SOLIDÃO ABSOLUTA !...

 

imagem tirada da net sob o Terramoto no Japão

 

 

 

 

um dia pela madrugada ao acordar
vi que havia nas ruas muita agitação
pessoas esbaforidas sem norte
corpos fulminados por  algo estranho no ar
ardiam carros e casas entre tanta explosão
os cães uivavam e gatos assanhados à morte

 

chovia trovoava o vento galopante

amontoavam-se os corpos e os destroços

por um dia inteiro a destruir tantos milénios

a ver os rios a engrossarem mares na vazante

torrentes de lama a cobrirem ossos

apenas eu sobrevivente em tais mistérios

 

a terra tremia engolia montes e montanhas

um cheiro pestilento a gazes minérios e defuntos

o sol ofuscado por um vapor desconhecido

o mar rugindo dos abismos das entranhas

árvores arrancadas ouro pratas com os donos juntos

lentamente a solidão caindo sobre mim vencido

 

do alto duma falésia ainda absurdamente ilesa

sou o último vagabundo em todo o planeta

assisti incrédulo ao cataclismo pré-anunciado

o meu refúgio é uma gruta sem cama nem mesa

perscruto o horizonte sem fim grito e toco uma corneta

a romper o silêncio há dias instalado

 

durante sete dias nenhum movimento ou ruído

não sei se aconteceu aqui ou se em todo o mundo

imersa a minha alma nesta absoluta solidão

a respirar do ar denso o que restar de vida sem sentido

lembro a ninharia dum discurso vindo do fundo

como se a morte fosse dos outros sendo eu devastação

 

penso as florestas em todo o planeta arrasadas

a terra esventrada a cobiça do petróleo e outro minérios

a construção de casas vazias para rendimento

os mares os rios as correntes de água contaminadas

os fumos de viaturas e fábricas os fogos sumários

bombas despejadas à experiência ou nas guerras sofrimento

 

penso na proliferação de armas e centrais nucleares

nos avisos de cientistas e sábios da humanidade

penso nos jardins onde as flores se deram por vencidas

nas mulheres que me falaram através de seus olhares

penso se virá alguém de um absurdo lugar ileso a claridade

ou se regressarei um dia para viver outras vidas

 

...depois fui

não havia nada mais para fazer...

 

autor: jrg

sinto-me:
música: Heróicas
publicado por romanesco às 18:15
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