PARKINSON...A POESIA E O POETA!...

 

 

 

 

 

para o Rogério Martins Simões...com amor

 

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Nasce tão tanto inocente a criatura
E logo ao nascer nela renasce
Em cada célula por maldade ou por ventura
Um estigma genético sobre a catarse

Se alguém assim gerado ao renascer
Não escolhe ser da poesia na alma um portador
Porque teima o corpo em vão sofrer
Quando no auge da criação um poeta é só amor


Sorrateira vem tão de repente
A tomar conta no corpo do movimento
Procura nos neurónios eminente
A prontidão da alma que eleva o pensamento

Não se sabe quem é de onde vem
Nem se reconhece remédio ou valimento
Apenas que atinge o homem pai ou mãe
E nele solta atroz o sofrimento

Deram-lhe o nome sonante de Parkinson
Que lentamente tolhe a motricidade
Come neurónios e na palavra toma o som
Estremece no corpo inteiro a vontade

Não se compadece com a erosão
Que na vontade de cansaço provoca o desalento
Só a força indómita dentro da razão
Friamente composta de “amor e dor” é provimento

Meus olhos brilham estrelas rutilantes
Ao sentir a energia do poema à volta e dentro do poeta
Resistente da esperança luz de efeitos brilhantes
Que almeja na Parkinson ser profeta

Cansado o poeta acena à indiferença
Com que ela avança segura e célere em prontidão
Recusa pelo verso ser dela a sentença
E lança a poesia além da alma pelo coração

Eleita deste modo profícua a poesia
Assume o homem nela uma nova e alta dimensão
Reduz toda a doença à mera fantasia
Ao ser em cada verso antídoto à sua evolução

Autor: jrg

sinto-me: admirador
música: Vejam Bem...de José Afonso
publicado por romanesco às 00:27
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