite restabeleceu o silêncio expectante
nuvens de mosquitos ofuscavam nas lâmpadas toda a luz
imiscuíam-se na comida até à boca
num festim surreal sobre a pele suada escaldante
a sossegar-nos dos medos que a coragem produz
intermediários sem leis sugam o sangue que nos sufoca

há um cheiro que se instala pestilento
nos poros da pele que inalam a atmosfera
dizem que é da terra dos fenos que é catinga
é um cheiro antigo a amadurecimento
que torna África sempre o princípio de nova era
assim a vida com a morte não se extinga

jrg

sinto-me:
música: batuque Africano...pilão
publicado por romanesco às 15:33
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Sábado, 14 de Maio De 2011

ESCRITOS À MARGEM DA GUERRA,,,M É D O R !!!

 

foto tirada da net

 

 

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era amarelo como a terra
só osso sobre o pelo escorrido
e olhos que espelhavam doce tristeza
o rabo entre pernas medo à guerra
a colar-se todo a mim enternecido
à espera dum gesto meu por subtileza

o rancho tinha gordura bastante
nem eu nem outros o tragavam
Médor mal o cheirou comeu gulosamente
elogo a pele se distendeu num só instante
o rabo ganhou forças aos micróbios que o matavam
e até latiu saltou e me lambeu contente

se o prendesse ficava o dia inteiro
latindo uivando à espera que eu chegasse
seria abatido por alguém mais insolente
assim ia comigo nas patrulhas caminheiro
no rasto dos meus pés minha catarse
sem perturbar da guerra o silêncio envolvente

ficámos íntimos nesta aventura de sobreviver
ele engordando me devolvia com ternura
a responsabilidade em que nele me ensaiava
mas à noite gania sem pudor doce gemer
talvez pulga ou carraça sorvendo na nervura
ou um germe de doença que o tomava

no silêncio a ganideira era um tormento
impedia o medo de descansar dentro da coragem
e logo se levantavam vozes contra o canídeo
ou contra mim por ousar ter um amigo tão portento
que ampliava para além da estulta imagem
dum deus de lata benzido por um desígnio

dei-lhe banho catei os parasitas e já no fim
untei-o com um produto insecticida
o Médor a tremer de estranho frio
logo se rebolou no pó e no capim
comeu dormiu tarde e pela noite tão aquecida
de tal sorte que a latir de novo não resistiu

estranhei que pela manhã ele não viesse
estava fraco vomitara até entranhas
o olhar que me deitou era já de despedidas
no regresso do patrulhamento temi que o perdesse
estava deitado inerte sobre formigas moscas e aranhas
a terra onde o deixei virou lama das lágrimas em mim vertidas


jrg

sinto-me: enternecido
música: Papuça - Zeca Afonso
publicado por romanesco às 15:12
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Sexta-feira, 06 de Maio De 2011

ESCRITOS À MARGEM DA GUERRA!...IV - FORNILHOS!!!

 

foto tirada da net

PARA QUE A MEMÓRIA NÃO ESQUEÇA!

 


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dei-lhe o nome de Samuel Dabó sem saber
negro um homem como nós
de baixa estatura mas enérgico
deram-lhe divisas de sargento como prémio a condizer
que não valiam nada assim tão sós
e deram-lhe um grupo de milícias multi étnico
que ele comandava com orgulho de valer

tinha mulheres e filhos ainda novo
pai mãe amigos talvez que o amassem
e tinha o brio de ser o chefe
do lado oposto da guerra do seu povo
dos que a ele comandavam se ousassem
ser a linha mais à frente da carniça o magarefe
que a herói aqui promovo

naquele dia de silêncios tão funesto
havia uma coluna de robustas viaturas
também conhecida por de reabastecimento
não era só de comida mas diverso o seu apresto
na frente dos carros uma linha que picava as estruturas
eram pretos da milícia com seu chefe de sargento
atentos à terra balofa nós outros fazíamos o resto

do outro extremo da via ainda madrugada
uma coluna pedestre pé ante pé a pica em riste
coração angustiado sobre a terra vermelha e seca
à espera dum estrondo de mina ou duma emboscada
iam deixando uns quantos na floresta que resiste
pormenores da segurança que acarreta
nervos de aço sangue frio arma aperrada

por fim deu-se o encontro na hora programada
antes que os mosquitos chupassem toda a água
que os corpos acalorados iam vertendo
trocaram-se saudações a picagem deu em nada
esquecido já o esforço e da distância a mágoa
no silêncio da floresta aves e macacos inquietos tecendo
sobre algo de estranho que os apavorava

os soldados montaram os carros sobre a carga
que dada a ordem de marcha se puseram em movimento
acenderam cigarros trocaram mimos e dichotes
de súbito tremenda explosão homens pelo ar na estrada larga
rastejando se tocando a disparar o medo atento
ainda estonteados disparavam às sortes

entre tiros de espingarda bazuca e morteiro
do outro lado da mata os sons pareciam cozedura
de máquina sobre humana a tecer
sob os gritos lancinantes do motorista rasteiro
as pernas desligadas dos joelhos em rotura
por frágeis tendões sustidas a gemer
"salvem-me quero conhecer o meu filho primeiro!.."

"não me deixem morrer...não me deixem morrer...
quero conhecer o meu filho...sabem...ele já nasceu
foi pedida a evacuação por helicóptero
como dizer-lhe?...não havia disponibilidade tanto sofrer
ou por medo da escuridão do dia que anoiteceu
morreu nos braços de alguém que tentou com esmero
fazê-lo acreditar que iria sobreviver

morreu também o Valente
não sei se por defesa descuidada ou pela prepotência
como tratava os seus homens com desprezo
"fecha o corte da palha..." proferia ao requerente
quando dele reclamavam a consciência
e as palavras que ouviam eram pedras de arremesso
um tiro na nuca puro "acidente..."

o cenário em todas as guerras tudo justifica
são danos chamados de colaterais
podia ser stress ou erro da fragilidade humana
a carne assim desfeita que nos personifica
abandonada aos abutres e chacais
para que medre a glória da gente insana
que são nesta aventura o mais que fica

reunida a tropa em nova "procissão"
era preciso picar de novo a via láctea ressequida
mas não havia quem tomasse a dianteira
nesta desgraça de ser povo e ser nação
os milícias apavorados recusavam a devida
e a tropa agonizava a derradeira
ainda nos tímpanos a retinir a explosão

se nós é que eramos os soldados!!!...
o chefe da milícia saltava como um macaco
de picas em punho...gritava..."milícia vai na frente!"
e empurrava-os para que fossem obrigados
com a força da alma ingénua que não guarda recato
"milícia vai na frente!" corta a alma de quem sente
dá o exemplo faz-se à estrada fica desfeito em bocados

uma nova explosão atroa o ar rarefeito
por certo a milícia já sabia estava vendida
Samuel Dabó o puritano que acalentava a esperança
de sair desta guerra talvez perfeito
ninguém recolheu um pedaço do seu corpo em terra ardida
não conta para a estatística desta andança
para uns traidor para os outros um sujeito

ninguém mais se atrevia a voluntário
os fornilhos são minas comandadas à distância
que as técnicas de picagem não detectavam
os comandantes procuravam um otário
que devolvesse a alma ao medo nesta discrepância
nos rostos acobreados a dúvida espelhavam
sitiados no mistério de que África é santuário

até que um soldado raso de Famalicão
munido da imagem de Fátima em fio de lata pendurado
rompeu da estagnação com ousadia
pegou no ferro da pica e arrastou com ele a "procissão"
confiante no amuleto o rosto desfigurado
e lentamente caminhando à revelia
de todo o pensamento que consubstancia a razão

à chegada da tropa endémica destroçada
o comandante perguntou espavorido
não pelos mortos ou pela depressão sentida
mas pela viatura que ficara abandonada
que serviria o efeito da vitória alheia mais temido
que humilhação de perder a própria vida
e logo outra expedição para o resgate foi convocada

esta cena aqui contada a sangue frio
pretende ser demonstrativa do terror em evidência
que promove qualquer guerra individual ou colectiva
sem que os mandantes acantonados no seu brio
sejam sujeitos à humana consciência
que condena a agressão pela defesa ofensiva
está feito Samuel Dabó que um dia me sorrio

autor: jrg

sinto-me: com memória
música: batuque Africano
publicado por romanesco às 01:50
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Quinta-feira, 05 de Maio De 2011

ESCRITOS À MARGEM DA GUERRA!...III - A AVIONETA!!!...

 

foto tirada da net

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que fogo arrepiante de apenas sol é este
tórrido a veia latejando incandescente
na fronte onde renasce a dor
que me atrofia os neurónios tão agreste
sob o suor da testa saliente
a ouvir-me num zumbido de motor

acelera arrítmico o coração
atropela de  ansiedade o pensamento
os olhos fixos no horizonte
num ponto que cresce com  a  emoção
à vista do seu próprio crescimento
não há quem na parada não aponte

é a avioneta do correio vem de Bissau
a Dornier cabriolando mágica
como o zumbir dum voo atarantado de besouro
que nos me inunda (talvez traga a encomenda do cacau)
da alegria tantas vezes trágica
e nos acende a esperança do tesouro

lá vem cumprindo o ritual
que faço eu aqui absolutamente pasmado
dói-me o cérebro de onde me vejo
de tão longe que me apalpo a ver se sou real
tinha tomado um banho grado
na fonte das mocinhas em cortejo

todas as semanas como quem morre
na dor absurda de viver
chegam noticias do outro lado do mundo
passaram ao crivo da censura nobre
algumas perdem-se... que fazer
as que chegam tantas vezes já a nau foi ao fundo

ah se eu tivesse acreditado
sete anos entre Abril sessenta e sete
e Abril de setenta e quatro
que um homem nasce para ser reeditado
não conta a aventura em que se mete
ou se andou fugido de antro em antro

talvez tivesse desertado
pensei até na gruta fantástica da falésia
levar-me-ias um pouco de comer
faríamos amor escondidos no reverso do prazo dilatado
não fosse a cobardia ante a controvérsia
de tão imenso amor nos enlouquecer...

chamaram por mim...há quanto tempo
o sorriso malandro do escriba
um confortável maço de folhas por vários envelopes
e em cada um o teu cheiro portento
como quando brincávamos subindo a arriba
e eu atrás de ti no cio com que me cobres

levo as cartas e desando quero recato
como um cão agarrado com ternura ao osso
leio e releio com fervorosa ansiedade
cada palavra é um sussurro um fio de voz cordato
por onde fugir não posso
nem a coberto do vento que corre em liberdade

ah se eu quando anoitecer ousasse
montar esse vento que me toca e chama
quando todos os outros embrulhados no sono dormissem
e num tempo breve sobre o teu corpo acordasse
ouvir o teu riso ver o teu olhar que me reclama
para que a tua e minha alma se unissem

autor: jrg

sinto-me: memória
música: batuque Africano
publicado por romanesco às 01:21
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Quinta-feira, 21 de Abril De 2011

PARABÉNS NUNO DEMPSTER..por K3!!!...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Parabéns Nuno Dempster

 

 

***

K3 é uma narrativa épica

uma evidência do homem amesquinhado

Um poema contra a intransigência

é um poema com alma dentro d’alma poética

que sublima o equilibrio postulado

e se apega como lapa à nossa consciência

 

K3 é poesia do amor e da esperança

ainda que a morte desta seja no homem subjacente

Porque é poesia das entranhas visceral

regurgita memórias da memória fantasias de criança

na unidade do homem com o seu inconsciente

traz no acontecido um apelo à mudança Universal

 

 

K3 é em cada verso cantante uma epopeia

dum povo ingénuo e subserviente a estulta sina

 que aprofunda a alma da nossa dimensão

de sermos capazes de tecer fora honrosa a teia

sendo no nosso seio quem mais se omina

por onde jorra o sangue inútil em dispersão

 

K3 são cinquenta e seis páginas dum poema

onde se diz da alma inteira Lusitana

são vinte e cinco minutos de leitura emotiva

no fim solta-se do algoz a torpe algema

e nasce por magia um povo novo da alma insana

onde mergulhara a esperança ainda viva

 

K3 ah se fosse lido por um milhão

nem por mais nem por menos a tanto monta

dez por cento de gente iluminada

não já pelo canto que exacerba a grei na ilusão

tão pouco pela elegia  que nos condena quando nos afronta

mas pela descoberta do valor de nós em ele achada

 

K3 é um bote face ao galeão de Homero

como os Lusíadas foi salvo do naufrágio aqui pela memória

sendo um poema da alma humana toda inteira

onde não falta a beleza feminina dita com dúctil esmero

nem a morte que reforma a nossa história

sequer o rumo inverso que nos toma a dianteira

 

K3 por fim agora é uma exortação à alma Portuguesa

é um poema que inspira a alma na mudança

uma leitura necessária para que a paz não se esmoreça

que varre do horizonte o estigma da tristeza

e nos incita a não temer dar vida à nova esperança

que o poeta quer que o mundo não esqueça

 

autor: jrg

sinto-me: encantado
música: Heróicas
publicado por romanesco às 02:00
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Sábado, 16 de Abril De 2011

ESCRITOS À MARGEM DA GUERRA!...II EM FILA INDIANA CONTRA A FOME!...

 

 

 

foto tirada da net no blog VERDE GAIO fotos

 

 

 

ESCRITOS À MARGEM DA GUERRA...II
EM FILA INDIANA...CONTRA A FOME!...

(para Kalibo...com amor!...)
{#emotions_dlg.bouquete}

para quem não sabe ou ainda não sabia
esta fila de meninos tão ordeira
no silêncio que queimava a ansiedade
não era para ir à escola ganhar sabedoria
nem para ser figura duma brincadeira
onde os corpos nus ganhassem notoriedade

as latas na mão marmitas improvisadas
os olhares fixos no ente pró-seguinte
olhem bem são gente como nós confiantes
barrigas salientes tão de carências inchadas
olhos no chão como soa o ser pedinte
aguardam a partilha dos restos expectantes

para quem não sabe ou ainda não sabia
a guerra toda a guerra é um insulto à humanidade
a comida sendo farta era mal confeccionada
na divisão da rês ao soldado o que cabia
eram vísceras a gordura e sopa sem qualidade
os restos eram doados a troco de louça lavada

nesta fila tão tanto expressiva de crianças
que aguardam serenamente por restos de comida
há um esgar de esperança nos gestos da soldadesca
e promessas doutras trocas que se cruzam nas andanças
já de alma comprada pela barriga corrompida
prometem trazer galinha à noite por ser mais fresca

para quem não sabe ou ainda não sabia
há quem lute e desespere no meio de tanta indiferença
hoje como há mil anos sem pausa para descansar
ante a santa hipocrisia dos cristãos que lá havia
esta fila de crianças é de FOME reza a sentença
de COMIDA de PRAZER mas também do verbo AMAR

autor: jrg

sinto-me: agoniado
música: batuque e canticos Africanos
publicado por romanesco às 17:57
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ESCRITOS À MARGEM DA GUERRA!...

 

imagem tirada do blog VERDE GAIO FOTOS...crianças d'África

 

 

ao poeta amigo irmão Nuno Dempster


{#emotions_dlg.meeting}


vieste assim tão de súbito
do absurdo longínquo da guerra
ainda intacto
subversão atroz intuito
do pensamento que me aferra
dentro da alma compacto

por entre o ruído do gerador
o pensamento a descongelar
em palavras soltas sem critério
dizer...falar...era viver a nossa dor
ocultos no tempo quente a resgatar
da alma juvenil tanto mistério

sobre um tronco velho de mangueira
erigido em monte Parnaso
ouvidos no silêncio dos mosquitos
tu e eu subversivos de alma inteira
enquanto outros dormiam nos sonhos do regaço
discutíamos desta guerra seus propósitos

muito leve ténue quase nula a aragem
por onde as palavras se esvaiam e voltavam
famintas de se tocarem de tão longe
sem deus nem pátria ingénuas da coragem
com que as almas de nós dois se confortavam
motejando o feminismo do sargento Muge

eu falava apaixonado pelo comunismo
tu dos Gregos a lição filosófica do equilíbrio
a noite por testemunha da nossa dimensão
um povo só é livre se sair do comodismo
se regar com sangue o renascer do brio
que faz a grandeza e fortalece uma Nação

dizias e eu ripostava acalorado
que era tempo de mudar um tal conceito
o bom senso a paz e a justiça
que a tese do Marxismo era o primado
que trazia nova luz a cada peito
e liberdade a cada povo que a cobiça

ah como te rias da minha ingenuidade
os macacos saltavam das árvores assustados
o tempo tão parado à nossa espera
uma pausa falávamos de mulheres a ansiedade
os odores das memórias resgatados
e era longa a noite em cada noite que se esgueira

acredita eu não tinha qualquer certeza
esmiuçava de ti a sabedoria do conhecimento
como um sofista na escola Platónica
e foi assim que construi do medo esta frieza
que permite à alma sorrir cada momento
por um fenómeno de ligação à matéria iónica

ah meu amigo meu irmão
que bom teres voltado ao diálogo interrompido
agora que aprendi pelo teu entendimento
que o homem é a causa não sendo a solução
deste ruído que me soa a estampido
numa guerra milenar pelo ter sem cabimento

dancemos em volta da terrina com mistura
o tempo é ainda...tu sonhas? eu sonho! de sonhar
hoje não é de vinho gelo açúcar e cerveja
nem vamos beber até cair a alma de madura
hoje é de alegria a emoção de te achar
encho a terrina d'aço com groselha e dois brincos  de cereja...

autor : jrg

sinto-me: emocionado
música: 5ª sinfonia
publicado por romanesco às 02:08
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