Quarta-feira, 10 de Março De 2010

PAQUETÁ - A EPOPEIA...

A Ilha bela pura e mítica

Onde os poetas anseiam a musa sibilina

Lugar de culto da ideia idílica

Onde a poesia me chama eterna feminina

 

Em cada esquina há um poema que espreita

A brisa mansa que ondula a sombra

Reflexo deslumbrante de folhas de palmeira

Em cada rua seja larga ou estreita

Há um tapete de versos em estrofes na penumbra

Que o sol no ocaso projecta à nossa beira

 

 A sensualidade do corpo estendido na rede que balança

A poetisa soletra sílabas para versos de soneto

A alma transparente como se fora uma criança

Os lábios em surdina sensuais na doçura do dueto

 

Tão perto que me cheira a poesia

O mar azul-marinho a água cristalina

Por entre o verde luxuriante do arvoredo

Ouvem-se sons de odes etérea sinfonia

O marulhar das ondas a vida submarina

A lírica que canta do amor o seu enredo

 

 Vivia aquela gente boa na paz do seu recanto

Longe de pensar tesouro tão evidente

Mantendo em seu reduto a alma num quebranto

Até que a poesia lhes abanou a mente

 

Na ilha da poesia a Paquetá

Há versos que se soltam do bico das aves

E rimas consonantes na harmonia

Poetas que suspiram livres de etiqueta

Cheiros da sudação da alma em euforia

Rimando na maresia sem entraves

 

Vista de longe o casario como eu a vejo

Paquetá pode até parecer uma utopia

Que renasce esplendorosa em cada beijo

Quando o poeta a abraça na alma e rodopia

 

No dégradè das cores encarniçadas

Que o sol projecta quando cai sobre o  poente

Há um prenúncio de amor em primazia

E pode ler-se a epopeia das almas empenhadas

Que vão fazer de Paquetá a ilha de quem sente

A Paquetá lugar de culto à poesia

 

Autor: JRG

 

sinto-me: Poético
música: lago dos cisnes
publicado por romanesco às 03:11
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MULHER LIVRE

 

Como é possível no mundo haver

 Olhos belos tanta tristeza

Apenas por ser uma mulher

E tida por de maior fraqueza

 

Quando vejo os olhos dela

Que rutilam sorridentes

Senhora de saberes tão bela

Lanço gritos estridentes

 

É mãe mulher amante

E livre no pensamento e ser

Não há homem por mais tratante

Que não lhe deva viver

 

Quando vejo os olhos dela

Entre estrelas cintilantes

De natureza tão bela

Seus perfumes fascinantes

 

Que vileza cobardia nela bater

Violentá-la no eu na mente

Todo o homem que se ri do seu sofrer

É um aborto gorado má semente

 

 

 

Quando vejo os olhos dela

Doces lânguidos meigos de ternura

Mal posso imaginar que sendo bela

Seja vítima de maus tratos de tortura

 

Que lentidão para reconhecer

Sua dinâmica e força superior

Quanto tempo pode durar para viver

Na era da mulher plena a seu favor

 

Quando vejo os olhos dela,

Na luz do sorriso, radiantes

Exorto a criadora pura e bela

A aproximar os mundos tão distantes

 

Que absurdo este legislar

Sobre direitos absolutos naturais

Nada pode impedir uma mulher de dar

Educação e sentido aos homens colossais

 

Quando vejo os olhos dela

Azuis ou verdes pretos castanhos

Ou de outras cores que a fazem bela

Incito-a a libertar-se de medos estranhos

 

Que toda a mulher se permita a ousadia

De ser o rosto sonhado da justiça

Não só cantada em versos de dúctil poesia

Mas tida em conta como mais valia ética

***

Quando vejo os olhos dela

Febris de amor ou sofrimento

Fico suspenso de saber se de tão bela

É agora chegado o seu momento

 autor: JRG

 

sinto-me: viva o ser livre
música: Bolero de Ravel
publicado por romanesco às 00:36
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Domingo, 07 de Março De 2010

MEDO...

 

 

 

 

 

 

aqui estou eu postado

sentinela avançada do meu medo

vestindo a personagem do soldado

numa guerra que me dita este degredo

 

vêm de longe do homem a quatro patas

todo o saber acumulado é-me indiferente

o homem antes de ainda andar de gatas

não era esta máscara que hoje nos mente

 

moldamos o carácter procura inglória da perfeição

desde as origens o homem crescendo meio razão meio selvagem

por muito que lhe adocem com ternura o coração

se sente a ameaça é na barbárie vítima e carrasco da  voragem

 

autor:JRG

 

sinto-me: introspectivo
música: Bolero de Ravel
publicado por romanesco às 17:39
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