Domingo, 29 de Julho De 2012

TODAS AS MANHÃS

 

imagem pública tirada da net

*

TODAS AS MANHÃS
**
todas as manhãs
ao acordar
primeiro a refeição do dia
o cheiro das maçãs
o sonho ainda intacto a vacilar
o pensamento em poesia
*
depois a azáfama o ritual
o banho a imagem
o sorriso ao espelho a disfarçar
o toque d'alegria visual
a magia das palavras a coragem
de me desassossegar
*
gosto de tudo em que me faço
e fiz-me de tanta coisa
de amor mágoa sorte ou azar
tantas vezes o estilhaço
transforma a dor que mata e poisa
onde me dói a gozar
*
sou fruto maduro de mulher
feito de sangue e fel
nem raiva nem ódio mas indignado
pelo domínio da matéria sobre o ser
um frémito de não ser à flor da pele
faz-me andar quando parado
*
todas as manhãs digo bom dia
à morte acocorada
e faço a vida romper pela negra esperança
nem deus nem pátria sou de fantasia
abraço o medo lavo a tristeza envergonhada
recuso ser mais que uma criança
*
por isso me rio da intempérie
feita de gente medonha
que se diverte à espreita da minha morte
se masturbando em série
enquanto a alma de poeta sonha
saltar sobre o abismo à sorte
*
todas as manhãs viaja o pensamento
seguindo as leis da natureza
despoluo o mar ateio fogo à consciência
liberto das grilhetas o vento
a terra resplandece ao sol sua beleza
não há tempo de parar a sonolência
*
fogo!!!faço as palavras resistirem
numa união de facto
com a virtude do belo amanhecer
cobardes as palavras que fugirem
por uma nesga ou hiato
antes da liberdade acontecer

autor: jrg

sinto-me: amanhecer
música: Operetas
publicado por romanesco às 21:59
link do post | comentar | ver comentários (6) | favorito
Sábado, 25 de Dezembro De 2010

AMO O TEMPO QUE FAZ

 

 

quando o vento sopra de sudoeste
dizia o meu avô de olhos semicerrados
é tempestade o mar se torna agreste
faíscam raios soam trovões amedrontados

*

na rua pessoas correm desnorteadas
dizem palavras obscenas do tempo que faz
seja vento chuva ou sol abençoadas
são as que vivem do tempo serenidade paz

*

uns amam o sol tórrido estorricante
na praia os corpos desnudos a água parada
outros adoram a invernia exaltante
mar cavernoso inundações a terra amassada

*

há os que se deliciam triste Outono
árvores despidas da folhagem envelhecida
e os que vibram na Primavera ozono
clima cheio de doce amor paixão apetecida

*

se tempo fosse afim da humana consciência
se repartisse em lotes climatizados
ainda assim haveria a atroz impaciência
por desejos que amiúde são trocados

*

habituei-me a saudar embrulhado n'alegria
qualquer que seja o clima anunciado
sou eu que opero em mim constante a magia
de amar no tempo o acaso esperançado

*

digo bons dias ao sol esplendoroso
boa tarde vento frio e à chuva fascinante
boa noite ao cosmos negro vaporoso
no desejo de ser de todos os tempos amante

 

jrg

música: hino à alegria
publicado por romanesco às 14:55
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quarta-feira, 01 de Dezembro De 2010

LUA RUBRA SEM PUDOR

 

imagem fotográfica da autoria de: ESMI BAÚTO

 

LUA RUBRA SEM PUDOR


vermelho lunar
a paixão
os teus olhos amar
a emoção

***

e deste mote enfrento o clarão
a chama o fogo a negritude
a lua vermelha de amor paixão
momento sublime quietude

**

vejo a sensivel alma da artista
o súbito olhar que a cobiça
estremece o corpo apura a vista
na lua em fogo onde se fixa

**

sinto nela uma emoção explosiva
apaixonada no silêncio grita
lá dentro da alma onde se aviva
a chama do amor que a agita

**

embrulhadas na noite doce manto
estrelas sorriem cintilantes
à alma bela que quebrou encanto
abrindo segredos aos amantes

**

doravante lua e sol apaixonados
sinónimo de homem de mulher
serão na noite escura sublimados
sempre que alma pura quiser

**

autor do poema:jrg

sinto-me: sensibilidade
música: 5ª Sinfonia Bethoven
publicado por romanesco às 22:05
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Terça-feira, 16 de Novembro De 2010

A EXPULSÃO DO MEDO

 

 

 

hoje entramos na casa da solidão
homens e mulheres de olhos ausentes
meninos meninas que brincam quietos
são aspectos da vida em contra-mão
existências sem alma sobreviventes
aspiram amor que os tornem despertos

mulheres vencidas pela violência
desatados os nós efémeros da relação
deambulam em círculos de indiferença
à espera sem norte duma evidência
duma magia no limite da sua razão
levamos amor esperança e luz intensa

homens soberbos tolhidos de medos
desemprego a doença sonhos desfeitos
omitem insuficiências culpam a sorte
cansados da orgia guardam segredos
longe do mundo sofrendo os efeitos
levamos amor a luz a estrela do norte

meninos meninas de olhar diferente
nascidos de amores tão mal acarinhados
já não inventam jogos senis brinquedos
por todo o mundo são o mar de gente
que alimenta hipócritas despudorados
levamos amor sorrisos espantamos medos

um instante longo milhões de amores
um alarido sem fim suave e doce aurora
cessou denso mistério toda a melancolia
homens mulheres e crianças de flores
vencido o estigma indo o medo embora
de amor vestidos por pétalas de poesia

autor: jrg
sinto-me: com força
música: Bolero de Ravel
publicado por romanesco às 01:54
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 06 de Outubro De 2010

HÁ UM PERFIL DA EXISTÊNCIA e OUTRO DA ESSÊNCIA...

 

trabalho de Alexandra Mesquita


 

existe em todas as coisas
nos actos nas palavras e nas pessoas
como numa moeda as duas faces
nos objectos estáticos onde os olhos poisas
nas frases floreadas onde te ressoas
mas é no rosto que se evidenciam as nuances

se a obra de arte em espelho simplifica
mais que um olhar atento à realidade
a amplitude do gesto a expressão
o lado direito e o esquerdo que mistifica
a unidade do ser ao centro de ser verdade
por mais que se pinte a alma o coração

visto de frente o rosto meigo bondoso
como uma flor de que não vimos o inverso
do lado esquerdo o perfil concordante
mas se o direito ao sorrir for tenebroso
a extremidade dos lábios o vinco adverso
é porque a alma ferida está agonizante

que linda beldade ali vai diz alguém
os olhos recortados nas pálpebras sombrias
os lábios carregados de vermelho
mas quando fala ou sorri muda também
se eram falsas na alma as alegrias
se as atitudes careciam de estudo ou aparelho

o que me fascina na obra da artista
mais que a teia onde encaixa e mede a amplitude
é o sentir na alma dela esta evidência
nas pessoas não há forma de ocultar que resista
à expansão do carácter na atitude
seja qual for a medição da aparência


autor:jrg

 

sinto-me: a existir
música: Chuva - Marisa
publicado por romanesco às 23:42
link do post | comentar | favorito
Domingo, 19 de Setembro De 2010

ABISMOS DA POESIA

poetas são loucos finos
inventam a fantasia
guerreiros inda meninos
abismos da poesia

poetisa de alma sensível
em verso cheio de luz
qual militar sendo cível
lança poemas seduz

cantam de musas amores
sonham imortalidade
poetisas sábios rumores
no ventre da verdade

trago um cálice de vinho
para a orgia da ceia
não quero rimar sozinho
antes preso a tua teia

poetas são anjos desgraça
travam rixas graciosas
não escolhem arma ou praça
calam musas preciosas

que fazer perante a poesia
se a alma sente e gera
palavras agri-doce maresia
amores do corpo à espera

quem na humildade se esmera
e na poetisa se arrima
tem alma poética e pondera
sublima-la em obra prima

Autor: J.R.G.



sinto-me: poético
música: Mozart
publicado por romanesco às 22:37
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 07 de Setembro De 2010

APETECE...

o que apetece
é gritar...
a nossa imperfeição
a soberba
a ganância sem freio
a estulticia
a mentira servil
o segredo
o silêncio forjado

o que apetece
é sorrir
quando nos atropelam
quando nos humilham
quando nos descartam
quando nos prendem
quando nos julgam
se nos omitem
se nos afrontam

o que apetece
é amar
as irregularidades do corpo
as plantas
as flores
as almas amigas
as montanhas
os rios os mares
os animais todos

o que apetece
é viver
simples como a formiga
simples como o vagabundo
simples como o sol
simples como o vento
simples como o fogo
ou a água que escorre
ou a terra que gira

o que apetece
é dizer
não à sórdida riqueza
não à luxúria
não à inveja à gula
não à cobiça
não à fome de saber
não aos preconceitos
não a todos os poderes

o que apetece
é cantar
sempre no silêncio
sempre no medo
sempre no nó da angústia
sempre no degredo
sempre no desespero
sempre que a alma fuja
sempre que o corpo enlouqueça

o que apetece
é olhar
com sentido de entender
com conhecimento
com humildade de aprender
com o gosto de interpretar
com o prazer do belo
sem filtros perversos
sem condenar

autor: JRG

sinto-me: desperto
música: Zeca Afonso
publicado por romanesco às 00:05
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quarta-feira, 10 de Março De 2010

PAQUETÁ - A EPOPEIA...

A Ilha bela pura e mítica

Onde os poetas anseiam a musa sibilina

Lugar de culto da ideia idílica

Onde a poesia me chama eterna feminina

 

Em cada esquina há um poema que espreita

A brisa mansa que ondula a sombra

Reflexo deslumbrante de folhas de palmeira

Em cada rua seja larga ou estreita

Há um tapete de versos em estrofes na penumbra

Que o sol no ocaso projecta à nossa beira

 

 A sensualidade do corpo estendido na rede que balança

A poetisa soletra sílabas para versos de soneto

A alma transparente como se fora uma criança

Os lábios em surdina sensuais na doçura do dueto

 

Tão perto que me cheira a poesia

O mar azul-marinho a água cristalina

Por entre o verde luxuriante do arvoredo

Ouvem-se sons de odes etérea sinfonia

O marulhar das ondas a vida submarina

A lírica que canta do amor o seu enredo

 

 Vivia aquela gente boa na paz do seu recanto

Longe de pensar tesouro tão evidente

Mantendo em seu reduto a alma num quebranto

Até que a poesia lhes abanou a mente

 

Na ilha da poesia a Paquetá

Há versos que se soltam do bico das aves

E rimas consonantes na harmonia

Poetas que suspiram livres de etiqueta

Cheiros da sudação da alma em euforia

Rimando na maresia sem entraves

 

Vista de longe o casario como eu a vejo

Paquetá pode até parecer uma utopia

Que renasce esplendorosa em cada beijo

Quando o poeta a abraça na alma e rodopia

 

No dégradè das cores encarniçadas

Que o sol projecta quando cai sobre o  poente

Há um prenúncio de amor em primazia

E pode ler-se a epopeia das almas empenhadas

Que vão fazer de Paquetá a ilha de quem sente

A Paquetá lugar de culto à poesia

 

Autor: JRG

 

sinto-me: Poético
música: lago dos cisnes
publicado por romanesco às 03:11
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

MULHER LIVRE

 

Como é possível no mundo haver

 Olhos belos tanta tristeza

Apenas por ser uma mulher

E tida por de maior fraqueza

 

Quando vejo os olhos dela

Que rutilam sorridentes

Senhora de saberes tão bela

Lanço gritos estridentes

 

É mãe mulher amante

E livre no pensamento e ser

Não há homem por mais tratante

Que não lhe deva viver

 

Quando vejo os olhos dela

Entre estrelas cintilantes

De natureza tão bela

Seus perfumes fascinantes

 

Que vileza cobardia nela bater

Violentá-la no eu na mente

Todo o homem que se ri do seu sofrer

É um aborto gorado má semente

 

 

 

Quando vejo os olhos dela

Doces lânguidos meigos de ternura

Mal posso imaginar que sendo bela

Seja vítima de maus tratos de tortura

 

Que lentidão para reconhecer

Sua dinâmica e força superior

Quanto tempo pode durar para viver

Na era da mulher plena a seu favor

 

Quando vejo os olhos dela,

Na luz do sorriso, radiantes

Exorto a criadora pura e bela

A aproximar os mundos tão distantes

 

Que absurdo este legislar

Sobre direitos absolutos naturais

Nada pode impedir uma mulher de dar

Educação e sentido aos homens colossais

 

Quando vejo os olhos dela

Azuis ou verdes pretos castanhos

Ou de outras cores que a fazem bela

Incito-a a libertar-se de medos estranhos

 

Que toda a mulher se permita a ousadia

De ser o rosto sonhado da justiça

Não só cantada em versos de dúctil poesia

Mas tida em conta como mais valia ética

***

Quando vejo os olhos dela

Febris de amor ou sofrimento

Fico suspenso de saber se de tão bela

É agora chegado o seu momento

 autor: JRG

 

sinto-me: viva o ser livre
música: Bolero de Ravel
publicado por romanesco às 00:36
link do post | comentar | favorito
Domingo, 07 de Março De 2010

MEDO...

 

 

 

 

 

 

aqui estou eu postado

sentinela avançada do meu medo

vestindo a personagem do soldado

numa guerra que me dita este degredo

 

vêm de longe do homem a quatro patas

todo o saber acumulado é-me indiferente

o homem antes de ainda andar de gatas

não era esta máscara que hoje nos mente

 

moldamos o carácter procura inglória da perfeição

desde as origens o homem crescendo meio razão meio selvagem

por muito que lhe adocem com ternura o coração

se sente a ameaça é na barbárie vítima e carrasco da  voragem

 

autor:JRG

 

sinto-me: introspectivo
música: Bolero de Ravel
publicado por romanesco às 17:39
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim

pesquisar

 

Fevereiro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28

últ. comentários

  • Obrigada, meu amigo... acredite que estou a fazer ...
  • Um abraço também amiga, hoje é seu dia de ser meni...
  • Olá Rosa Fogo, minha amiga...que admiro desde que ...
  • Olá Nelson Moniz...lindo comentário, amigo, que am...
  • meu amigoli alguns poemas e passei uns bons moment...
  • Um abraço grande e fraterno para si!
  • Lindíssimo poema. Parabéns!A infância é eterna em ...
  • Boa tarde minha querida amiga poetaporkedeusquer.....
  • Boa tarde querida amiga Fernanda Cardoso...leio en...
  • Fabuloso poema, amigo João R. Gonçalves! Fabuloso!...

mais comentados

links

subscrever feeds

blogs SAPO


Universidade de Aveiro