A VELHA GLEBA...A NOVA MÁTRIA...

A VELHA GLEBA...
A NOVA MÁTRIA...

«««//»»»

*

o solo pátrio mátrio
o seio materno
o espaço aéreo
a servidão mulher martírio
a revolução do pensamento moderno
o homem etéreo

não se pode ainda bem
fotografar o inconsciente
nem a alma é visível
uma tal nudez da sua própria mãe
desvirtuaria o homem insuficiente
ao ser tachado do inatingível

o que move a humanidade
os que acumulam riqueza inútil
os que se digladiam
por uma moeda pão de caridade
os que se sufocam na frieza fútil
e a vida ante a morte adiam

escravos da velha gleba
uns e outros a mesma servidão
como frutos de árvores milenares
de nada lhes vale a soberba
a corrente de valores em cada mão
com que se martirizam aos milhares

o solo é mátrio a mátria
como tudo nasceu duma evolução
cristalizou a raiz
deixa-se fecundar pela matéria
de vez em quando range o coração
a alma é do homem e da mulher matriz

não foi lida a sentença
só os mitos falam de condenação
as tábuas de deus marcam o sacrifício
do homem livre à indiferença
feito servo da gleba por inspiração
de mentes absurdas sem arte nem ofício

não pagarei na mesma moeda
porque não tenho ouro...nem ódio...nem religião
pago em amor à mátria mãe
liberto do servilismo que em mim se queda
passo a palavra de mão em mão
almas servis levantai-vos também

autor: jrg
sinto-me: Matriota
música: Os Vampiros-Zeca Afonso
publicado por romanesco às 01:21
link do post | comentar | favorito