TRILOGIA DO FOGO !...ALZHEIMER !...

 

foto tirada da net

 

 

encho de poesia a triste dor
na esperança de espalhar a alegria
que traduz o sofrimento por amor
deixando de lado a fantasia...

jrg

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TRILOGIA DO FOGO

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ALZHEIMER

 

Ah! A vida!

Alerta-te!

Tu não és mais criança!

O que tu dizes não é mais fato.

Agora é sério!

Acorda para vida real!
Esse mundo é neurótico!

Sincrético!

Aneurisma cerebral!

Sem sincronia!

Os opostos andam separados.

Cada vez mais distantes.

Mal se notam!

Acorda!
Pareces tartaruga!

Antes eras lebre!

Esquecestes?

A pressa é inimiga da perfeição.

Mas tu não podes parar!

Não dá pra parar!

Acorda para vida real!
O que tu fazes aqui?

Nossa, tu estás diferente!

Estas muito mais bonito!

Não! Esse não sou eu!

Quem eu sou?

O que sou?

Não olhe pra trás!

Não ande para trás!

Não volte ao teu passado

Que este te atrasa,

Te faz lembrar!

Lembrar?

O que tu tens que esquecer!

Nada dura para sempre!

Essa é a realidade!

Acorda!

Acorda!

Acorda!
Acordei!

Quem é esse velho?

Onde estamos mesmo?

Eu quero voltar para minha casa!

Eu quero voltar para casa!

Está todo mundo me esperando lá!

Tá todo mundo me esperando...
Acorda!

Acorda!

A corda acorda no pescoço da memória.

É assim que se morre!

É assim que a vida anda de costas!

E é assim que tu vais sendo esquecido.

Aos poucos!

Acorda!

 

. . . . . .

Silvia

M endonça

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ALZHEIMER

Chego sorrateiro na companhia do tempo, que precariamente lhe consome.

Infiltro-me no processo de envelhecimento, me fazendo natural em seu esquecimento,

               em sua desorientação do não lembrar, mas, meu objetivo maior é destruir,

progressivamente seus neurônios,

é lhe deixar em completa apatia,

sem motivo, levar à depressão aparente,

se possível roubar-lhe seu juízo e critica,

na confusão de seu raciocínio.

Tornar-se sua incessante ansiedade,

sua inquietação, sua agressividade.

Desorganizar seu sono e seus pensamentos em delírios.

Dificultar sua locomoção, lhe deixar em total dependência.

Roubar-lhe sua funcionalidade, seu cognitivo racional, encolher seu cérebro.

Sou o mal crônico a causar sofrimento,

Posso também ser precoce, esteja atento.

Sou... ALZHEIMER!  

Lufague

*****

 

ALZHEIMER!

 

Visto de dentro o paciente

Quem sabe? aos poucos vai-se desapercebendo

Ouve um alarido que não mais sente

Nem sabe do mal porque vai morrendo

*

A princípio talvez ainda se debate

Os neurónios em cadeia esboçam feroz a reacção

Irrita-se explode toca sinos a rebate

Até ao dia em que a alma chama o corpo em vão

*

Visto de fora é alvo da chacota

Leva algum tempo a mente sã a se aperceber

Que o paciente agora vem revestido a terracota

Vai precisar de quem o saiba entender

 

Torna-se arrepiante para a memória

Olhar em frente o corpo estático ao movimento

Saber que ama aquele ser e sua história

Sentir o medo de viver na aspereza do tormento


Visto de cima não é nada da gente

Quem é a senhora? estrebucha o pensamento

Ninguém está preparado para olhar de frente

O mal alzheimerado impávido lamento

 

Que maldade a dos elementos tão aviltantes

Que se conluiem no silêncio em segredo

Não escolhem como e quando surgem penetrantes

Ainda que deles não tenhamos medo

 

Visto de baixo de onde o mal se expandiu

É como um louco que se diz numa outra dimensão

Ninguém pode garantir que no dizer sandio

Não haja uma mensagem de amor à vida em submissão

jrg

 

 

 

sinto-me: solidário
música: 5ª sinfonia
publicado por romanesco às 01:13
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