HAVIA VIDA ANTES DA CIDADE

 

 

há uma aura etérea de paz poesia
na rua onde me cruzo nos meus passos
com formigas e germes citadinos
falta-me o cheiro agreste da maresia
neste apertar de antigos laços
entre mim e pegajosos germes paladinos

 

outrora searas hortas matagais
onde hoje habitam pessoas entristecidas
ricas da materialidade desmedida
a rua mantém ilesos segredos ancestrais
à esquina casas de côres garridas
memórias ocultas da memória esquecida

 

procuro sinais do homem a quatro patas
quando os frutos medravam sem dono
quando o alimento ao alcance dum ardil
assim uma criança corre de gatas
inventa fantasia evolução em cada sono
andar olhar sorrir de forma subtil

 

na cidade o vento corre os labirintos
entre torres hirtas gigantescas
esbate nas fachadas cai recupera rodopia
revolta cabelos faz olhos bonitos
levanta saias pernas ao léu grotescas
sibilando na folhagem a ventania

 

no bojo das torres há carros escondidos
mais carros em recortes do passeio
ainda carros fila dupla na rota dos passos
apitam sitiados em todos os sentidos
manobras perigosas gritos exaltados a meio
o puro sou eu os outros são devassos

 

então vejo o homem novo rastejante
atrás de conceitos obscuros da urbanidade
enfatuado de parecer culto civilizado
exibe o traje e a voz assume-se bem falante
apressado não ouve o vento na cidade
só ele conta o resto por demais é desprezado

 

tenho tempo sento-me no banco corrido do jardim
aspiro nas correntes de ar odores
húmus da terra molhada rosas magnólias orquídeas
o trinar dos pássaros ser deles afim
por onde os meus olhos andam só vêm doces amores
e semelhanças de caracteristicas homnideas

 

autor:jrg

sinto-me: Acalorado
música: Os Deolinda
publicado por romanesco às 12:53
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