VIOLAÇÃO I...


o estupro de Edgar Dega-Paris
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VIOLAÇÃO I
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vem
o teu irmão está mal
e ela foi
porque amava aquele bem
sem saber que era a sal
o doce sabor do que lhe dói
*
eram tantos
no chão alucinado o mano querido
deram-lhe um sumo
que a boca lhe secava pelos cantos
e logo sentiu o chão fugindo
perdido o norte e já sem rumo
*
sentiu as mãos suadas
o cheiro afrodisíaco
rasgando a roupa que a cobria
as mamas apertadas
os olhos desfocados dum maníaco
vozes longe sufocada agonia
*
na bruma o movimento
dos dedos rasgando
o sexo o ânus a intimidade protegida
sem nada que activasse o pensamento
de mão em mão levitando
perfurada pela besta humana desvalida
*
quando acordou
havia na poeira do silêncio um vácuo
olhou-se despida e sentiu asco
o sexo dorido e sangue e esperma vomitou
a memória enxovalhada num recuo
vestiu os trapos arrastou o mano até ao tasco
*
pediu transporte
já em casa tomou banho entre lágrimas
e horrores a cada toque
desvirginada assim antes a morte
calou perante os outros fechou algemas
levando tanta raiva a reboque
*
a água corria
tépida sobre o cheiro pestilento
uma duas vezes talvez mais
e o cheiro da memória não saía
causando tanto sofrimento
na alma adolescente onde os sinais
*
deixavam marcas
indeléveis que nenhum tempo apagaria
abriu um hiato no tempo
às vezes queimam as memórias como farpas
quanta doçura daria
se fosse lavada pelo vento
autor: jrg
sinto-me: tétrico
música: requiem for dreams
publicado por romanesco às 22:20
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