Sábado, 25 de Dezembro De 2010

AMO O TEMPO QUE FAZ

 

 

quando o vento sopra de sudoeste
dizia o meu avô de olhos semicerrados
é tempestade o mar se torna agreste
faíscam raios soam trovões amedrontados

*

na rua pessoas correm desnorteadas
dizem palavras obscenas do tempo que faz
seja vento chuva ou sol abençoadas
são as que vivem do tempo serenidade paz

*

uns amam o sol tórrido estorricante
na praia os corpos desnudos a água parada
outros adoram a invernia exaltante
mar cavernoso inundações a terra amassada

*

há os que se deliciam triste Outono
árvores despidas da folhagem envelhecida
e os que vibram na Primavera ozono
clima cheio de doce amor paixão apetecida

*

se tempo fosse afim da humana consciência
se repartisse em lotes climatizados
ainda assim haveria a atroz impaciência
por desejos que amiúde são trocados

*

habituei-me a saudar embrulhado n'alegria
qualquer que seja o clima anunciado
sou eu que opero em mim constante a magia
de amar no tempo o acaso esperançado

*

digo bons dias ao sol esplendoroso
boa tarde vento frio e à chuva fascinante
boa noite ao cosmos negro vaporoso
no desejo de ser de todos os tempos amante

 

jrg

música: hino à alegria
publicado por romanesco às 14:55
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Terça-feira, 16 de Novembro De 2010

A EXPULSÃO DO MEDO

 

 

 

hoje entramos na casa da solidão
homens e mulheres de olhos ausentes
meninos meninas que brincam quietos
são aspectos da vida em contra-mão
existências sem alma sobreviventes
aspiram amor que os tornem despertos

mulheres vencidas pela violência
desatados os nós efémeros da relação
deambulam em círculos de indiferença
à espera sem norte duma evidência
duma magia no limite da sua razão
levamos amor esperança e luz intensa

homens soberbos tolhidos de medos
desemprego a doença sonhos desfeitos
omitem insuficiências culpam a sorte
cansados da orgia guardam segredos
longe do mundo sofrendo os efeitos
levamos amor a luz a estrela do norte

meninos meninas de olhar diferente
nascidos de amores tão mal acarinhados
já não inventam jogos senis brinquedos
por todo o mundo são o mar de gente
que alimenta hipócritas despudorados
levamos amor sorrisos espantamos medos

um instante longo milhões de amores
um alarido sem fim suave e doce aurora
cessou denso mistério toda a melancolia
homens mulheres e crianças de flores
vencido o estigma indo o medo embora
de amor vestidos por pétalas de poesia

autor: jrg
sinto-me: com força
música: Bolero de Ravel
publicado por romanesco às 01:54
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Segunda-feira, 24 de Maio De 2010

O NOIVO E ALBA...o pintor e o poeta

 


 


O noivo figura típica de Lisboa


O Alba imagem erradia de Braga


Subindo a calçada do Carmo


O pintor


Calcorreando ruas e tabernas


Filósofo da poesia que encontra nas pessoas


A barba hirsuta sorriso afável


O poeta


Os basbaques no chiado gritavam


Lá vai o maluco de fraque


E rosa vermelha fresca na lapela


É pintor


Houve até uma mulher


Jovem ainda que se apaixonou pelo vagabundo


E quis recuperar a poesia


É o poeta


Blasfemava obscenidades


Os olhos chispavam de ira ante a risota


Passada firme subia o chiado


Louco pintor


Fazia versos doces piropos


E um sorriso por entre os pelos queimados


Morreu atropelado sem apelo


Era poeta


Deixou de aparecer de repente


Também as vendedeiras de violetas


O chiado ensandeceu sem cor


Era pintor



Autor: JRG

sinto-me:
música: requiem for dreams
publicado por romanesco às 22:17
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Sexta-feira, 02 de Abril De 2010

M Ã E ...

 

imagem da net

 

 

 

Mãe... 

 

em cada mulher que amo estás presente

há em cada uma um pouco de tua virtude

sendo universal criadora a que me sente

desde o romper do óvulo até à infinitude

  

Mãe...

  

és a mais bela e do meu ser fiel amante

deste-me tanto e eu tão pouco ainda tento

ser no orgulho de ti amor amor bastante

na alegria de viveres feliz sem sofrimento

 

Mãe...

  

mãe há quanto tempo não dizia que te amo

foi para isso talvez que criaram este teu dia

dizer-te que estás em mim quando te chamo

é ser em ti poema da mais bela poesia...

 

autor: jrg

 

Apresento, como sugestão de prenda para o dia da mãe, um poema personalizado, com três estrofes de quatro versos, encimado por uma imagem da mãe, impresso em papel conquereur de 100 gramas, com moldura a gosto do ofertante. Aceito encomendas de poemas.

sinto-me: útil
música: Bolero de Ravel
publicado por romanesco às 19:48
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Sábado, 26 de Dezembro De 2009

ASPECTOS DA VIDA DE UM HOMEM...

PARTE III
 
 
O Paulo, a Mila e a restante família que eles são, convivem amiúde e resolvem programar uma viagem em conjunto à África do Sul, só os quatro, sem os miúdos, o que não agrada muito a Ana, deixar os filhos...mas deixa-se entusiasmar com a ideia, cedendo aos argumentos de Paulo, o ambiente inóspito para os miúdos, a maior mobilidade a que poderiam permitir-se.
Paulo gosta particularmente de África, de Itália, Grécia, fica eufórico com a possibilidade de realizar esse sonho e confia plenamente na planificação de Maria Emília, do seu conhecimento profundo dos cheiros e sabores enigmáticos que rodeiam o continente negro.
Paulo Jorge tem um livro que é seu companheiro inseparável, um tesouro da alma, onde rabisca desenhos, de pessoas, de monumentos… e regista apontamentos emotivos ou de aspectos salientes das viagens, é o seu livro de memórias pictográficas que partilha com outros intervenientes, a quem pede que desenhem, que escrevam palavras que expressem sentimentos, como uma marca de água da alma. Sente um orgulho exuberante do seu livro. Ele chama rabiscos ao que Mila considera manifestações da sua veia artística. É um facto que Paulo intimamente reconhece que gosta das palavras dela, da forma como ela sente a valia dos seus desenhos, do calor que ela imprime na apreciação das suas qualidades de homem e de amigo e pensa que um homem não pode nem deve isolar-se que a vida humana, como nos outros animais entre si, tem pessoas extraordinárias, de uma riqueza espiritual que se complementa na partilha de gestos, de emoções, de vivências.
Mila é uma mulher com essa riqueza de emoções raramente encontrada em outras amizades que tivera. Discute, muitas vezes os pormenores menos visíveis, se não concorda e entende a amizade como ele próprio, uma busca incessante de ser em alguém um espelho fora da dimensão do casal, um espelho desapaixonadamente apaixonante. É uma situação complexa e difícil de aceitar, sem uma ponta de ciúme, por outra mulher e ele nota que Ana sempre que participa nos eventos que organizam, as degustações, em restaurantes que escolhem pela qualidade dos produtos e do serviço que prestam, se retrai, se interroga, e que por vezes se silencia, se ausenta a pretexto dos filhos. E por mais de uma vez ao surpreende-lo, os olhos fixos numa imagem, um corpo de mulher, vistosa, o questionou.
É verdade que tem um fascínio pelo belo e pensa que a mulher, quando bela, é um ser fascinante, na exuberância dos gestos, na pose natural, na forma como fala, na expansão que provoca de ressonâncias silenciosas, a sua evidência feminina que pode muito bem ser considerada origem e fim de toda a criação. Arte, pura arte, é como Paulo encara essa absorção súbita e contemplativa em que cai, por espaços de tempo, numa pausa suspensa de atracções fortuitas, livres do caos libidinoso em que mergulha a mente no comum dos mortais. Mas O Paulo, sendo, não é um homem comum…
Desde novo rebelara-se contra os preconceitos existentes na sociedade em que se inseria, detestava ser subserviente de vivências absurdas e procurava rodear-se de essências que o complementavam ou lhe permitissem a extrapolação de si para um patamar existencial onde ele fosse o actor principal, sem soberbas, mas porque se sentia impulsionado para ser o autor do seu modo de viver, engajado nele próprio, cúmplice nas perdas e nos ganhos. Mila tem sido grande impulsionadora para que se reveja nas suas complexidades, nem sempre racionalizadas nas suas convicções.
Ana. É um facto que a paixão dos primeiros momentos não tem a mesma chama, mas Paulo tem por Ana uma grande ternura e admiração, aceita o sendo que uma relação é, consubstanciada em amor, ternura, amizade e respeito pela identidade, pela mudança. A alteração dos cheiros do corpo, também no dele, se não for entendida que há como que uma mutação permanente em tudo do corpo, a fisionomia, a graciosidade da juventude, porque é na alma que subsiste a diferença e na memória que se revitaliza a substância de uma relação de amor, o estado da alma, o acordar dos genes em cada manhã.
A construção da pessoa, da sua personalidade, a sua essência é geradora de mudanças inevitáveis, perceber isso, redimensionar-se a cada etapa, a cada desassossego. Às vezes pensa em bigamia, poligamia, alma livre e responsável, uma revolução dos conceitos, o refrescar da chama a cada abrandamento do sentir do coração. Retrocede, refugia-se na prática já milenar do hábito sobre o casamento, a fidelidade ao juramento nupcial, a lealdade aos princípios do berço, mas não esconde que gosta de discutir o tema, de se aprofundar.
O amor é anormalmente possessivo, o meu marido…, a minha mulher… E Paulo sente a necessidade de, num espaço solitário de si, extrapolar-se no lado de lá da família, isolar-se e olhá-los dentro e fora de si próprio: Ana, os filhos, Diogo, tão inteligente, tão parecido com ele, orgulhoso de se rever em alguns dos aspectos do filho e Inês, definitivamente a mais bela de todas as mulheres que vira ou fixara até então. Ele perante ele e sente que é um homem íntegro.
A amizade é um outro enigma da alma, Paulo sabe dos interesses de amizades sem princípios, de circunstância, de fuga a respostas urgentes e imediatas. Conhece bem essas amizades sempre presentes na alegria, na abundância e que se auto-suspendem perante a urgência dum desprendimento de interesse próprio, de se empenharem na resolução do problema, hoje eu, manhã tu, ou sempre eu que sou a parte mais frágil, ou sempre tu, sem contagem de quantos favores, sem considerar isso de favores, ser na amizade do outro, ao outro, uma evidência da alma, da condição humana. A amizade que perdura para além da discórdia, que afronta as nossas convicções que nos faz regressar à terra sempre que alunamos e ao lado de quem nos sentimos maravilhosamente, ainda que distantes no espaço físico, ainda que nos silêncios que transmitem emanações de confiança. Amizade solta, forte e profunda, mas livre de preconceitos, de todos os preconceitos, cúmplice de intimidades, de segredos partilhados na sã convicção de que são reflexivos, os segredos,  e se enovelam uns nos outros apenas com a intenção de nos amedrontar.
A viagem à África do Sul foi fascinante, um deleite na riqueza exuberante das paisagens, nos cheiros ímpares, nos sabores experimentados e reconhecidos como de excepção e no fortalecimento da concepção de que há algo de mágico naquele ambiente enigmático, nos sorrisos das pessoas, os olhos negros, brilhantes e indecisos ou interrogativos.
Paulo gravou, com o seu punho, impressões fantásticas no livro de registos, onde se revê num qualquer ressurgimento de um espaço de saudade e colheu preciosidades, desenhos, frases com e sobre motivos étnicos, rabiscapintarolados por si próprio e pelos naturais Africanos. Um sonho embebido de realidade.
África, que era já uma paixão que o tomava no seu imaginário, aprofundava-se nele, agora, numa ligação mais intimista com a ancestralidade do homem, como se fora nela, desde as origens.
O livro, aliás, é já um testemunho da sua própria vivência erradia, é o local mais livre em que ele, Paulo se encontra consigo e se transcende.
expressem sentimentos, como uma marca de água da alma. Sente um orgulho exuberante do seu livro. Ele chama rabiscos ao que Mila considera manifestações da sua veia artística. É um facto que Paulo intimamente reconhece que gosta das palavras dela, da forma como ela sente a valia dos seus desenhos, do calor que ela imprime na apreciação das suas qualidades de homem e de amigo e pensa que um homem não pode nem deve isolar-se que a vida humana, como nos outros animais entre si, tem pessoas extraordinárias, de uma riqueza espiritual que se complementa na partilha de gestos, de emoções, de vivências.
Mila é uma mulher com essa riqueza de emoções raramente encontrada em outras amizades que tivera. Discute, muitas vezes os pormenores menos visíveis, se não concorda e entende a amizade como ele próprio, uma busca incessante de ser em alguém um espelho fora da dimensão do casal, um espelho desapaixonadamente apaixonante. É uma situação complexa e difícil de aceitar, sem uma ponta de ciúme, por outra mulher e ele nota que Ana sempre que participa nos eventos que organizam, as degustações, em restaurantes que escolhem pela qualidade dos produtos e do serviço que prestam, se retrai, se interroga, e que por vezes se silencia, se ausenta a pretexto dos filhos. E por mais de uma vez ao surpreende-lo, os olhos fixos numa imagem, um corpo de mulher, vistosa, o questionou.
É verdade que tem um fascínio pelo belo e pensa que a mulher, quando bela, é um ser fascinante, na exuberância dos gestos, na pose natural, na forma como fala, na expansão que provoca de ressonâncias silenciosas, a sua evidência feminina que pode muito bem ser considerada origem e fim de toda a criação. Arte, pura arte, é como Paulo encara essa absorção súbita e contemplativa em que cai, por espaços de tempo, numa pausa suspensa de atracções fortuitas, livres do caos libidinoso em que mergulha a mente no comum dos mortais. Mas O Paulo, sendo, não é um homem comum…
Desde novo rebelara-se contra os preconceitos existentes na sociedade em que se inseria, detestava ser subserviente de vivências absurdas e procurava rodear-se de essências que o complementavam ou lhe permitissem a extrapolação de si para um patamar existencial onde ele fosse o actor principal, sem soberbas, mas porque se sentia impulsionado para ser o autor do seu modo de viver, engajado nele próprio, cúmplice nas perdas e nos ganhos. Mila tem sido grande impulsionadora para que se reveja nas suas complexidades, nem sempre racionalizadas nas suas convicções.
Ana. É um facto que a paixão dos primeiros momentos não tem a mesma chama, mas Paulo tem por Ana uma grande ternura e admiração, aceita o sendo que uma relação é, consubstanciada em amor, ternura, amizade e respeito pela identidade, pela mudança. A alteração dos cheiros do corpo, também no dele, se não for entendida que há como que uma mutação permanente em tudo do corpo, a fisionomia, a graciosidade da juventude, porque é na alma que subsiste a diferença e na memória que se revitaliza a substância de uma relação de amor, o estado da alma, o acordar dos genes em cada manhã.
A construção da pessoa, da sua personalidade, a sua essência é geradora de mudanças inevitáveis, perceber isso, redimensionar-se a cada etapa, a cada desassossego. Às vezes pensa em bigamia, poligamia, alma livre e responsável, uma revolução dos conceitos, o refrescar da chama a cada abrandamento do sentir do coração. Retrocede, refugia-se na prática já milenar do hábito sobre o casamento, a fidelidade ao juramento nupcial, a lealdade aos princípios do berço, mas não esconde que gosta de discutir o tema, de se aprofundar.
O amor é anormalmente possessivo, o meu marido…, a minha mulher… E Paulo sente a necessidade de, num espaço solitário de si, extrapolar-se no lado de lá da família, isolar-se e olhá-los dentro e fora de si próprio: Ana, os filhos, Diogo, tão inteligente, tão parecido com ele, orgulhoso de se rever em alguns dos aspectos do filho e Inês, definitivamente a mais bela de todas as mulheres que vira ou fixara até então. Ele perante ele e sente que é um homem íntegro.
A amizade é um outro enigma da alma, Paulo sabe dos interesses de amizades sem princípios, de circunstância, de fuga a respostas urgentes e imediatas. Conhece bem essas amizades sempre presentes na alegria, na abundância e que se auto-suspendem perante a urgência dum desprendimento de interesse próprio, de se empenharem na resolução do problema, hoje eu, manhã tu, ou sempre eu que sou a parte mais frágil, ou sempre tu, sem contagem de quantos favores, sem considerar isso de favores, ser na amizade do outro, ao outro, uma evidência da alma, da condição humana. A amizade que perdura para além da discórdia, que afronta as nossas convicções que nos faz regressar à terra sempre que alunamos e ao lado de quem nos sentimos maravilhosamente, ainda que distantes no espaço físico, ainda que nos silêncios que transmitem emanações de confiança. Amizade solta, forte e profunda, mas livre de preconceitos, de todos os preconceitos, cúmplice de intimidades, de segredos partilhados na sã convicção de que são reflexivos, os segredos,  e se enovelam uns nos outros apenas com a intenção de nos amedrontar.
A viagem à África do Sul foi fascinante, um deleite na riqueza exuberante das paisagens, nos cheiros ímpares, nos sabores experimentados e reconhecidos como de excepção e no fortalecimento da concepção de que há algo de mágico naquele ambiente enigmático, nos sorrisos das pessoas, os olhos negros, brilhantes e indecisos ou interrogativos.
Paulo gravou, com o seu punho, impressões fantásticas no livro de registos, onde se revê num qualquer ressurgimento de um espaço de saudade e colheu preciosidades, desenhos, frases com e sobre motivos étnicos, rabiscapintarolados por si próprio e pelos naturais Africanos. Um sonho embebido de realidade.
África, que era já uma paixão que o tomava no seu imaginário, aprofundava-se nele, agora, numa ligação mais intimista com a ancestralidade do homem, como se fora nela, desde as origens.
O livro, aliás, é já um testemunho da sua própria vivência erradia, é o local mais livre em que ele, Paulo se encontra consigo e se transcende.

 

 

autor do texto: J:R:G

 

nota:

este é um capítulo dum pequeno livro, formato A/5, 32 páginas, que criei sob encomenda, fixando aspectos da vida de um homem e as teias que entrelaçam a amizade e consubstanciam um modo de viver.

Foi uma oferta de Natal, mas pode ser uma oferta de aniversário, de amor, de amizade, aguardo os vossos contactos.

o autor: jrg

sinto-me: conseguido
música: A Barca da Fantasia. Teresa Salgueiro
publicado por romanesco às 14:25
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Sábado, 21 de Novembro De 2009

MEMÓRIAS DO HOMEM...

lembro há milénios

quando chovia

a festa dos neurónios

as cores da floresta a euforia

 

lembro de olharmos o sol a lua

o céu estrelado

de a alma vaguear toda nua

da sesta após o repasto regalado

 

lembro os cheiros do Planeta

as queimadas naturais

a plumagem colorida das aves o cometa

que deixava um rasto mágico vendavais

 

lembro quando éramos

do belo a cercadura

escolhíamos pelo aroma não erramos

a fêmea que no cio nos emoldura

 

lembro de observar outras espécies

quando a cada uma cabia o seu lugar

como faziam ponte túneis face às intempéries

e se digladiavam pelo pão em luta salutar

 

lembro de aprender que humildade

se for fraqueza subserviente

é escravatura do homem rude pelo da cidade

e não traz a quem serve maior riqueza

 

lembro a descoberta

que o homem fez da razão pura

ao ver-se na solidão de alma aberta

e de como se achou na actual loucura

 

autor: JRG

sinto-me: reflexivo
música: Danúbio Azul
publicado por romanesco às 15:43
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Quinta-feira, 05 de Novembro De 2009

NAS AVENIDAS DA CIDADE

 

foto tirada da net

 

 

nas avenidas da cidade ruidosas

de um e outro lado prédios gigantes

num dos passeios árvores de porte majestosas

no outro mulheres e homens crianças  passantes

 

nas árvores de copas frondosas

quando o sol se esconde emana a sinfonia

milhares de bicos se ajeitam nas ramas ardilosas

soltam pios estridentes doce harmonia

 

na noite prolongam o dia  à luz dos candeeiros

alguns pios são de dor outros de alegria

na nossa alma plantam talvez prazenteiros

excitações que antes a noite denegria

 

no ruído dos veículos pelo asfalto da avenida

encadeados pela luz dos faróis potentes

a chilreada sobe de tom em forma aguerrida

como quem pede silêncio em diálogos ausentes

 

no alto da cidade mora tanta gente

e aves que nidificam na copa das árvores

que fazem amor e filhos que os alimente

na perpetuação da espécie em seus amores

 

numa pausa de motores um velho e uma criança

ouves psiuuu...é o canto dos passarinhos

ouço avô eu já te disse que é ainda tempo de esperança

enquanto houver espaço para todos em seus ninhos

 

autor: JRG

sinto-me: confiante
música: pássaro de fogo
publicado por romanesco às 23:41
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Sábado, 24 de Outubro De 2009

NO REINO DE LIRA

no reino de Lira
havia um jardim
e uma flor rara que ninguém vira
no reino de Lira cheira a jasmim
nas pétalas da ira
do meu frenesim
 
de lira em seu reino
há vistosas mil cores
pétalas aromadas de  perfume inteiro
de Lira em seu reino os  meus amores
perdido fiel jardineiro
num jardim sem flores
 
de Lira em reino seu
renasce a esperança
o vento espalhou nas plantas o gineceu
como o sémen de que brota uma criança
o jardim floriu floresceu
plantou na alma confiança
 
autor: JRG
 
sinto-me: esperançado
música: Nocturnos - Chopin
publicado por romanesco às 18:27
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Sábado, 15 de Agosto De 2009

LUGARES DO MEDO

subi contigo arfantes de mãos dadas
a íngreme montanha ao lugar do medo
era um sonho lindo belas madrugadas
de que não queríamos acordar cedo

sobre nós a lua fascinante d'oiro prateado
o perfume das urzes e flores campestres
cruzado com os odores do teu corpo suado
ruídos de silêncio de que somos mestres

somos fortes e justos porque temos medo?
porquê esta lassidão ou quebra de ousadia?
se somos capazes de desvendar o enredo
subir a montanha do medo sem cobardia

a brisa mansa aconchegava um novo dia
quando chegados ao cimo e nos beijámos as faces
os nossos corpos unidos num abraço se perdia
a dimensão dos medos e nos tornámos audazes

venho dizer-te que já não temos medo
nossa coragem venceu a tempestade medonha na maresia
o sonho ainda perdura e sigo além não retrocedo
quero viver contigo momentos sãos de alegria

 

quero ser dentro de ti e do sonho

aquele que te desfaz em gozo a melancolia

seja qual for o tempo  a posição em que me ponho

voltaremos a acreditar que seremos de nós um dia



autor: j.r.g.

sinto-me: sem medo
música: Bolero de Ravel
publicado por romanesco às 16:41
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Sábado, 13 de Junho De 2009

LISBOA É UMA CIDADE BELA

rosto de mulher bonita
sorriso doce melodia
Lisboa é uma cidade catita
doce aroma que nos inebria

é certo que já não correm cavalos
na 24 Julho junto à  Ribeira
nem vozes alteradas nem estalos
já não há rufias nem feira

mas Lisboa vista duma colina
que são hoje prédios alturas
é uma cidade com pinta ainda Pombalina
onde florescem amores se cometem loucuras

 

canto as rameiras picarescas

as alamedas deslumbrantes floridas

canto as colinas sobre o rio aragens frescas

canto a Lisboa real e a dos turistas

 

eu canto de Lisboa a juventude

a cor a luz a cidade bela

como um pintor que pinta a infinitude

da alma de Lisboa sobre a tela

 

jrg

 

 

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sinto-me: Lisboeta
música: Lá Vai Lisboa
publicado por romanesco às 16:17
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