Segunda-feira, 18 de Agosto De 2008

UMA HISTÓRIA DA VIDA - O COXO II

O Cocho e eu tínhamos um compromisso de partilha, selado na taberna da Americana num dia chuvoso de Dezembro, e frio, entre dois cortadinhos de excelsa qualidade, que ele bebia de um trago, numa pausa, enquanto eu os sorvia gole a gole, guloso de os saborear com evidente luxuria gustativa.

Ele desabafava de si, do interior de si, as memórias de acontecimentos da sua vida simples, eu ouvia-o .O sr. Manuel, como vimos anteriormente  em http://neoabjeccionismo.blogs.sapo.pt ,.

O COXO, ficou sem uma perna e usava uma prótese artificial metálica, que os anos tornaram obsoleta, mas era o que tinha e que concertava inventando enhenhocas,  sistemas alternativos de molas e engates com arames, de forma a torná-la funcional.

Tinha quatro filhas, a Gi, a Bé, a Lu e a An. Quatro lindas meninas criadas ao sabor do tempo e de uma ampla solidariedade, num tempo em que vingava um tipo de humanismo saído da Revolução Francesa e que vinha vingando na civilização Ocidental, permitindo olhar para o homem como um ser infeliz de se encontrar amargurado ao levantar e bêbado ao deitar e que era preciso dignificar, estabelecido o conceito de ter o homem como fim., para cujo alcance valiam todos os meios: declarar a guerra, roubar, espoliar, prender, arrasar a natureza e exterminar os animais "nocivos" ao homem.

O pais vivia sob uma ditadura politica e económica, em ambiente semi rural, vida simples, beatificada pela Igreja e o temor a Deus e aos poderosos.

O Coxo viera para Lisboa ainda novo, ordenhara vacas e fora condutor de sidecar,  ficara sem a perna, como vimos,e no tempo que vamos descrever, no inicio dos anos 50 do século XX, o coxo era continuo numa instituição de  " previdência "  do estado.

Casara com uma mulher oriunda de famílias poderosas, mas que fora excomungada, deserdada à nascença, em virtude de dois acontecimentos, o pai ter casado a contragosto da família, com uma mulher de meio diferente e por ter nascido gémea, as duas tão sem graça, felosas, e haver uma outra menina esplendorosa, irmã mais velha que morreu pouco depois por ciúmes? constituir o motivo de as considerar culpadas de terem nascido.  Só a Maria sobreviveu, destas três e logo que ganhou corpo foi posta a servir em casas de  famílias.

O Coxo conheceu-a como sopeira e viveram uma relação apaixonada. Maria era uma linda mulher, analfabeta, mas linda. O Coxo ainda frequentara a escola, sabia ler e escrever um pouco. Era um homem bonito, bem parecido, baixo, moreno, olhos escuros e vivos.

Ele já tinha mais de quarenta anos, ela à beira dos trinta. Ela deserdada pelos seus, ele deserdado pela vida e estavam na iminência de herdar uma família.

Maria ficou grávida e logo pensaram em casar, porque o Coxo era homem de palavra. Gostava dela e queria seguir o tempo. Se o tempo era o mestre, como que um Deus, se havia um mínimo, uma base de partida, uma casa de família para os abrigar, se havia a possibilidade de uma casa social, era dar tempo ao tempo.

Nasceram as três com intervalos curtos. A Gi, a  Bé, a Lu, esta já na casa nova. Maria trabalhava agora numa fábrica de conservas de peixe que abrira de novo. Trazia peixe escondido entre as mamas. O trabalho de continuo acabara porque o Coxo apanhou tuberculose. Esteve à morte, mas o tempo deu-lhe a mão, recuperou-o para o que havia de vir. E tornou-se carpinteiro de arranjos e de pequenas peças de utilidade que fazia no quintal da casa, sob um pinheiro manso, frondoso e entre canteiros de uma horta que lhe

fornecia a sopa. Tinha arte nas mãos calejadas que lhe advinha da alma simples.

Havia momentos de alegria, as raparigas faziam peças de teatro inventadas na imaginação,

por histórias  e anedotas picarescas que o Coxo contava e pelos livros de leitura que a mais velha já lia e crescia nos enredos.

 

Praia da Joatinga - Rio de Janeiro

autor:Leandro cargnin

 

Maria engravidou novamente. Ficou furiosa, que a vida já era difícil e mais um , como ia ser!...

O Coxo, sereno, que se arremediariam como até então. Havia trabalho. O tempo era a favor. A favor de quê? De quem?

O que ele escondia era a sua ansiedade, pela primeira vez sentia  alguma pressa, por saber se seria enfim o filho varão que tanto ambicionara. Se não fosse não era, mas gostava, era a sua paixão há anos. Um filho homem, em que pudesse reinventar-se ao vê-lo crescer, estudar, ser homem completo, como o Jean Valgean dos Miseráveis de Victor Hugo, personagem que elegia como simbolo de bondade e de justiça.

Nasceu. E era um menino, como o Coxo desejava. O seu sorriso iluminou a noite, aquela noite em que a Gi foi chamar a correr a Tia Mariana, parteira oficial do bairro, e ele a colocar a panela sobre as brasas do fogareiro, para que tivesse tempo de ferver.

Ouviu o seu berro, um grito imenso que parecia de glória, pleno de pulmões, de vida. Comoveu-se, como não se lembrava á quanto. Fumou mais que o normal. E riu-se para dentro de si, olhando a Lua que se avolumava no cèu estrelado. Um filho varão!...

As filhas traziam leite do centro social. Os visinhos, uma galinha, um coelho, umas couves. O trabalho, pequenos arranjos, ia aparecendo e o JoMa, o seu rebento crescia e já se sentava num caixote de madeira que ele fizera em jeito de parque, de recinto só dele, para que não se sujasse na areia do quintal.

O  Coxo no rasg, rasg do serrote e o puto brincando com pequenas peças que ele lhe fizera em madeira boleada e leve. E já queria falar : Pá ...e mais à frente, ainda disperso Pá.... E o Coxo, sorridente, a quem aparecia, a dizer que o miúdo parecia querer dizer papá.

Dava-lhe o biberão embevecido. As miúdas mimavam-no. O JoMa era um Sol.

_É pá, traz lá mais um traçado, mas cheio. _ os olhos dele brilhavam de humidade cristalina e eu surpreso, indaguei.

_Mas então, não foi um momento único de alegria?_  ele, dum trago, o copo cheio, a limpar os lábios, os olhos, os óculos, a colocá-los novamente em movimentos pausados.

Um dia, enquanto lhe dava o biberão de leite da manhã, sentiu que o menino parou. Não ria, os olhos parados, os braços caídos, quase inertes, convulsões estranhas.Fazia frio, mas o Coxo estava afogueado sem perceber o que se passava. Chamou uma vizinha. Ela veio e viu que o menino estava mal. Pediu a alguém que fosse chamar a Gi, a mais velha e que estava na escola. A Gi veio, oito anos, uma menina. Alarmou-se. Era preciso ir chamar a mãe à fábrica e foi, numa correria, por entre os arbustos da mata de Pinheiros, veloz como uma gazela fugindo ao predador.

Maria, esforçada desde as 6 da manhã, arrancada à disciplina mórbida imposta na fábrica, por um motivo de força maior. Chegou e viu que o menino respirava com dificuldade, mas respirava, embrulhou-o numa mantinha e correu para o barco. Em Lisboa apanhou o electrico, o menino nos braços, os olhos baços, o coração asfixiado num espaço tão curto do seu peito que arfava. Silêncio. Alguém perguntou sobre o menino e  ela, que ia simplesmente ao hospital. Estava mal, não chorava, não gemia, mas respirava, ou era ela que o fazia por ele, que lhe emprestava do seu ar, ou que se confundia, o confundia.

No hospital o médico olha o menino, olha Maria, levanta os olhos a querer talvez fugir dali e diz-lhe:

_Está morto!...
Maria incrédula, mas.. e o médico

_Se não quer que ele fique cá, leve-o para evitar mais despesa. Vá num táxi, ninguém pode saber que o leva morto.

-Num táxi? Diz Maria entre lágrimas. Não tenho dinheiro para isso.

O médico deu-lhe o dinheiro e disse que fosse em siêncio. E ela foi, com o seu menino nos braços.

No táxi, em silêncio, contendo as lágrimas, comprimindo o peito, em ânsias por chegar.

No barco, vizinhas, conhecidas, amigas. _ Então e o menino, está melhor? E Maria  respondia que sim, que não podiam vê-lo porque dormia, dormia...

Á chegada a casa, o Coxo em pé, amparado à cancela do quintal, o vulto de Maria ao cimo da rua,  A mata de Pinheiros mansos, o abraço de ambos, sem gritos nem choros. À espera do tempo...

 

 

 

  Podia ser o inicio de uma história de vida romanceada, a envolver negócios, empresas de estilo familiar que ainda são o sustentáculo do país. E a tragédia que os apanha desprevenidos e vai condicionar toda a estrutura familiar futura. Ou o êxito de empreendimentos pessoais, conquistados e construídos  a pulso.

 

É o que me proponho. Escrever sobre vidas anónimas que valem as luzes da ribalta ou a fixação histórica e que traduzem a essência de um povo. Primeiro de uma família. Primeiro ainda, ou antes de tudo, a essência de um homem, de uma mulher.

Escreverei por encomenda, preços de acordo com extensão e pesquisa de documentação. Mas com a paixão que o percurso proposto me suscitar.

Aguardo a vossa proposta.

 

J.R.G. 


sinto-me: mais sábio
música: Avé, Avé, Avé Maria.....
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Sexta-feira, 15 de Agosto De 2008

R A F A - O SONHO

Tinha um andar indolente e não era do clima quente e húmido. Era um andar provocatório, desleixado,  da sua própria índole e tinha o hábito de puxar as orelhas daqueles que tinha mais confiança, não intimidade, confiança de falar, pouco, mas de falar.

A especialidade dele era Cripto, o que fazia da sua figura, um anátema de perdição, por tudo o que nele era enigma, os olhos sempre sorridentes, sagazes a perscrutarem semblantes, movimentos de lábios, gestos, e o indiciavam como um bufo ao serviço dos interesses.

As conversas mais politizadas cessavam , passavam a banalidades, à sua aparição, sarcasticamente sorridente. Rafa, o cripto. O que fazia as ligações do comando do aquartelamento, com o comando territorial. Só ele sabia as horas de saída em patrulha simples ou em missão de combate. As operações com grande movimento de tropas.

Rafa era mais importante que o capitão e não granjeava amigos.

Mas Rafa subsistia apenas. Como a grande parte deles, Rafa fora recrutado, arrancado a uma carreira promissora, à continuidade dos estudos que o levariam à formação em Psicologia, a sua paixão desde a adolescência.

É verdade que os observava, atento ao pormenor de um esgar, os gestos distraídos, que são os mais verdadeiros de uma pessoa. Uma palavra vaga, pitoresca, ou picaresca, ou séria e profunda mas aleatória, saída do vácuo da memória .

Amava cada um deles, uns mais que outros, questão de empatia, se superficialidade ou de profundidade, mas amava-os como pessoas genuínas, cobaias únicas reunidas num laboratório imenso e soltas.

Quando saíam para uma operação que só ele sabia podia ser fatal para alguns. Levantava-se à hora. E fica a vê-los, a galhofarem uns com os outros para afastarem o medo, de cada um de si. Os rostos apagados de outros, em período de concentração, de oração ou encomenda da alma. Ficava escondido, na penumbra da aurora que lá vinha. Os olhos toldados por lágrimas atrevidas que não podiam ser vistas. Um homem não chora. Um cripto é um homem que se quer frio, independente de emoções. Como se fosse possível...

 

Até amanhã

autora:Rita Teixeira

 

Admirava Manuel António em especial. O seu ar aparentemente sereno, sorumbático por vezes, ou quando o via expectante, olhando a Lua num recanto da noite, poético, pensante de vá lá saber-se o quê...E como gostaria de o interpelar, discutir com ele nuances da politica, ensejos da alma, perspectivas do homem, os insondáveis segredos da mente que se deixam escapar em momentos de êxtase do ser, desapercebidos do consciente.

Manuel António parecia-lhe uma figura ímpar de humanidade. Acompanhava os indígenas em tarefas pesadas, dançava com as crianças na alegria das cantigas ao som do batuque do pilão, falava-lhes da metafísica de ser povo, o ar incrédulo e estranho dos jovens...

A importância de se assumirem como pessoas em evolução. Não que a evolução fosse uma meta, uma imposição de ser homem pleno, mas porque no estádio em que se encontravam eram uma presa fácil dos oportunismos encapotados de civilizacionais.

Rafa observava estas prédicas, de longe, mas suficientemente perto para perceber que os indígenas o ouviam por respeito, que achavam piada ao ênfase que punha nas palavras. Os olhos brilhantes de emoção.

Rafa admirava Manuel António pela sua camaradagem com os outros, da Companhia, o seu sentido do dever de instruir, de clarear ideias preconcebidas , de desfazer equívocos sobre o direito de soberania, o dever de lealdade. E nós, onde ficamos nós nas obrigações e nos deveres? Era um grito frequente de Manuel António, no meio da parada, sem medo.

Ter o homem como fim. A entreajuda o repartir do pão e da palavra. O entendimento do todo, do papel de cada um para o todo, da partícula ínfima de cada um, do seu corpo, do seu espírito, para o seu todo de si que iria reforçar o todo total, o todo absoluto.

Rafa sabia que não o devia interpelar nestes momentos de ousadia espiritual. O mais certo seria que debandasse, que se furtasse ao diálogo com ele, Rafa, o Cripto, conotado de bufo.

Ganhava mais observando-o de longe, medindo-lhe os gestos, os suspiros de ânsia ou enfado. As mãos inquietas que procuram posição sobre o tronco velho de uma árvore.

 E era tudo o que lhe afluía à memória, neste instante único que há muito desejava, o convívio anual, ao vê-lo a rir-se despreocupado com outros companheiros, tantos anos passados, vividos em ausências.

_Rafa!...

_Manuel António!...

Um abraço emotivo , um beijo em cada uma das faces, o selo antigo da amizade profunda.

Falar dos percursos, andanças, vivências, tragédias e amores felizes.

_Sempre pensei que me consideravas um bufo.

Os olhos nos olhos, límpidos, por entre o nublado das emoções.

_Mas não, Rafa, os teus olhos eram leais. Se nos tornássemos íntimos, daria nas vistas, seríamos conotados como traidores.

Riram-se ambos num reforçado abraço, com palmadas amplas e fortes de Rafa nas costas de Manuel António.

_Sabes, Manuel António, ainda tenho um sonho que quero realizar.

_Sonhar até ao infinito do ser que vamos sendo. E que é?...

Rafa inquieta-se, agita o corpo, as mãos saracoteiam no ar leve da meia manhã, os olhos chispam raios de luz, uma luz de tipo novo.

_Reunir fundos, já tenho algum, saber a morada de todos e visitá-los, um a um, para saber se têm fome, qualquer fome...

_Rafa!!!...

 

 

 

 

Podia ser o inicio de uma história de vida romanceada, a envolver negócios, empresas de estilo familiar que ainda são o sustentáculo do país. E a tragédia que os apanha desprevenidos e vai condicionar toda a estrutura familiar futura. Ou o êxito de empreendimentos pessoais, conquistados e construídos  a pulso.

É o que me proponho. Escrever sobre vidas anónimas que valem as luzes da ribalta ou a fixação histórica e que traduzem a essência de um povo. Primeiro de uma família. Primeiro ainda, ou antes de tudo, a essência de um homem, de uma mulher.

Escreverei por encomenda, preços de acordo com extensão e pesquisa de documentação. Mas com a paixão que o percurso proposto me suscitar.

Aguardo a vossa proposta.

 

J.R.G. 

sinto-me: contemplativo
música: bairro negro - José Afonso - Marisa
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Sexta-feira, 08 de Agosto De 2008

NATÁLIA - ATÉ SEMPRE!...

  • É uma menina!

     Disseram as vozes, quase em uníssono, dos que esperavam há horas o resultado do parto. A enfermeira trouxe-me para que o meu pai me visse e , contaram-me depois, ele fez um gesto ,largo e tão perto, de repúdio de mim, ou dele porque eu era uma parte de dentro dele. Talvez tivesse sido concebida sem amor, forçada, violentada a gerar-me a nascer. Chamaram-me Natália.

    Cresci nos ambientes próprios de criança, fiz amigos, a Clarinha, a Odete, a Laura, o Pedro, o Fernandinho. Tantos que se esconderam no recôndito da memória.

    Terminado o liceu, sem recursos, voltáramos para junto da avó, um pouco longe da Cidade, porque o meu pai saiu de casa por amor de outra mulher.

    Lembro-me das férias na praia, dos amores de adolescente, inofensivos e de como sentia uma ânsia enorme de mudança, de procura. Eram todos lindos, os rapazes que me procuravam, e eu em busca de um, porque me diziam que deveria ser só um, que me enchesse os vazios que sentia, que me ardiam o peito, as vísceras, a alma...

     

    Rio Homem

    autor:Nuno Milheiro

     

    Arranjei trabalho numa livraria da cidade. Era um trabalho giro e contactava com muita gente que enchia a livraria no inicio do ano escolar. Mas eu queria estudar mais. Ter um curso superior era um objectivo que se fixava para dentro e de dentro de mim.

    Inscrevi-me em Engenharia. Eu amava a matemática e tudo o que fosse de calcular, medir resistências, empoleirar-me em saliências, nas ruas, no parque da cidade, me entusiasmava, me excedia.Tive a minha primeira relação de sexo com o Pedro. Lembro-me dele, corado, arfante de também ele satisfazer pela primeira vez a curiosidade, o membro dele hirto a encher em balão a braguilha da calça justa. Eu gulosa dele, não o nego, a sorrir de o ver desajeitado a tentar introduzir-se em mim, que ainda não tirara as cuecas. Foi agradável, sentir o jacto dele inundar-me, quente, palpitante. Mas tive prazeres maiores, mais tarde, já adulta, meio adulta.Trabalhava e estudava e os anos iam passando, eufórica, eu, de mim, triste e alegre quase em simultâneo. Triste nos momentos de mim, que cresci sem a referência do meu pai. Agora guardava as imagens de violência sobre a mãe e eu própria. O choro da mãe. A minha mami.Que me protegia com o seu corpo frágil e dócil. Odeio o meu pai. É um ódio que foi crescendo de mim, que me provoca instabilidade emocional. E penso como eu precisava de um pai. Um amante, um marido, que fosse ao mesmo tempo como um pai, que se cruzasse como um rio. Que me amasse, sentir-me amada. Que me protegesse de mim, da minha instabilidade congénita.Formei-me em Engenharia Civil. Guardo as festa académicas. Os EFERREÁ. As bojecas, as amizades que perduram.Casei e tive uma menina como eu. Linda como eu.  Ser mãe, um sonho adiado há tanto que quase deseperava. O meu marido desiludiu-me. Tive amantes. Bastei-me de sexo mas não de amor. Alguém que me amasse a alma. Que me olhasse para o interior de mim. Que olhasse os meus olhos tristes e  me descodificasse.
Podia ser o inicio de uma história de vida romanceada, a envolver negócios, empresas de estilo familiar que ainda são o sustentáculo do país. E a tragédia que os apanha desprevenidos e vai condicionar toda a estrutura familiar futura. Ou o êxito de empreendimentos pessoais, conquistados e construídos  a pulso.

É o que me proponho. Escrever sobre vidas anónimas que valem as luzes da ribalta ou a fixação histórica e que traduzem a essência de um povo. Primeiro de uma família. Primeiro ainda, ou antes de tudo, a essência de um homem, de uma mulher.

Escreverei por encomenda, preços de acordo com extensão e pesquisa de documentação. Mas com a paixão que o percurso proposto me suscitar.

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J.R.G. 

sinto-me: Comunicante
música: Bolero de Ravel
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Quinta-feira, 07 de Agosto De 2008

IATES, SEXO E REPUTAÇÂO...

O meu avô era um homem de estatura elevada, louro, os olhos azuis, a tez clara mas escurecida pelo sol e pelas brisas marinhas, um farto bigode de pontas reviradas.

Herdou do pai uma frota de barcos de pesca que foi rentabilizando, diversificando as capturas e os apetrechos utilizados desde há séculos.

Um dia, cansado de procurar incessantemente o escoamento do pescado e de o vender ao desbarato para as fábricas que entretanto foram surgindo, fundou a sua própria fábrica de conservas de peixe.

Fez fortuna. Mandou o filho, que viria a ser o meu pai, findo o liceu, estudar na Universidade em Lisboa. Pagava o quarto numa pensão e dava-lhe uma mesada para que nada lhe faltasse.

O meu pai era um homem inteligente e dado ás letras. Gostava de ler e escrever artigos que um dia pensava publicar. Os estudos, na faculdade de letras, iam tendo resultados satisfatórios. O meu pai era possuidor de um grande brio familiar e empenhava-se para satisfazer o orgulho do patriarca que o financiava.

Um dia, num dos cafés frequentado por intelectuais, conheceu alguns escritores que discutiam os entraves colocados pela censura à edição dos seus romances, à aquisição de livros vindos do estrangeiro e fez amigos. Passou a frequentar as tertúlias e ai conheceu uma jovem e linda mulher, filha de um editor praticamente falido em consequência das apreensões de livros, ordenadas pela censura à policia politica.

Apaixonaram-se, os estudos foram relegados para um outro plano de prioridades. Falou com o pai e pediu-lhe dinheiro para comprar a editora, ou que a comprasse ele.

O pai, meu avô, deu-lhe o dinheiro e o meu pai comprou a Editora. Convidou alguns dos escritores que conhecera na tertúlia. Pôs em prática conhecimentos que fora adquirindo nos contactos no meio editorial. Adquiriu direitos de obras fundamentais para o desenvolvimento do que ele chamava: massificar a cultura  progressivamente. E a Editora prestigiou-se.

Casaram e tiveram dois filhos, o meu irmão e eu, o mais novo.

O meu irmão formou-se em Economia eu estudei Direito, mas não terminei. Fui criado com muito mimo e davam-me tudo o que eu queria. Havia dinheiro. A Editora em alta. A herança do meu avô que morrera entretanto, com a venda das fábricas, eram já duas, permitiam um desafogo que era quase um atentado à pobreza geral reinante no país.

A minha paixão eram os barco, Iates e mulheres bonitas.

Eu era um homem bonito, alto louro de olhos azuis, como o  meu avô, a pele levemente bronzeada dos odores marítimos e dos cremes que eu usava, fatos impecáveis, de bom corte, por medida, nos melhores alfaiates da cidade. E frequentava a alta roda das família bem. As mulheres derretiam-se para saírem comigo para o mar. No meu Iate.

 

 

 

"De Vento Em Popa"

 

 

Foram dias e noites escaldantes de prazer, sexo sem limites. era vê-las tão púdicas nos salões, no dia a dia da escola ou nas esplanadas e como se despiam de todos os preconceitos para me agarrarem. Ofereciam-me o céu a troco de nada.

Penso que despedacei muitos corações. Gerei ódios e agravos de reputação. Provavelmente pragas e esconjurações. Dizem que espatifei a fortuna da família. O bom nome...

 

Podia ser o inicio de uma história de vida romanceada, a envolver negócios, empresas de estilo familiar que ainda são o sustentáculo do país. E a tragédia que os apanha desprevenidos e vai condicionar toda a estrutura familiar futura. Ou o êxito de empreendimentos pessoais, conquistados e construídos  a pulso.

É o que me proponho. Escrever sobre vidas anónimas que valem as luzes da ribalta ou a fixação histórica e que traduzem a essência de um povo. Primeiro de uma família. Primeiro ainda, ou antes de tudo, a essência de um homem, de uma mulher.

Escreverei por encomenda, preços de acordo com extensão e pesquisa de documentação. Mas com a paixão que o percurso proposto me suscitar.

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J.R.G. 

sinto-me: comunicativo
música: O voo do Moscardo
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Sexta-feira, 25 de Julho De 2008

EMIGRANTES OU MIGRANTES QUE CONSTRUIRAM CASTELOS...

Catarina é hoje uma mulher realizada. Tem uma vida confortável. Uma família própria, marido e filho, a sua própria empresa.

É uma mulher apaixonada que cresceu feliz no seio de uma família tradicional. Que ama e é amada. Depois de algumas aventuras, experiências mal sucedidas encontrara o par certo, Adelino Boaventura. Um homem que subiu à sombra da fortuna e das empresas do sogro, mas que tinha a humildade de ser uma peça fundamental sem arrogância nem pretensões a ser senhor do que quer fosse.

Verdade se diga , que o sogro, Sérgio Fagundes, lhe reconhecia o mérito, e por diversas vezes confessara aos dois, à filha e ao genro, que grande parte do êxito das empresas se devia ao profissionalismo e rigor técnico de Adelino, e à sua entrega.

Catarina. Em frente o mar em tons esverdeados nesta tarde friorenta de Outono a convidar ao retorno de memórias que viveu ou que lhe foram confiadas em serões de terna felicidade.

Como fora que o pai chegara aonde chegaram todos. Mas antes do pai, fora o seu avô, Salvador Fagundes que emigrara para o Brasil sem cheta no bolso, ao encontro de familiares antigos quase extintos na linha biológica de descendência.

E como fora que o avô fizera fortuna e mandara ir o filho, Sérgio? Catarina pensava que havia umas cartas e outros documentos, fotografias, no sótão da casa.

Reconstituir o percurso da família. Aproveitar ainda o pai vivo e alguns tios que teriam, por ventura, visões diferentes. Ouvira falar em roubo de diamantes, ou apropriação pouco licita.

O avô tinha uma espécie de diário contabilístico. E defendera-se dessa acusação que lhe chegara aos ouvidos, longe. Vindas de cá, as calúnias. Excomungara a família, os irmãos que não quiseram partir como ele e ficaram nas leiras.

Sérgio ainda permaneceu no Brasil durante dez anos, mas dava-se mal com o clima, os mosquitos, apanhou febres, quase morria. O pai arranjou-lhe um dinheiro e umas peças preciosas. Que vendesse em Lisboa,  à chegada, havia uma casa que comprava tudo o que os emigrantes levavam do Brasil. E foi e vendeu.

Voltou a casa rico  e sem esquecer a namorada que esperara por ele estes anos todos. Era um homem de principios éticos, de valores humanitários,

Casaram  numa grande romaria e vieram para Lisboa. E foi na Capital que se dedicou á edificação deste pequeno império que os sustinha a todos.

Catarina nem dera pelo cair da noite. Entrou no carro e conduziu devagar, rememorando episódios e visionando uma ideia de registo de todas as peripécias, ainda antes que o pai morresse. Seria uma prenda de sonho.

Podia ser o inicio de uma história de vida romanceada, a envolver negócios, empresas de estilo familiar que ainda são o sustentáculo do país. E a tragédia que os apanha desprevenidos e vai condicionar toda a estrutura familiar futura. Ou o êxito de empreendimentos pessoais, conquistados e construídos  a pulso.

É o que me proponho. Escrever sobre vidas anónimas que valem as luzes da ribalta ou a fixação histórica e que traduzem a essência de um povo. Primeiro de uma família. Primeiro ainda, ou antes de tudo, a essência de um homem, de uma mulher.

Escreverei por encomenda, preços de acordo com extensão e pesquisa de documentação. Mas com a paixão que o percurso proposto me suscitar.

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música: Hoje é o primeiro dia do resto das nossas vidas
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Quarta-feira, 23 de Julho De 2008

A LUÍS SIMÕES, TRANSPORTES E LOGISTICA

Leonel Simões era cabo quarteleiro e tinha à sua responsabilidade todo o armamento e munições que estava consignado à Companhia.

Era oriundo de uma família batalhadora que se dedicava ao transporte de mercadorias e entregas diversas. Um negócio que ia pagando as despesas e permitia uma vida despreocupada mas sem grandes desafogos. A Luis Simões transportes.

A guerra retirara a sua preciosa colaboração à pequena empresa onde o pai era a alma e o corpo que a fazia ímpar no ramo.

Leonel era um jovem empreendedor. Tinha ideias que germinavam como cogumelos em mata húmida. Na guerra, onde o calor e a humidade levavam a maioria à cantina, Luís magicava oportunidades.

Verificou que os militares gostavam de tirar fotografias, mas que, tendo máquinas, tendo motivos, não tinham como as revelar, tornar reais, passiveis de testemunhar as suas realidades e ou fantasias.

Leonel montou um pequeno e rudimentar laboratório para revelação de fotografias e fez dinheiro enquanto  a maioria se espraiava pelas sombras do ócio.

Quando regressou, a casa, encontrou a velha empresa em dificuldades com a concorrência emergente, dadas as condições que entretanto se abriram à criação de negócios, pela abertura politica que o antigo regime, renovado, permitia, ainda que dentro dos parâmetros das velhas famílias dominantes da economia.

Leonel obteve o acordo do pai e dos irmãos e lançou mãos à modernização da empresa, da frota, dos objectivos estratégicos. Colocar em prática tudo o que pensara nos dias e nas noites longe, onde o calor e a humidade uniam forças, ele manteve as ideias em zona temperada para que fluíssem. E fluíram.

Mas podia ter sido o Luís Simões, ou o Jorge Simões, os ideólogos estratégicos que

transformaram a Luís Simões numa das maiores empresas de distribuição e logística da Península Ibérica.

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Podia ser o inicio de uma história de vida romanceada, a envolver negócios, empresas de estilo familiar que ainda são o sustentáculo do país.

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Escreverei por encomenda, preços de acordo com extensão e pesquisa de documentação.. Mas com a paixão que o percurso proposto me suscitar.

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Terça-feira, 22 de Julho De 2008

A MINHA HISTÓRIA PODIA SER ASSIM !...

Fim do dia, já as sombras da noite se fazem sentir na folhagem das árvores agitadas pelo chilreio dos pássaros que se acomodam.

Júlia, 25 anos, aspecto ainda jovem, bonita, não fora aquela mancha no rosto, na face direita, que a marcara para sempre e lhe traçara o destino.

Começara a sua actividade sexual ainda cedo. Não tinha a certeza, onze doze anos, na escola e com um primo que era uma pouco mais velho e com quem mantinha amizade feita de cumplicidades e saídas nocturnas desaprovadas pelos pais.

Quando aos quinze apareceu em casa dizendo que estava grávida de dois meses, a mãe, na cozinha, pegou na panela com água a ferver e atirou-lha.  Não cegou por acaso, o movimento brusco que fizera evitara a água mesmo no limite do olho, mas perdeu a criança e perdeu o sonho dos sonhos que sonhara.

Há dez anos que se prostituía na estrada, sujeita a ser mal tratada, embora tivesse um tipo que passava de hora a hora para lhe guardar o corpo, dizia ele e recolher  a percentagem.

Quando não havia percentagem, maltratava-a física e psicológicamente. Mas era este último que a feria mais.

-Como queres ter clientes com essa cara de monstro? Puta, puta, puta.

As palavras a martelar, a martelar. Não era a animalidade dos clientes, as porcarias que inventavam e eles porcos, cheirando a mijo e esperma ressequido. A violência das entradas no seu cu, rasgando, ferindo sem dó. Ou agarrando-a pelos cabelos e batendo com as coxas no seu rosto enquanto os chupava, mecanicamente...

Eram as palavras. Sim, as palavras doíam, entranhavam-se-lhe no corpo dorido. ultrapassavam a dor das feridas e afirmavam-se perenes e plenas de violência.

Mudar de vida!... Como?

Naquele dia acordou e sentiu-se de uma forma estranha, leve, como se adejasse sobre si própria em êxtases de um outro ser, seu , desconhecido até então, ou simplesmente adormecido. Sonhou, ou sonhava. Havia um plano à sua frente como nunca ousara ver.

Inscrever-se na escola e completar o secundário de uma forma acelerada. Inscrever-se num curso de formação profissional e alugar um quarto noutro lugar, longe dos sítios que frequentara. Não vender mais o seu corpo. Enquanto tivesse a alma, era possivel Renascer de novo. Conquistar-se de novo. Erguer um império de si

...

 

Podia ser o inicio de uma história de vida romanceada, a envolver negócios, empresas de estilo familiar que ainda são o sustentáculo do país. E a tragédia que os apanha desprevenidos e vai condicionar toda a estrutura familiar futura.

É o que me proponho. Escrever sobre vidas anónimas que valem as luzes da ribalta ou a fixação histórica e que traduzem a essência de um povo. Primeiro de uma família. Primeiro ainda, ou antes de tudo, a essência de um homem, de uma mulher.

Escreverei por encomenda, preços de acordo com extensão e pesquisa de documentação. Mas com a paixão que o percurso proposto me suscitar.

Aguardo propostas.

sinto-me: construtivo
música: No Largo do Breu
publicado por romanesco às 17:04
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Segunda-feira, 21 de Julho De 2008

A SUA HISTÓRIA PODIA SER ASSIM!...

Texto de apresentação:

 

Carolina, 35 anos, bela, dinâmica, empresária, dirigia uma média empresa subsidiária de uma outra de tradições familiares que era dirigida por Carlos Andrade, o marido com quem casara de amor profundo, fazia agora 15 anos, com altos e baixos nos humores que o próprio negócio por vezes provocava, mas amantes fieis dos seus corpos e das sua almas.

Da ligação tiveram uma menina que era a esperança e a luz de toda a sua interioridade.

Desdobravam-se nas atenções, nos melhores cuidados, em disputa com as actividades das empresas que permitiam o estilo de vida confortável.

Um dia a menina, tão linda, tão inteligente, tão desinibida, apareceu em casa com aspecto de quem consumira drogas.

Carolina tentou que ela, Mafalda, a luz da sua vida, se retratasse, lhe desvendasse os problemas, o que a levara ao consumo.

Mafalda remeteu-se ao silêncio. Que não era nada. Que a mãe estaria a fazer um filme.

Carolina envolvida na empresa. Crise e  estratégia. Carlos Andrade, defensor acérrimo do negócio dos avós. Um sucesso que pedia a sua atenção total. À noite mal via a menina, Mafalda, um fruto de amor e verdade de si, homem...
 
Podia ser o inicio de uma história de vida romanceada, a envolver negócios, empresas de estilo familiar que ainda são o sustentáculo do país. E a tragédia que os apanha desprevenidos e vai condicionar toda a estrutura familiar futura.

É o que me proponho. Escrever sobre vidas anónimas que valem as luzes da ribalta ou a fixação histórica e que traduzem a essência de um povo. Primeiro de uma família. Primeiro ainda, ou antes de tudo, a essência de um homem, de uma mulher.

Escreverei por encomenda, preços de acordo com extensão e pesquisa de documentação.. Mas com a paixão que o percurso proposto me suscitar.

Aguardo propostas.

sinto-me: Inspirado
música: Era um redondo vocábulo
publicado por romanesco às 11:43
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