Domingo, 30 de Dezembro De 2012

SOU REFORMADO RICO GANHEI DEMAIS !!!


foto pública tirada da net
***
SOU REFORMADO RICO
GANHEI DEMAIS !!!
***
quando eu nasci de mim
os deuses olharam-me de soslaio
mediram o tempo na ampulheta
e decidiram por unânime frenesim
que não me tornariam lacaio
nem a ferros me prendiam à grilheta
*
segui humildemente
encosta acima como Sísifo condenado
não de lacaio mas de jumento
a carregar um fardo enxuto de semente
perdendo os créditos se cansado
se me esforçasse garantiam um aumento
*
subi por minha conta e risco
a confiar que o pacto divino era sagrado
que ao chegar ao cimo da estopada
nenhum ladrão ou deus sequer o fisco
me cortariam o casco sendo roubado
por não poder ir mais além velho e cansado
*
dei coices espinoteei
fiz queixa mas fui alvo do riso da chacota
trabalhei muito ganhei demais
o erro foi de quem me pagou fora da lei
se pobre não ganhava pr'á palhota
como fora eu capaz de ganhos tantos de tais
*
fui ver e era tão pouco 
mal chegava tiradas as taxas e penhoras
mais os aumentos abrangentes
para ser por um só mês o tipo louco
de pagar rendas a horas
e comer todos os dias refeições quentes
*
decidi não saudar o ano novo
tanto se me dá que seja bom ou seja mau
tão pior que ser um pobre rico
é a pilhagem que o poder faz ao povo
que em cada mão renasça o pau
que há-de correr sem medo o mafarrico
autor: jrg
sinto-me: reformado
música: Os Vampiros - Zeca Afonso
publicado por romanesco às 23:23
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Quarta-feira, 14 de Novembro De 2012

"ACORDAI" POVO DA LUSITÂNIA !!!

vídeo sapo

*

"ACORDAI" POVO DA LUSITÂNIA

*

ouço os apitos lancinantes

das ambulâncias

vejo as chamas de meu país a arder

enquanto as feras rapinantes

se escondem nos buracos das instâncias

de onde saem ordens para morrer

*

não adianta senhor ministro

dizer que são arrivistas

meia dúzia contra um batalhão

tão criminoso é quem condena o cristo

como o carrasco que encurta as vistas

o mais é só cavar a divisão

*

ouço as ambulâncias a apitar

a violência é do governo de ladrões

a mando da alta finança

recebem ordens para atirar a matar

sobre a revolta dos escravos das nações

não podemos permitir esta matança

*

aumentam produtos e serviços

cortam salários rasgam reformas e pensões

são assassinos marginais

arrasaram a economia mantém vícios

enchem os bolsos dos ladrões

ó povo da Lusitânia quando acordais?

*

ouço as ambulâncias na agonia

velhos crianças enfermos

mulheres libertas das milenares grilhetas

não sou poeta mas convoco a poesia

a haver paz tem que ser com os nossos termos

o tempo escoa nas ampulhetas

*

já não saem à rua senão bem guardados

são a maior vergonha dum povo

impostores infames borrados de medo

atiçam as feras seus paus mandados

querem ganhar custe o que custar o viciado jogo

mas o tempo mudou já não é segredo

*

ouço ambulâncias trinonis pungentes

levam o desespero da nação

os povos têm o direito à resistência

nesta chacina somos inocentes

unidos contra corruptos somos a revolução

que começa na nossa consciência...

autor: jrg

sinto-me: revoltado
música: Os Vampiros - Zeca Afonso
publicado por romanesco às 22:44
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Quarta-feira, 17 de Outubro De 2012

MATRIZ !


Natália Correia por Bual
*
MATRIZ
*
mulher 
de pés descalços
tão menina
pegadas do amanhecer
desfazendo laços
que espreitam em cada esquina
do meu viver
*
MÁTRIA
mãe de toda a criatura
saindo da bruma
onde a história se fez PÁTRIA
renasce pura
e no olhar duma criança apruma
a nova era PÁRIA
*
fêmea sedutora
atractiva dos prazeres sensuais
deixando marcas de cio
na paisagem tão enganadora
onde vingam os chacais
afasta os abutres que bebem do teu rio
sê pura e ganhadora
*
jrg
sinto-me: Matriarcal
música: Teresa Salgueiro
publicado por romanesco às 19:16
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Quinta-feira, 11 de Outubro De 2012

GALERIA DE MULHERES COM POEMAS DENTRO ! * Isabel Branco *



isabel branco

***

GALERIA DE MULHERES

COM POEMAS DENTRO !

*


* Isabel Branco *


*

as palavras rasgam na saudade

o dom de dizer a poesia

saem ladinas correndo de dentro dela

dão forma ao poema claridade

transcendem o mito o mistério a fantasia

cintilam d'Àfrica como uma estrela

que iluminasse todas as almas da cidade

*

"nasci na terra ao longe de Lobito

de uma família inteira

e por lá fiquei eterna adolescente

é esse o tempo que sou em cada dito

nasci mulher poema tecedeira

das emoções que me vestem docemente

quando no silêncio sou um grito"

*

afina os tons da voz  e diz

da alma do poeta cada verso

como quem afaga a pele curtida do tambor

estremece pausa flor de lis 

alonga a vista sobre o desejo imerso

mãe das palavras com amor

que acorrem aos ouvidos do país

*

"Sou o sol que me arde nos cabelos...

o grito da fera ferida na anhara angolana...

o mar que se espraia e por mim chama...

a flaminga restinga...e seus apelos...

Ah! Sou aquela...que chora, ri e também ama..."

IB

*

os seus olhos espelham tanta pureza

que no seu sorriso nos quer dizer

catar por onde houver a alma profunda

de quem escreve e sente a natureza

ei-la de antes quebrar que deixar torcer

adejando sobre a ideia que a inunda

feita da alegria extasiante que lhe dá beleza

*

"sou aquela que diz o seu sentir

que se realiza na aventura da descoberta

onde houver um poeta ou poetisa

ou um poema sem nome para existir

quero dizê-lo com a alma aberta

mostrar ao mundo esta gente que em verso avisa

só o amor trará a paz para sorrir"

*

olho na mulher o poema dentro

que irradia a beleza dos mistérios africanos

sentada diz poesia que a sua alma sente

ela que escreve poemas com amor ao centro

que partilha seus valores humanos

ela que nos pede em troca e tão somente

que usemos a poesia como um ceptro

*

"porque sou a que diz a poesia

de todo o que para mim sinto como talento

não quero vivas nem honrarias

deixem-me viver plena a minha fantasia

sou mulher e se sou poema tento

cantar do Lobito o mar o porto as correrias

e de Catumbela a terra de maresia"

*

é um encanto a voz saindo do poema

com rosto iluminado de mulher

ecos da memória humana

voz que se abre livre de qualquer algema

que rasga trevas ao amanhecer

eu canto para si Isabel (de) branco sobre a savana

meu hino à liberdade como tema


autor: jrg
sinto-me:
música: Batuques Africanos
publicado por romanesco às 21:45
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DIZER POESIA - JOÃO RAIMUNDO GONÇALVES...por ISABEL BRANCO


*
E SE DE REPENTE

 

ME FECHASSE PARA BALANÇO?

 ***


de repente

 

enquanto à volta os meus passos
movimentam
tudo o que em mim é movimento
acho-me a pensar
que não tenho mais nada a dizer
depois do que disse
de tanto dito que li em meu redor
já só me falta não ser
na imensidão do mar eu abismo
sem sol nem luar
*
de repente
um desejo impetuoso de parar
ficar quieto
como uma maioria absoluta
a definhar
olhando sem ver o louco a louca
vicejando ao alvorecer
em cada esquina da vida a decantar
aforismos poemas
e causas tremendas horríveis
a doer-me de amar
*
de repente
tudo o que disse me soa a nada
vácuo vão inútil
de tanto pensar ensandeci de amor
pedra pesada
que não chega ao cimo da montanha
a meio descamba
e arrasta o que me resta de ter sido
coragem esperança
com a memória ainda em sangue
tão desventrada
*
de repente
não tenho deus nem pátria
nem família ou amigos
pés ou mãos que me aconcheguem
todos me calam
na profundidade de absurdos segredos
e se escudam
na promiscuidade da minha evidência
árida estéril imbecil
a propagar que já não tenho medos
para onde fugir
*
de repente
se um doce veneno uma picada indolor
um terramoto uma avalanche
de ideias consecutivas me acudissem
sem ter que perder
nem explicar-me a decisão de sair
de não mais dizer
que abomino o clamor deste silêncio
de onde teimo gritar
aos meus próprios passos que me sitiam
a alma surpreendida
*
de repente
uma vontade indomável de apagar
o que me identifica
lunático a acreditar na falsa esperança
que amar é dor que amor alcança
e a não querer ver a materialização fatal
que me e nos condena
à servil condição de sonhadores
de criar sonhos especular
sabendo de antemão que não vale mais a pena
viver nesta agonia a adiar
*
de repente
desligo o botão que me liga à máquina
e permito que o meu silêncio
seja também ele um grito fantástico
a ecoar nas almas em espertina
ninguém dará por nada tão de súbito
como a luz que se apaga
fica ainda a claridade do apagão a confundir-nos
sinto a leveza da queda
neste abismo que é o não ser em absoluto
depois volto à normalidade de viver
**
como se nada tivesse acontecido!!!

 


 

autor: jrg

***


REGURGITAR AMOR...


**
Imagino a gruta
para onde te levo
sob a falésia os arbustos
o aroma das urzes
onde te rimo com mar
e o mar de tanto amar
tão teu e meu a dor
*
lembro o sonho
de amantes sem segredos
enrolados nos corpos
possessos de beijos
para diversão das almas
que sabiam
da efemeridade dos medos
*
evoco da memória
que havia escondido no sonho
um pesadelo activado
porque amavas demais
um outro que em mim achavas
tão parecido ou crente a jeito
no sonho feito segredo
*
recordo o meu o teu
desinquietado desassossego
por onde desvairados
nos amamos sem pudor os corpos
por entre manchas de ternura
lágrimas compulsivas
de sal e mel te escorriam
*
regurgito onde te memorizo
o grito o gesto subil o cheiro
as palavras que disseste
de amor sentido meu degredo
e da vontade que é partir
ao teu e meu encontro
dizer-te que não tenhas medo
*
autor: JRG

sinto-me:
música: batuques de África
publicado por romanesco às 17:33
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Domingo, 07 de Outubro De 2012

PORQUE CHORAS MEU AMOR ?




imagem pública tirada da net

*

PORQUE CHORAS MEU AMOR ?

*

diz-me porque tanto chora a tua alma 

porque gritas no silêncio a tua dor

que fome o teu espírito não acalma

que angústia não te basta o meu amor

*

Porque procuras no silêncio a resposta

porque te recusas ouvir minha voz

que sou o escravo da tua vida exposta

que sou a outra parte de ti em nós

*

Porque choras na tua alma meu amor

se o mar e o céu te e nos amparam

é tempo de soltares os nós das amarras

É tempo de te abrires bela rara flor

orgulhosa dos seres que em ti amaram

tão formiga no canto das cigarras

*

diz-me porque lágrimas tão amargas

me tornam impotente por afasia

mordes os lábios soluças e me afagas

com suspiros e cheiros a maresia

*

porque choram teus olhos madrugada

doces meigos febris de que agonia

teu coração te faz sentir mais culpada

porque choras meu amor de poesia

*

porque choram os teus olhos meu amor

quanta emoção e quantas mágoas

se por amor plantei para ti este jardim

onde criei teu reino te fiz bela flor

regada a carinho ternura e puras águas

para te sentir e me sentires a mim



autor:jrg
sinto-me: amor
música: página em branco - Jorge Palma
publicado por romanesco às 01:59
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Quarta-feira, 26 de Setembro De 2012

JÁ NÃO HÁ MOSCAS EM SETEMBRO !


**
imagem pública tirada da net
**
em Setembro
eram comuns as moscas
miudinhas irritantes
atravessando até Outubro
portas abertas e toscas
zumbindo pela casa aviltantes
adejando em círculos como roscas
*
mas isso era no tempo
em que o Verão se decompunha em lixo
e a chuva tardava na limpeza
hoje o monturo é financeiro tocado a vento
em vez de moscas há um olhar fixo
sobre o que resta dum povo por riqueza
pousa no osso descarnado o seu sustento
*
quando as moscas invadiam
o reduto das vidas ainda sustentadas
fortificavam-se as janelas
ou polvilhadas com dum-dum no chão jaziam
as novas moscas são mais ladras
corpos sem alma nem luz nem estrelas
que resistem na merda que irradiam
autor: jrg
sinto-me: indignado
música: Os Vampiros - Zeca Afonso
publicado por romanesco às 18:04
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Terça-feira, 18 de Setembro De 2012

A ALMA DO AMOR!


imagem pública tirada da net
**
A ALMA DO AMOR !
**
o amor é tão maior que a violência
mesmo quando cai ainda dói
na alma por mais feroz do agressor
onde não mora a consciência
que amar humanamente sempre foi
um acto coragem sobre a dor
*
o amor é tão maior que hipocrisia
por aquando batido ainda ri
sobre triste figura de seu opressor
assenta na memória fantasia
de quem não ama a começar em si
não pode amar alma d'amor
*
o amor é tão maior que a tortura
sendo ferido se transforma
em dor que ama a própria morte
que cicatriza na amargura
de não vencer da vida a norma
da perdição e do desnorte
que é amar a tudo de alma pura
jrg
sinto-me: romântico
música: Chopin
tags: , , ,
publicado por romanesco às 00:57
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Quarta-feira, 12 de Setembro De 2012

ANTES PASTORES DA LUSITÂNIA QUE VITIMAS DESTA TIRANIA!!!


esta imagem é da Líbia libertada
mas podia ser de Portugal
para mim os tiranos são iguais
em qualquer parte do mundo
inundemos Lisboa com a nossa indignação
***
ANTES PASTORES DA LUSITÂNIA
QUE VITIMAS DESTA TIRANIA!!!
*
havia uma muralha de silêncio
e um bafo quente no ar
quando a força de polícia veio
nenhuma palavra em vão
ou movimento fuga de criança
apenas todas as mãos
numa maré viva de esperança
criaram elos de corrente
os olhos fecharam-se abismos
de estrelas a cintilarem
apertados corpos nos sorrisos
a encherem o espaço
a vida que queremos para nós
*
como água de cheia convulsiva
ocupando cada centímetro
não havia lugar a movimento
becos ruas avenidas
pisados por vitimas do terror
inundados de maresia
fogo mar ventos de montanha
que uma força conduzia
era a alma Portuguesa à solta
a dizer não à ditadura
a libertar amor face à tortura
da dignidade humilhada
dia a dia por criminosa valia
*
e logo ali se deu a comunhão
unida a força armada
à Nação que a ideia libertava
era a Lusitânia a renascer
sitiando no covil a fera edace
só então o som da alma
rompeu medos sob esperança
a ecoar pelos ouvidos
gritando vivas à terra inteira
na livre consciência
de ser força maior que o tirano
*
autor: jrg
sinto-me: indignado
música: Os Vampiros - Zeca Afonso
publicado por romanesco às 01:22
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Quinta-feira, 06 de Setembro De 2012

MINHA MÃE...MEU PAI!



imagem pública tirada da net
*
MINHA MÃE...MEU PAI!
*
às vezes lembro
a figura destemida de meu pai
filho dum carroceiro
quando ternamente me carregava ao ombro
possante a trabalhar sem um ai
nem tempo para pensar o dia inteiro
desde que nasci era dezembro
*
outras com nostalgia
a imagem matriarca de minha mãe
o ar severo ou a doçura
com que denunciava a minha fantasia
de querer ser outro alguém
livre pensador contra a escravatura
usando como arma a poesia
*
meu pai pouco falava
armazenando no sono a energia
trabalhador portuário
no verão nem ao domingo descansava
saía cedo madrugada quase dia
a ver se o não comiam na contagem por otário
onde houvesse trabalho ele lá estava
*
minha mãe matriarcal
administrava a casa ela era a lei presente
ora acusadora ou defensora
conforme o dia amanhecesse no juncal
repartia a sopa o sermão a quente
marcava a disciplina e promovia a honra
que a cada um cabia no casal
*
às vezes caminhávamos calados
e eu queria dizer-lhe tantas coisas que aprendera
pai que a vida de trabalho não é fardo
que se dê a quem trabalha por uns trocados
que amar era bem mais do que rendera
o Domingo a palmilhar areia ardente bem suado
sem um tempo de pensar outros cuidados
*
outras discutiamos eu e ela
sobre a minha leviandade de comprar livros
se ao menos servissem para comer
não serás nada assim sem guia nem estrela
a escrever em vão sobre papiros
trabalha estuda arranja outra arte para fazer
e eu saía pela porta longe dela
*
meu pai o meu orgulho de ser
minha mãe o meu engulho de ir além do mar
comi dos livros sim vendidos a pataco
meu pai homem esforçado minha mãe mulher
quando a vida desviou meu caminhar
e me levou da alma tanto amor do elo fraco
mas eu venci meus pais por tanto ler
autor: jrg
sinto-me: nostálgico
música: era um redondo vocábulo - zeca afonso
publicado por romanesco às 01:15
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