Sábado, 16 de Julho De 2011

A VELHA GLEBA...A NOVA MÁTRIA...

A VELHA GLEBA...
A NOVA MÁTRIA...

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o solo pátrio mátrio
o seio materno
o espaço aéreo
a servidão mulher martírio
a revolução do pensamento moderno
o homem etéreo

não se pode ainda bem
fotografar o inconsciente
nem a alma é visível
uma tal nudez da sua própria mãe
desvirtuaria o homem insuficiente
ao ser tachado do inatingível

o que move a humanidade
os que acumulam riqueza inútil
os que se digladiam
por uma moeda pão de caridade
os que se sufocam na frieza fútil
e a vida ante a morte adiam

escravos da velha gleba
uns e outros a mesma servidão
como frutos de árvores milenares
de nada lhes vale a soberba
a corrente de valores em cada mão
com que se martirizam aos milhares

o solo é mátrio a mátria
como tudo nasceu duma evolução
cristalizou a raiz
deixa-se fecundar pela matéria
de vez em quando range o coração
a alma é do homem e da mulher matriz

não foi lida a sentença
só os mitos falam de condenação
as tábuas de deus marcam o sacrifício
do homem livre à indiferença
feito servo da gleba por inspiração
de mentes absurdas sem arte nem ofício

não pagarei na mesma moeda
porque não tenho ouro...nem ódio...nem religião
pago em amor à mátria mãe
liberto do servilismo que em mim se queda
passo a palavra de mão em mão
almas servis levantai-vos também

autor: jrg
sinto-me: Matriota
música: Os Vampiros-Zeca Afonso
publicado por romanesco às 01:21
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Sábado, 02 de Julho De 2011

INDIGNEI-ME !...

 

INDIGNEI-ME

 

 

«««//»»»

{#emotions_dlg.leiria}

 

 

 

dentro do tempo tanto

já vivido de viver

quanta indignação

sovado sem tempero

por pai e mãe

vaiado por ser fraco e pobre

sem vintém


indignaram-me!...


fiz-me à vida sem cansaço

no percurso desigual

quase sempre em contra mão

subi montanhas

donde a meio me resvalei

fui do amor amante

de ser capaz sempre acreditei


indignado!...


fui à guerra África minha

bebi da luz do entendimento

porque não bastava conhecer

por mais deus que poluísse o pensamento

o básico era entender

desmistificar em mim o preconceito

deixar a vida acontecer


indignei-me!...


atirei mitos ao chão

ídolos inventados no imaginário surreal

amei a mulher como Tristão

e todo o mundo vivo original

até que entrei em derrapagem

queria andar escorregava

vivi na natureza como um selvagem


indigna-me!...


lancei escoras por amparo

construi pontes túneis viadutos

atravessei abismos infernais

em cada esquina parei a tomar fôlego

a regurgitar da consciência

a luz oculta da memória

a desvendar dos seus segredos


indignidade!...


atravessei conceitos absurdos

cada cabeça sua sentença

dividido em labirintos da intriga

a descobrir que havia outro submundo

além do da malta o das elites

o mesmo assalto com fins diferentes

ambos a seu modo de viver


indignação!...


descobri a falsidade de argumentos

em que nos encaixam pelo medo

políticos religiosos ladrões e usurários

movendo-se entre capitais de risco

de que somos o aval instante

quando cessa o prazo de validade

da sabedoria que emolduraram


indigno!...


descobri que o espírito

é uma emanação da matéria decomposta

em consonância com o ar que se respira

e que prolonga ou elimina

em razão da consistência orgânica

e dos fluxos cósmicos à deriva

o tempo de viver sem remissão


indignar!...


ao invés da alma que é insana

alimenta o corpo amplia a fantasia

reúne os elementos decompostos

separa os sem remédio 

revitaliza os apenas adormecidos

capta os iões e os mistura

e lança farpas sobre a morte entontecida


indignidade!...


a alma sim é da humanidade a dimensão

exprime-se através dum sorriso

os olhos são o portal via d'entrada

ilumina todo o ser por mais humilde

não pergunta se tens mas se queres ser

exibe a força gigantesca do querer

e envolve tudo em puro amor


autor: jrg

sinto-me: indignado
música: Os Vampiros-Zeca Afonso
publicado por romanesco às 21:26
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