Domingo, 26 de Agosto De 2012

POEMA COM MULHER DENTRO ...a XU de MIRANDELA !

Imagem de Maria Manuela Xu: artista plástica,poetisa e fotógrafa

***

POEMA COM MULHER DENTRO...

a XU de MIRANDELA!!!

*

abro a janela do poema

espreito a veia onde o sangue corre

carrego a emoção do meu olhar

uma espiral de cor demarca o tema

rosa violeta brilho que não morre

sob um vulto de mulher para amar

aroma inebriante d’alfazema

*

todo o conjunto é um sorriso

amplo a abarcar no mundo inteiro

a tragédia de viver a vã tristeza

os olhos rutilam esplendor preciso

na alegria d’alma sinto o cheiro

da arte que nela labora a tal beleza

que acolhe sensibilidade e riso

*

 é a luz diáfana que vislumbro

à entrada do túnel onde o poema abre

imagem simples de mulher feliz

o coração estremece no meu assombro

poetisa pintora que me cobre

com o seu manto de luz eu d'aprendiz

a ver se o verde não se faz de rubro

*

ando à volta da fotografia

saber se tem um lado d’ilusão inverso

oculto do meu deslumbramento

perscruto a cor na alma louca da grafia

à procura da palavra no meu verso

que defina da imagem tão menina o pensamento

que me seduz sonhar a fantasia

*

a imagem é maravilhosamente bela

não precisa das palavras que a rodeiam alvorotadas

linda de cores luz e efusiva alegria

quisera eu fixá-la preciosa em outra tela

que não a das rimas apertadas

que ficam aquém da luz desta mulher de poesia

mas essa é exímia a arte dela

 

Autor:jrg

 

sinto-me: admirador
música: bolero de ravel
publicado por romanesco às 17:48
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Domingo, 19 de Agosto De 2012

ATIRO PEDRAS AOS MEDOS!!!



*
ATIRO PEDRAS AOS MEDOS
*
atiro pedras ao pensamento
como quem atira pedrinhas ao lago
nem círculos ou movimento
d'ideias enviadas com o porte pago
*
a expectação erótica dos nenúfares
onde uma borboleta sensual
poisa e toca ao de leve seus amores
fecundando na orgia o ritual
*
atiro palavras como sendo pedras
silvos agudos na madrugada
palavras doces com garras de feras
vão pelos sonhos noite calada
abelhas listadas de negro e amarelo
adejam sobre róseas flores
movimento circular onde me espero
à saída duma ideia rumores
*
atiro amor pela minha alma aflita
vejo-o surgir com a resposta
ali todos dormem acolá alguém grita
o amor naufragou deu à costa
*
mantenho ilesa a minha inquietude
de outro modo adormecia
às portas da esperança e da virtude
que o lago espelha fantasia
*
atiro pedras seixos rudes burilados
que fazem flop ao mergulhar
brincadeiras de meninos jubilados
na arte de crescer a perguntar
*
respiro fundo o pensamento vazio
de olhos na doce libelinha
não vale a pena esperar pelo gentio
preso a quem o espezinha
*
atiro pedras com ideias aos medos
e nem assim me amansa
o desejo de saber os seus segredos
que tiram alma à confiança
***
jrg
sinto-me: coragem
música: Trombetas
publicado por romanesco às 18:12
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Sábado, 04 de Agosto De 2012

A PRAIA MEU FASCÍNIO DE MENINO!

Costa de Caparica-Praia-imagem pública tirada da net
**

A PRAIA MEU FASCÍNIO DE MENINO

***
a praia é um fascínio
com brilhos de sol salpicando a água
tão grande
e os dedos tão pequeninos
que coam a areia macia
vêem-me ao longe e correm
os pés a tropeçarem
fugindo do fogo que escalda
os olhos rutilando
os gritos as palavras arfantes
atropelando-se
*
_avô...chegaste!
*
a ver quem é primeiro no abraço
ela tão airosa e bela
e ele encantador de seus sorrisos
a par do sol brilhante
mostram-me os bolos e castelos
as covas os montes
as conchas que gandaiaram
que formam enfeites 
de construções imaginárias
sereias de fantasia
fornos palácios estradas erradias
*
_avô vamos ao banho!
*
de mãos dadas lá vamos
chapinhar nas ondas mansas
mergulham saltam 
riem e caem pelas partidas do mar
correm as ondas
aprendem segredos da vista escondidos
tão contentes
meus meninos genes memórias
da minha infância
que já julgava perdida na demência
do tempo esquecida
*
_meninos vamos!
*
é sempre só mais um bocadinho
tempo de olhar o movimento
que a água em remoinho desequilibra
mais além lá fora
há correntes que se cruzam
e  ventos partidos
saliências de areias revolvidas
forças iónicas
no vai e vem do cheiro a maresia
que por magia nos arrastam
se não olharmos o mar com sabedoria
*
_avô...aqui há tubarões...neste mar teu?
*
não!..digo e acrescento
só coisas mortas conchas espectros
de antigas vidas que havia
não há nada nem aqui nem além
porque o mar também se recicla e descansa
da rapina humana
aqui temos a água ainda cristalina
franzem os olhos
e as areias enxertadas das arribas
onde as conchas
quase fósseis ainda mexem na memória
*
autor: jrg
sinto-me: encantado
música: "fui à beira do mar"...Zeca Afonso
publicado por romanesco às 23:27
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Quarta-feira, 01 de Agosto De 2012

VIOLAÇÃO I...


o estupro de Edgar Dega-Paris
**
VIOLAÇÃO I
**//**
vem
o teu irmão está mal
e ela foi
porque amava aquele bem
sem saber que era a sal
o doce sabor do que lhe dói
*
eram tantos
no chão alucinado o mano querido
deram-lhe um sumo
que a boca lhe secava pelos cantos
e logo sentiu o chão fugindo
perdido o norte e já sem rumo
*
sentiu as mãos suadas
o cheiro afrodisíaco
rasgando a roupa que a cobria
as mamas apertadas
os olhos desfocados dum maníaco
vozes longe sufocada agonia
*
na bruma o movimento
dos dedos rasgando
o sexo o ânus a intimidade protegida
sem nada que activasse o pensamento
de mão em mão levitando
perfurada pela besta humana desvalida
*
quando acordou
havia na poeira do silêncio um vácuo
olhou-se despida e sentiu asco
o sexo dorido e sangue e esperma vomitou
a memória enxovalhada num recuo
vestiu os trapos arrastou o mano até ao tasco
*
pediu transporte
já em casa tomou banho entre lágrimas
e horrores a cada toque
desvirginada assim antes a morte
calou perante os outros fechou algemas
levando tanta raiva a reboque
*
a água corria
tépida sobre o cheiro pestilento
uma duas vezes talvez mais
e o cheiro da memória não saía
causando tanto sofrimento
na alma adolescente onde os sinais
*
deixavam marcas
indeléveis que nenhum tempo apagaria
abriu um hiato no tempo
às vezes queimam as memórias como farpas
quanta doçura daria
se fosse lavada pelo vento
autor: jrg
sinto-me: tétrico
música: requiem for dreams
publicado por romanesco às 22:20
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