A SALVAÇÃO DUM PAÍS


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A SALVAÇÃO DUM PAÍS
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o meu país definha
em cada dia do tempo que passa
e ninguém parece ver
um país cercado d'erva daninha
voraz erva tão devassa
que não deixa meu país crescer
*
o meu país não acorda
do sobressalto nem do pesadelo
levado pelo vento à deriva
miga pão e bebe vinho faz açorda
abarca a mentira com desvelo
marca passo à espera da maré viva
*
o meu país está num beco
cuja saída se encontra obstruída
é uma ilha que o mar afunda
sem alma nem esperança um poço seco
à espera da ajuda desvalida
dos poderes insanos onde o ódio abunda
*
o meu país precisa
do ar purificador dum tempo de paz
perene de valores humanos
duma ideia que se torne na mente concisa
ou no coração tanto me faz
desde que livre do arbítrio dos tiranos
*
no meu país de gente boa
é preciso que a palavra esperança
reconstitua orgulho e alegria
de Caminha a Faro passando por Lisboa
encher a alma de confiança
varrendo o lixo do poder em confraria
*
no meu país há quem cante
que almas mortas ou somente moribundas
resvalam da coragem com desânimo
não ganhamos esta guerra senão avante
de peito aberto às barafundas
que ultrajam um povo nobre e magnânimo
*
no meu país há uma rota
ouço tambores que rufam rumo à vitória
assim acreditem os do povo maduro
armados do saber que é hoje a nova frota
a tirania é estúpida sem memória
cerremos fileiras em torno do pensamento puro

autor: jrg
sinto-me: inquietado
música: Os Vampiros - Zeca Afonso
publicado por romanesco às 21:03
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